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06/12/2002

Relatório coloca em dúvida a teoria de que Marte possa ter abrigado vida

The New York Times
Kenneth Chang
The New York Times

Os vastos desfiladeiros e vales de rio de Marte podem ter sido talhados por breves rajadas de chuvas torrenciais quase fervendo que ocorreram após impactos de meteoros gigantes, relataram cientistas na sexta-feira.

A nova pesquisa parece rebater a idéia de que Marte passou por uma fase quente e úmida como a Terra que durou centenas de milhões de anos, com um oceano cobrindo seu hemisfério norte e rios fluindo constantemente, cruzando as elevações do sul.

Nasa
Uma razão para a procissão de espaçonaves da Nasa enviadas para Marte tem sido a de que este período quente pode ter sido favorável ao advento da vida, e que se a vida surgiu, os micróbios marcianos podem ter sobrevivido nas profundezas do planeta.

Mas na revista "Science" de sexta-feira, os pesquisadores retratam um ambiente muito mais hostil para o jovem planeta Marte. O clima na época, eles dizem, era parecido com o atual --frígido e seco-- mas pontuado periodicamente por cataclismas.

Os pesquisadores são da Universidade do Colorado, do Centro de Pesquisa Ames da Nasa e de uma organização dedicada à pesquisa de vida extraterrestre, o Instituto Seti.

Nos primórdios do sistema solar, repleto de fragmentos de rocha da formação dos planetas, meteoros de 100 a 240 quilômetros de extensão se chocaram contra Marte a cada 10 milhões ou 20 milhões de anos. Simulações por computador feitas pelos pesquisadores mostram que os impactos gigantes teriam transformado as calotas de gelo polares em vapor, e derretido vastas quantidades de gelo abaixo da superfície. Os maiores meteoros teriam derretido gelo suficiente para inundar a superfície marciana até uma profundidade média de mais de 30 metros, disseram os cientistas.

As simulações por computador indicam que após os impactos, o vapor na atmosfera teria se condensado em chuvas escaldantes --uma precipitação atmosférica global na taxa de 1,82 metro por ano-- que durou entre anos e décadas.

Esses eventos teriam produzido água suficiente para deixar a paisagem marciana como nós a vemos, disse Owen B. Toon, diretor do programa de ciência oceânica e atmosférica da Universidade do Colorado e autor do artigo para a "Science". Tal ambiente não descarta a possibilidade de vida em Marte mas, disse Toon, "a torna muito mais difícil".

Tradução: George El Khouri Andolfato Astronomia

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