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15/02/2003

Perspectivas para a economia americana continuam sombrias

The New York Times
Kenneth N. Gilpin


A economia americana permanece em compasso de espera e submetida a oscilações, segundo sugerem as estatísticas que foram divulgadas nesta sexta-feira por diversas fontes. Conforme Alan Greenspan, o presidente do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), declarou ao Congresso no começo da semana, as condições deverão manter-se iguais ao que elas têm sido até agora, isso até que as incertezas envolvendo uma possível guerra com o Iraque sejam removidas, pelo menos temporariamente.

Os números divulgados nesta sexta-feira são bastante desiguais e contraditórios.

Do lado positivo da balança, a Reserva Federal (Fed) anunciou que a produção industrial aumentou de 0,7% em janeiro, estimulada por um crescimento da produção automatizada, a qual foi maior do que se esperava.

O Departamento do Comércio, por sua vez, informou que as vendas de mercadorias estocadas (atacado) cresceram no ritmo de 0,6% em dezembro, isto é, mais rapidamente do que o esperado. Os primeiros resultados dos balanços das empresas indicam com quase toda certeza que o crescimento do último trimestre de 2002 foi de fato superior à medíocre taxa de 0,7% que havia sido anunciada inicialmente.

"No final das contas, quando todos os cálculos tiverem sido feitos, o crescimento no último trimestre será provavelmente revisto para cima, alcançando uma taxa próxima de 2%", disse Ethan Harris, diretor para os assuntos econômicos americanos do banco de investimentos Lehman Brothers.

Mas uma investigação minuciosa e rigorosa do estado de espírito do consumidor está levantando sérias dúvidas em relação às perspectivas de um crescimento futuro.

Num relatório preliminar divulgado nesta sexta-feira, uma pesquisa realizada pela universidade do Michigan revela que o otimismo do consumidor diminuiu de 9,5 pontos em fevereiro. Pela primeira vez, os consumidores mencionaram a sua ansiedade em relação à guerra com o Iraque e a perspectiva de futuros ataques terroristas em território americano como sendo a causa principal do seu humor sombrio.

O índice de otimismo caiu de 82,4% para 79,2% em janeiro. A maioria dos analistas estava esperando por esse declínio, mas a queda foi muito maior do que eles haviam antecipado.

Esses números que medem a confiança do consumidor foram publicados um dia depois de o Departamento de Comércio ter anunciado que as vendas no varejo eram um pouco mais favoráveis do que se esperava.

Os relatórios foram divulgados num dia decisivo para o processo que pode levar a uma possível guerra contra o Iraque. Com efeito, os inspetores de armamento da ONU declararam perante o Conselho de Segurança que eles não haviam encontrado nenhum sinal da presença de armas de destruição maciça no Iraque até agora.

Contudo, os analistas afirmaram que, independentemente da ameaça de uma possível guerra, a economia americana não vem apresentando um aspecto dos mais saudáveis.

"A verdade é que nos encontramos nos primórdios de uma nova fase que poderíamos chamar de 'convalescência pós-bolha'", explicou David Rosenberg, um economista-responsável da Merrill Lynch & Co.

Sobre os dados divulgados nesta sexta-feira, Rosenberg disse que "a única estatística realmente importante é aquela que estabelece que, pela primeira vez na história recente, a confiança do consumidor alcançou o seu nível mais baixo dos últimos nove anos, após ter esperado por um ano inteiro a retomada econômica que havia sido anunciada. Além disso, é a primeira vez em todo o período que se seguiu à segunda Guerra mundial que o mercado financeiro desmorona a níveis tão baixos, apesar das medidas de alívio que foram tomadas para corrigir esse ciclo no quadro da política monetária da Reserva Federal".

Num esforço para tentar revitalizar a economia, o Fed reduziu as taxas de juros de curto prazo uma dúzia de vezes ao longo dos últimos 13 meses, as quais se encontram agora em níveis baixíssimos, que nunca haviam sido registrados nos últimos 40 anos.

Além disso, Ethan Harris, o economista do banco Lehman Brothers, acrescenta que, apesar dos resultados positivos das vendas no varejo registradas em janeiro, a confiança cambaleante do consumidor não é nem um pouco promissora para o futuro imediato.

"No curto prazo, os riscos que corre a economia são latentes", afirma. "A incerteza estimula a paralisia, a qual é o pior inimigo do crescimento. As pessoas tendem a ser muito mais cautelosas numa época como esta, e o setor das empresas tem sido o mais consistente nas suas atitudes avessas a todo e qualquer risco".

Por sua vez, os investidores mostraram-se pouco surpresos com as notícias do dia, seja com os dados sobre a economia que foram divulgados, seja com os desdobramentos da crise do Iraque nas Nações Unidas.

Por volta de meio-dia em Nova York, todos os principais indicadores dos mercados financeiros apontavam para cima, mas, na verdade, eles já estavam em declínio em relação aos picos que haviam sido registrados nas primeiras horas do pregão. Os valores das obrigações caíram então repentinamente, levando a um forte aumento dos bônus do Tesouro. Os preços do petróleo subiram mais ainda. O dólar enfrentou uma série de oscilações, reerguendo-se em relação ao euro mas perdendo terreno frente ao iene.

Os mercados financeiros permanecerão fechados nos Estados Unidos nesta próxima segunda-feira, em função do feriado do Dia do Presidente.


Tradução: Jean-Yves de Neufville Cenários

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