UOL Notícias Internacional
 

27/07/2004

Clintons são o destaque da convenção democrata

The New York Times
Todd S. Purdum

Em Boston
Se a Convenção Nacional Democrata é uma grande e tumultuada reunião de ex-alunos do colégio, então John Kerry é o presidente de classe que se deu bem e Ted Kennedy o jovem jogador promissor que virou um velho técnico astuto. Mas Bill e Hillary Rodham Clinton continuam sendo o rei e rainha do baile e, na noite desta segunda-feira (26/07), eles novamente demonstraram ter o partido na palma de suas mãos.

"Nesta noite, eu falo como cidadão, ansioso em me juntar a vocês aqui em Boston como soldado na luta pelo nosso futuro, ao indicarmos um verdadeiro patriota da Nova Inglaterra para presidente", disse Bill Clinton aos delegados em comentários pré-redigidos. "O Estado que nos deu John Adams e John Kennedy agora nos deu John Kerry, um bom homem, um grande senador e um líder visionário."

Os Clintons podem ser figuras polarizadoras e alvos primários nos eventos republicanos de levantamento de fundos nos Estados conservadores, mas nesta semana eles são heróis voltando para casa, lotando salões de festa de antigos simpatizantes, novos leitores de livros e -possivelmente- eleitores democratas que esperam algum dia dar a Hillary Clinton o terceiro mandato da família.

"É um pouco como uma combinação de astro do rock e líder religioso", disse Joe Lockhart, o ex-secretário de imprensa de Bill Clinton, como forma de explicar o apelo duradouro do ex-presidente junto aos fiéis. Lockhart afastou qualquer sugestão de que Bill Clinton poderia ofuscar Kerry, dizendo: "Eu vejo como algo que soma valor, não algo que divida atenções".

Clinton e sua comitiva ocuparam o Charles Hotel na vizinha Cambridge, de propriedade de seu amigo Richard Friedman. A ex-secretária social da Casa Branca, Capricia Marshall, brincou que deveria ser rebatizado de Clinton-Charles para a semana. "Você desce ao restaurante para o café da manhã e é como estar em uma reunião da Casa Branca", disse Marshall sobre tantos rostos familiares.

Diferente de quatro anos atrás, quando Al Gore usou a Convenção Democrata para se distanciar de Bill Clinton após o caso Monica Lewinsky, a campanha Kerry não titubeou em alistar os Clintons para sua causa. "Nós damos as boas-vindas a eles à corrida", disse a porta-voz de Kerry, Stephanie Cutter.

E Gore, que foi calorosamente aplaudido de pé, parecia não medir esforços para fazer os delegados se recordarem não da decepção e divisão de 2000, mas da empolgação de sua campanha de 1992 com o homem que chamou de "meu amigo e parceiro por oito anos".

Ele acrescentou: "Eu nunca vou esquecer aquela convenção ou aquela campanha -a forma como percorremos o país, transmitindo uma mensagem de esperança e mudança, acreditando piamente que a América podia ser renovada".

Foi uma noite para deixar o passado para trás. Mesmo Jimmy Carter, o único outro ex-presidente democrata ainda vivo -com o qual o partido nutre um relacionamento bem mais ambivalente e que apoiou Howard Dean em vez de Kerry durante as primárias deste ano- utilizou a frase mais famosa de sua campanha vitoriosa de 1976 para dar seu apoio a Kerry.

"Meu nome é Jimmy Carter, e não estou concorrendo para presidente", disse ele em comentários pré-redigidos. "Mas isto é o que farei: tudo o que puder para colocar John Kerry na Casa Branca, com John Edwards ao lado dele."

Hillary Clinton apareceu duas vezes: primeiro como parte de um grupo de senadoras, e então na apresentação de seu marido como "o último grande presidente democrata" e Kerry como "o próximo grande presidente democrata".

Em um coquetel e jantar para os Clintons na noite de domingo no State Room, um salão de festa no centro da cidade com ampla vista para a silhueta de Boston, várias pessoas que estiveram presentes disseram que o ex-primeiro casal interagiu com centenas de simpatizantes que os abordavam como se estivessem se encontrando com eles pela primeira vez, e que cópias gratuitas do livro de memórias de Bill Clinton foram distribuídas na saída.

Os Gores também estiveram lá, mas partiram antes de Bill Clinton fazer breves comentários agradecendo os presentes pelo seu apoio e os recordando do objetivo das atividades da semana.

"Ele disse que era bom lembrar o motivo de estarmos aqui: eleger John Kerry", disse um ex-assessor.

Harold Ickes, um ex-vice-chefe de gabinete da Casa Branca, disse que Bill Clinton estava "ciente de que seu papel deve ser cuidadosamente ajustado, para que possa ajudar a chapa e não prejudicá-la". Isto deverá ser um pouco mais fácil neste ano, quando a mais recente pesquisa New York Times/CBS News mostra que exatamente metade dos americanos tem uma visão favorável de Bill Clinton, enquanto apenas 4 em cada 10 pessoas o vêem desfavoravelmente. Há quatro anos, havia uma divisão igual.

O próprio Clinton disse a Tom Brokaw, da NBC News, que quando deixou o governo, grandes maiorias de americanos achavam que ele tinha-se dedicado a pessoas como eles. "Eles achavam que eu tinha cometido um erro sério -e que paguei por ele", disse o ex-presidente. "E alguns deles me consideravam um bom presidente, mas não me consideravam um bom homem. Eu acho que esta ainda é a visão predominante."

Os Clintons também não mediram esforços para afastar qualquer sugestão de que a indicação de Kerry significaria o fim das ambições presidenciais potenciais de Hillary Clinton.

"Ela está agora onde eu estava em 1988, quando não concorri" à presidência, disse Bill Clinton no programa "Good Morning America", da ABC. "Eu achei que nunca teria outra chance de concorrer porque realmente achava que os democratas venceriam."

"Assim", ele acrescentou, "isso é algo que ainda veremos".

Quando lhe foi feita a pergunta, Hillary Clinton disse: "Esta é uma declaração do óbvio; você nunca sabe na vida".

Como em qualquer reunião, algumas pessoas estão mais magras, outras estão mais gordas, algumas mais calvas, algumas com rostos mais esticados pela cirurgia plástica. Se Gore está mais gordo, Bill Clinton está inegavelmente mais magro após meses da dieta South Beach de pouco carboidrato. Mas havia alguns sinais de que ele pode estar seguindo seu slogan: "Tenha a aparência de quem está fazendo dieta, coma como se não estivesse".

Os funcionários do Charles Hotel disseram que quando a comitiva do presidente realizou o check-in na noite passada, o serviço de quarto recebeu o pedido de alguns itens clássicos da era Clinton: cheeseburgers, picadinho de frango e pedaços de mussarela fritos.

*Colaborou Raymond Hernandez. Bill e Hillary são aclamados pelo público na abertura do evento George El Khouri Andolfato

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