UOL Notícias Internacional
 

27/07/2004

Democratas evitam ataques a Bush em Boston

The New York Times
Adam Nagourney e David Rosenbaum

Em Boston
Os democratas se reuniram em Boston neste domingo (25/07) para a convenção de indicação de seu partido, transbordando de raiva contra o presidente Bush mas apoiando o pedido de John Kerry de abrandamento dos ataques contra o presidente nos próximos quatro dias.

"Esta não deve ser uma festa anti-Bush", disse Lou Magazzu, presidente do diretório do partido em Cumberland County, Nova Jersey, no lobby do Omni Parker House Hotel, que estava tomado por centenas de delegados realizando o check-in enquanto um clima de fortaleza tomava conta desta cidade, na véspera de sua primeira convenção nacional de um partido político na sua história.

De fato, entrevistas com dezenas de delegados sugeriam que a confiança nas perspectivas de Kerry em novembro estava criando uma demonstração de disciplina altamente incomum para este partido famoso por suas divisões.

"Tem que ser algo positivo -as pessoas estão cheias e cansadas de negatividade", disse Frances S. Williams, uma delegada de 75 anos de Las Cruces, Novo México. "Por mim, o tom da campanha será positivo: o que os democratas defendem, como vamos executar, o que ofereceremos às pessoas deste país e que George Bush não."

Enquanto os delegados se reuniam, Kerry interrompeu suas viagens, partindo de Ohio e aparecendo em Fenway Park para um jogo entre o New York Yankees e o Boston Red Sox.

Diante de todas as promessas de acentuar o positivo em seus discursos, os líderes do partido disseram que adotarão uma plataforma nesta terça-feira (27) que tornará clara as diferenças entre Kerry e Bush. A plataforma descreve a política externa de Bush como "perigosamente ineficaz", diz que o governo "não está fazendo o suficiente para tornar a América segura do terrorismo" e alerta que "os custos estão subindo e a renda dos cidadãos comuns está caindo".

"É hora de uma nova direção", proclama a plataforma.

Ainda assim, o esforço de Kerry de ajustar o tom de um partido que tem-se alimentado da raiva durante grande parte do ano, algo que ele expressou em uma entrevista na semana passada e foi reforçado pelo conjunto orquestrado de declarações feitas pelos líderes do partido no domingo, mostrou pelo menos sinais iniciais de sucesso, apesar de alguns democratas estarem céticos de que durará ao longo dos quatro dias da convenção.

Jerry Springer, um delegado de Ohio, também um apresentador de televisão, disse em uma entrevista: "Não é necessário fazer críticas a Bush, já que 95% dos americanos já têm sua posição definida".

Terry McAuliffe, o presidente nacional do partido, afirmou: "Eu vou participar daquela que será a mais harmoniosa, carente de eventos, reunião do Comitê de Regras na história do Partido Democrata. A imprensa às vezes diz: 'Tanta harmonia -você não quer um pouco de ação?'"

"Não", disse McAuliffe. "Eu a adoro. Eu acho ótimo."

Por toda Boston, os delegados lotaram os lobbies dos hotéis e cafés ao longo da Newbury Street, fizeram fila para saudarem o ex-presidente Bill Clinton em uma festa de livro ou foram assistir ao jogo entre o Red Sox e os Yankees.

Mas a cidade, em um dia atipicamente fresco de julho, estava repleta de lembretes de quanto os tempos mudaram desde a última convenção nacional. As ruas, despidas de caixas de correio e latas de lixo, estavam cheias de helicópteros. Policiais e oficiais militares estavam posicionados em praticamente todas as esquinas. Um atirador com binóculo foi avistado no topo do Capitólio estadual.

A plataforma acertada pelos democratas, que será adotada na terça-feira, ressaltou tanto o domínio de Kerry sobre o partido quanto a unidade exibida aqui.

A plataforma está completamente de acordo com as posições adotadas por Kerry na campanha, incluindo algumas que são uma variação das posições de muitos membros do seu partido. No Iraque em particular, ela descarta a posição dos eleitores democratas em geral e dos delegados em particular de que a guerra foi um erro e que os Estados Unidos devem retirar as tropas o mais cedo possível.

Em vez disso, a plataforma diz: "Pessoas de bem discordarão sobre se a América deveria ter ido à guerra no Iraque". Mas "tendo ido à guerra", ela diz, "nós não podemos arcar em falhar com a paz. Nós não podemos permitir um Estado fracassado no Iraque, que inevitavelmente se tornaria um santuário para terroristas e uma força desestabilizadora no Oriente Médio".

A plataforma defende a atração de aliados "para compartilhar as responsabilidades políticas, econômicas e militares no Iraque", mas não sugere como isto poderá ser conseguido.

Na economia, a plataforma promete "cortar impostos para 98% dos americanos". Ela manterá os cortes de impostos adotados por Bush para pessoas com rendas inferiores a US$ 200 mil, mas revogará os cortes para aqueles que têm rendas maiores. Ela promete reduzir o déficit orçamentário pela metade em quatro anos, aumentar o salário mínimo, proteger os padrões trabalhistas e ambientalistas em todos os acordos comerciais e expandir o número de empregos em casa, limitando os que as empresas americanas transferem para o exterior.

Kerry e aqueles que o apóiam disseram que querem usar estes quatro dias aqui para tentar argumentar a favor do candidato, em vez de atacar Bush.

"Nós teremos uma convenção positiva, concentrada nas questões", disse o governador do Novo México, Bill Richardson, que é o presidente da convenção. "Você verá temas positivos, não ataques ao presidente", disse Richardson, mas reconhecendo que alguns democratas estão ansiosos para ouvir ataques, ele não conseguiu deixar de acrescentar: "Também haverá um pouco disso; pode aguardar".

Mas não foi necessário esperar muito. McAuliffe, em uma aparição separada, não conseguiu se conter e disse que a Casa Branca "gastará milhões de dólares em armas de enganação em massa". Sorrindo, ele descreveu a frase como "um destaque do meu discurso da noite de amanhã".

E outros democratas questionaram se Kerry deveria se abster de atacar Bush durante quatro dos dias de maior destaque de sua campanha.

"É necessário o negativo e o positivo para obter eletricidade", disse o reverendo Jesse Jackson. E Norman Oliver, um delegado de 40 anos de Delaware, disse: "Eu acho que devem atacar Bush e tudo, da guerra ao (programa) Nenhuma Criança Deixada Para Trás. Nosso problema é que nós sempre temos que fazer o papel do sujeito bonzinho".

Apesar de confiantes na eleição, os democratas disseram que esperam que Kerry conseguirá grandes avanços junto ao eleitorado nos próximos dias.

"Eu acho que Kerry tem que solidificar sua posição, porque ele ainda não fez isso", disse Annette McCroy, uma delegada de Lincoln, Nebraska. "Eu realmente quero vê-lo embalar, e acho que sua equipe estava esperando pela convenção para fazer isto."

Mas Luiz M. Diaz, um vereador do Bronx, em Nova York e um delegado democrata, disse concordar com a abordagem de Kerry. "Eu acho que um tom positivo é certamente a estratégia no momento. E se estivermos unidos em nosso desejo por mudanças, isto será uma coisa boa. Eu acho que chegou ao ponto onde todos no partido estão tão irritados com o governo Bush que farão o que for necessário para vencer."

E Barbara Howard, uma delegada de Tuskegee, Alasca, disse sobre Kerry: "Não há necessidade de atacar Bush, porque se nos mantivermos concentrados, se falarmos sobre as questões que tocam os corações dos americanos, as pessoas responderão".

A plataforma democrata, ao abraçar as posições de Kerry, também destaca posições familiares em questões domésticas que estão altamente em oposição às republicanas. Ela defende o Seguro Social e o Medicare contra a privatização, a aprovação de novas proteções ambientais, a disponibilizarão do seguro saúde para todos e a proteção dos direitos de aborto. Ela é contra os vouchers para ensino privado e promete eliminar com as "brechas no nosso código tributário" e os "subsídios corporativos".

Os republicanos foram rápidos em menosprezá-lo.

"Qualquer leitura da plataforma democrata deixará os leitores com a sensação de que entraram em um universo alternativo", disse Terry Holt, um porta-voz da campanha de Bush. "O Partido Democrata se deslocou mais para a esquerda e está completamente fora de sintonia com o público em geral."

*Colaboraram David E. Rosenbaum de Washington, Adam Nagourney, Michael Slackman, Jennifer Lee e Marc Santora, em Boston. Partido tenta se concentrar em Kerry e conter raiva do presidente George El Khouri Andolfato

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