UOL Notícias Internacional
 

27/07/2004

Republicanos tentam chamar atenção em Boston

The New York Times
Katharine Q. Seelye

Em Boston
Talvez alguém ainda não saiba que o senador John Kerry foi vaiado em Fenway Park, na noite de domingo (25/07), ou que Teresa Heinz Kerry disse ao repórter do jornal para "enfiar" suas observações em algum lugar. No entanto, algumas dezenas de Republicanos fazem questão que essas informações não se percam na enxurrada de mensagens eletrônicas programadas aos Democratas e na conversa animada da sua convenção apresentada pela televisão.

O comitê de campanha de Bush e o Comitê Nacional Republicano temporariamente transferiram sua "sala de guerra" da Virgínia para uma nova trincheira, a apenas dois blocos de distância do Fleet Center. Esse é o centro de convenções onde os Democratas devem nomear oficialmente Kerry como candidato a presidente na noite da próxima quinta-feira (29/07).

John Feehery, cujo trabalho em Washington é de porta-voz do orador da Câmara, Dennis Hastert, Republicano de Illinois, é um dos acampados na trincheira. Ele conseguiu uma credencial para entrar no Fleet Center, na segunda-feira à tarde, e circular entre as organizações de notícias reunidas, às quais entregou um memorando chamando atenção para vários erros na produção de Kerry. (Atualmente, é normal nas táticas de guerra conseguir credenciais para as convenções inimigas; a maior parte vem de lobistas em Washington que gostam de jogar nos dois lados.)

Feehery é apenas um dos soldados no campo de operações Republicano. Ed Gillespie, diretor do Comitê Nacional Republicano, supervisiona cerca de três dúzias de pessoas. Estão lá Ralph Reed e Mary Matalin, altos estrategistas Republicanos; um departamento regional concentrado em Estados disputados e um centro de computadores de alta velocidade, que monitora e cataloga tudo que sai sobre Kerry. O resultado desse esforço é enviado a porta-vozes em Estados disputados, para que todos estejam falando da mesma coisa.

"O objetivo é entrar nas histórias", disse Gillespie em uma entrevista em seu escritório simples. "Sabemos que estamos nadando contra a corrente, mas não queremos que as acusações fiquem sem resposta e não queremos que passem por cima do histórico do senador, porque acreditamos na sua importância para o debate."

Os Republicanos acreditam que os votos de Kerry no Senado revelam que é um liberal parcial a aumentos de impostos e fraco em defesa nacional. Para eles, a convenção está tentando esconder isso, por isso o novo site Republicano DemsExtremeMakeover.com.

Mas o que faz o sangue correr entre os ativistas Republicanos são coisas inesperadas, como a observação de Heinz Kerry. "Foi a dicotomia mais dramática entre as afirmativas otimistas da campanha de Kerry e a realidade", disse um deles.

As tentativas de plantar bandeira no território inimigo começaram de forma limitada em 1984, na convenção Democrática em San Francisco, de acordo com Rich Galen, estrategista Republicano que está trabalhando na nova trincheira. Tornaram-se mais comuns em 1992, quando a campanha de Clinton cunhou a expressão sala de guerra e combateu agressivamente o primeiro presidente George Bush.

A tecnologia em evolução mudou a natureza dessas salas de combate móveis, que são movidas a Internet e satélites, mas também, como demonstrou Feehery, a velhos truques.

"O que mudou a dinâmica foi a cobertura de noticiários de cabo 24 horas por dia", disse Gillespie. "A distribuição via satélite aos Estados disputados também é um pouco nova."

Gillespie planeja reunir-se com a imprensa todas as manhãs, às 10h, para dar a interpretação Republicana mediante à interpretação Democrata. Ele também trará diferentes autoridades Republicanas durante a semana para ampliar suas vias de comunicação. Na segunda-feira, por exemplo, estavam ao seu lado o governador do Colorado, Bil Owens, o vice-governador de Massachusetts, Kerry Healey, e o deputado Henry Bonilla, do Texas. Depois, eles se separaram e deram várias entrevistas.

Owens, por exemplo, sentou-se no estúdio de televisão da sala de guerra e conduziu entrevistas via satélite para 10 canais de televisão e seis estações de rádio. Seis dos entrevistadores de televisão estavam em Denver, onde o governador mora e trabalha, mas o fato de ele estar em Boston, cena do crime, por assim dizer, deu aos seus entrevistadores um cheiro da pizza. (Também falou sobre a preocupação crescente entre Republicanos de que o Colorado possa votar Democrata neste ano.)

Não ficou claro o que os Republicanos conseguiram com isso. Owens passou grande parte de seu tempo de entrevista assegurando aos seus telespectadores, ao menos aos de Colorado, que estaria de volta ao Estado na noite de segunda-feira, e só conseguiu e dar pequenas pontadas em Kerry.

"O Colorado é um Estado disputado", disse ele entre entrevistas, explicando seu estilo. "Realmente não sou agressivo em termos de política."

Para o final da semana, enquanto os Democratas se aproximam da nomeação de Kerry, os Republicanos planejam importar outros nomes importantes, incluindo Rudolph W. Giuliani, ex-prefeito de Nova York, e William Weld, ex-governador de Massachusetts, que perdeu para Kerry na eleição ao Senado em 1996.

Gillespie disse que era essencial prover o ponto de vista Republicano. Mas admitiu que eventualmente, os repórteres devem parar de pendular entre os dois comitês em busca de comentários e réplicas.

"Isso pode continuar exponencialmente", disse Gillespie rindo. "É como colocar um espelho na frente do outro." Adversários procuram fazer mídia desviar atenção dos democratas Deborah Weinberg

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