UOL Notícias Internacional
 

28/07/2004

Investigação de 11/9 deve continuar, diz Kerry

The New York Times
David Stout

Em Boston
Enquanto mais de 4.000 delegados da Convenção Nacional Democrata o aguardavam em Massachusetts, o senador John Kerry, que em breve será nomeado candidato pelo partido, visitava a grande base naval em Norfolk, Virginia, nesta terça-feira (27/07) e pedia à comissão do 11 de setembro que trabalhasse por mais 18 meses.

"Agora que a comissão do 11 de setembro fez o seu trabalho, precisamos fazer o nosso", disse Kerry. "Como nação temos a força necessária para fazer o que precisa ser feito. A única coisa que não temos é tempo. A comissão precisa continuar trabalhando por no mínimo mais 18 meses, e a partir de dezembro deve divulgar um relatório sobre a situação a cada seis meses".

Esses relatórios são essenciais, disse ele, para responder a algumas questões críticas: A segurança doméstica está sendo reforçada de forma suficientemente rápida? As agências de inteligência estão sendo reorganizadas para que façam frente às ameaças terroristas? Os Estados Unidos estão formando alianças para travar uma guerra global?

Kerry, que está fazendo campanha na Costa Leste e chega a Boston nesta quarta-feira, parece determinado em não permitir que o presidente Bush ganhe qualquer ímpeto com as questões levantadas pelo relatório da comissão bipartidária do 11 de setembro, cujo nome oficial é Comissão Nacional sobre os Ataques Terroristas Contra os Estados Unidos.

Bush, que inicialmente se opôs à criação da comissão, tem conversado com assessores na sua fazenda em Crawford, Texas, para decidir que recomendações deverá apoiar, ou mesmo adotar, sem esperar pela ação do Congresso.

Um porta-voz da comissão, Al Felzenberg, disse à agência de notícias "The Associated Press" na terça-feira (27/07) que o presidente da comissão, o ex-governador de Nova Jersey, Thomas H. Kean, apóia a idéia de dar continuidade aos trabalhos do grupo. Tanto Kean quanto o vice-presidente da comissão, o ex-deputado federal Lee H. Hamilton, de Indiana, disseram que providências devem ser tomadas rapidamente a respeito das revelações que surgiram durante os trabalhos, para que os Estados Unidos fiquem mais bem protegidos dos ataques terroristas.

Na base de Norfolk, Kerry, um veterano da Guerra do Vietnã condecorado por sua atuação em combate, disse: "Se eu fosse o presidente hoje, se fosse o presidente na semana passada, teria dito imediatamente à comissão, 'Sim, vamos implementar essas recomendações, e queremos que vocês continuem fazendo o seu trabalho por no mínimo mais 18 meses a fim de garantir que cumpramos a nossa tarefa'".

"O presidente possui a autoridade neste momento, hoje, para implementar muitas das recomendações da comissão por ordem executiva, e o Congresso precisa fazer a sua parte onde for necessária legislação e/ou verbas". Muitas das recomendações da comissão não podem ser efetivadas sem ação congressual, e os membros da comissão têm manifestado em alta voz a sua preocupação com a possibilidade de a inércia do Legislativo prejudicar o processo.

Embora Kerry tenha dito a sua platéia em Norfolk que não se pode deixar a política atrapalhar a proteção do povo norte-americano, um porta-voz da campanha de Bush, Steve Schmidt, disse à "Associated Press" que acredita que "muita gente" suspeita que Kerry está engajado em "um jogo político".

Kerry deve fazer campanha em Filadélfia antes de chegar a Boston na quarta-feira, onde a convenção tem-se beneficiado até o momento de um clima maravilhoso, de protestos limitados e pacíficos e de congestionamentos de trânsito bem menores que os previstos.

Na quinta-feira, Kerry deverá aceitar a nomeação pelo seu partido e fazer aquele que se espera que seja o discurso mais importante da sua carreira. Na última segunda-feira os delegados soltaram brados de aprovação quando o ex-presidente Bill Clinton falou tarde da noite.

Clinton, que foi calorosamente anunciado pela senadora por Nova York, Hillary Rodham Clinton, sua mulher, criticou as políticas do governo Bush sem atacar especificamente a pessoa de George Bush. O ex-presidente disse que a eleição de Kerry faria com que o bom senso e os valores tradicionais retornassem à Casa Branca e ao país.

Clinton lembrou à sua audiência, sem dúvida desnecessariamente, que o jovem John Kerry foi à guerra quando outros jovens privilegiados, incluindo George W. Bush e, sim, ele próprio, Bill Clinton -não foram.

O ex-presidente Jimmy Carter também lembrou ao público, embora de forma sutil, que George W. Bush, que serviu como piloto de caça na Guarda Nacional, ficou em casa enquanto John Kerry ia ao Vietnã. Ao final da noite, estava difícil lembrar que os estrategistas democratas tentaram evitar que o encontro se transformasse em uma manifestação anti-Bush.

Os delegados também ouviram o ex-vice-presidente Al Gore, que garantiu não ter ficado traumatizado com a sua derrota no Colégio Eleitoral em 2000 (apesar de ter vencido por mais de 500 mil votos na votação popular), e insistiu que não fica acordado "contando e recontando carneirinhos".

O companheiro de chapa de Kerry, o senador John Edwards, da Carolina do Norte, chegou a Boston na tarde de terça-feira, por volta do horário em que os delegados votavam a plataforma do partido. Democrata faz campanha para militares antes de ir à convenção Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,97
    3,127
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,99
    64.389,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host