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29/07/2004

Democratas copiam convenções de republicanos

The New York Times
Maureen Dowd

Colunista do NYTimes

Em Boston
O palco da convenção democrata tem a dignidade de um clube masculino republicano: todo revestido de madeira escura com acabamento castanho-avermelhado e falso mármore. O pódio exibe um selo presidencial substituto com uma bandeira. Mesmo as pessoas comuns na imprensa são enobrecidas pela encenação do Establishment do Leste; as mesas de redação no FleetCenter possuem tampo de falso mármore azul.

O "preppy stiff" (aluno de escola particular de modos formais), como outros políticos de Massachusetts costumavam chamar o jovem John Kerry, segundo a revista "Newsweek", não está fazendo uma interpretação bizarra da bandeira, como o palco salmão, casca de ovo e azul-celeste de Michael Dukakis em 1988.

"Mudança estável", disse um alto democrata, em um oxímoro descrevendo o cenário para a transmissão ao vivo da noite desta quinta-feira (29/07)de "Live Shot" (gravação ao vivo), como seus colegas apelidaram o senador que adora as câmeras. "Nós queremos promover mudança evolucionária, não mudança revolucionária."

Os democratas acham que a forma de derrubar os republicanos é imitando os republicanos. As rivalidades democratas precisam ser tampadas; os perdedores liberais devem ser mantidos longe do palco ou pelo menos fora do horário nobre; a mensagem positiva tem que ser martelada incansavelmente, assim como os temas de força, heroísmo e patriotismo. A tripulação da lancha Swift é carregada para toda parte para endossar que John Kerry é um companheiro, não apenas um conjunto de cálculos políticos.

Quando a Guarda Nacional pensou erroneamente que alguém estava pousando de pára-quedas no teto do FleetCenter, na noite do último domingo, os repórteres fizeram piada de que devia ser o candidato, novamente provando que homem viril ele é em outro esporte radical, talvez até mesmo pousando em um rocket pack (mochila foguete).

Os democratas no palco que querem atacar os líderes do país como enganadores vis e perigosos, que gritaram lobo para as armas de destruição em massa e pisaram na Constituição, tiveram que se segurar, até mesmo engolir suas palavras. Seus discursos são purgados a ponto de os nomes Bush e Cheney mal serem citados. (Os censores de Kerry, viciados em medições de grupos demográficos, não queriam que Jimmy Carter criticasse indiretamente o presidente Bush por ter "enganado" os americanos sobre a guerra e por não ter cumprido seu serviço na Guarda Nacional. Mas não conseguiram contê-lo e nem a Al Sharpton.)

As abelhas do dinheiro democrata, cuja colméia é o luxuoso Four Seasons Hotel, circulam pelo lobby com pilhas de convites gravados em relevo para os eventos VIPs, tão régios quanto os Rangers republicanos. O símbolo de status para os ricos aqui é um alfinete "Kerry 2004" enfeitado com brilhantes, usado por Teresa. Os cheques de contribuição de campanha que estão sendo preenchidos em Boston (supostamente para grupos independentes comandados por democratas leais) zombam da lei McCain-Feingold que foi apoiada pelo senador Kerry.

Os democratas estão até mesmo imitando o sigilo republicano em torno das reuniões com os doadores. Os repórteres que visitaram a hospitaleira suíte de um grupo, o ACT, sediado no Four Seasons e ligado a Harold Ickes, que já comandou a campanha de Jesse Jackson, foram seguidos e disseram: "Nós temos doadores ricos a proteger".

Você pode sentir o enorme esforço no ar enquanto os democratas tentam colocar um sorriso no rosto comprido de Kerry.

Os republicanos podem se unir em torno de um candidato mesmo se não gostarem dele, como fizeram com Richard Nixon em 1968. Mesmo quando Bush estava em seu estágio mais incompleto e desinformado, os republicanos encontravam facilmente palavras de elogio.

Nas festas em Boston, os democratas estão tendo dificuldades para copiar os republicanos neste sentido; seus verdadeiros sentimentos são facilmente expostos. Em um evento ao qual fui com alguns dos melhores amigos de Kerry, alguns brindes foram: ele pode ser um chato em um dia comum, mas é ótimo em uma crise.

Paul Starobin, do "National Journal", noticiou que à 1h30 da manhã no Charles Hotel, em Cambridge, na outra noite, Bill Clinton estava abandonando tanto a dieta de South Beach quanto Kerry (cujo sucesso, afinal, impediria uma ascensão de Hillary em 2008).

Desfrutando de cheeseburger e fritas, Elvis explicava a Vernon Jordan e Glenn Close, enquanto Hillary bebia Veuve Clicquot. "O ex-presidente acredita que Kerry tem que provar que tem os requisitos" para ser comandante-em-chefe, informou Starobin. "O próprio Bill tem ouvido dúvidas por parte de eleitores moderados, sem partido definido. 'Eles acham que Kerry é esperto -mas não sabem ao certo se ele é durão', disse Clinton para os convidados, que concordaram."

Mas enquanto os democratas tentam ser inofensivos, Dick Cheney continua tão ofensivo quanto sempre, zombando de uma foto infeliz de Kerry em um traje espacial embrionário.

Alguns democratas temem que Kerry pode estar caindo na armadilha republicana, tão preocupado em não ofender os eleitores indecisos a ponto de deixar de desferir o golpe do nocaute. Partido de Kerry sufoca dissidência interna e silencia sobre dinheiro George El Khouri Andolfato

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