UOL Notícias Internacional
 

29/07/2004

John Edwards empolga com mensagem populista

The New York Times
Robin Toner e

Katharine Q. Seelye

Em Boston
O senador John Edwards, empregando toda sua habilidade como advogado de tribunal e populista, fez nesta quarta-feira (28/07) uma defesa apaixonada do senador John Kerry, o saudando como um comandante-em-chefe sem-par em uma época perigosa e um homem que poderá restaurar a esperança e a oportunidade econômica. "A esperança está a caminho", disse Edwards para a Convenção Nacional Democrata.

Reprisando um tema que ele usou ao longo de sua campanha nas eleições primárias, Edwards declarou: "Nós ainda vivemos em duas Américas diferentes", uma para pessoas que "estão garantidas para toda a vida", e outra para "a maioria dos americanos que depende de salário". Ele recontou com orgulho sua própria ascensão como filho de um trabalhador de moinho, e disse que Kerry compartilha do seus valores. "Nós devemos construir uma América única", disse ele em comentário pré-redigidos.

Edwards, que se tornará oficialmente o candidato democrata à vice-presidência nesta quinta-feira, também defendeu um argumento simples mas politicamente crucial: que Kerry, atacado pelos republicanos como sendo arriscado demais e não testado para se tornar presidente em tempos de guerra, tem muita fibra e o provou na juventude, como comandante da lancha Swift, no Vietnã.

Seus tripulantes "viram de perto do que ele é feito", disse Edwards em comentários pré-redigidos. "Eles o viram desembarcar, tirar um de seus homens do rio e salvar sua vida. E no calor da batalha, eles o viram decidir em um instante fazer a volta com sua lancha, se lançar na direção da posição inimiga, perseguindo o inimigo para salvar seus homens."

"Decisivo. Forte. Não são estas as características que vocês desejam em um comandante-em-chefe?"

Poucas vezes o impacto dos ataques terroristas de 11 de setembro e da guerra no Iraque ficou tão evidente na política americana, enquanto os democratas expunham uma série de depoimentos de líderes do establishment militar, velhos companheiros de Kerry no Vietnã e um coro de autoridades eleitas. Os depoimentos visavam tratar do que muitos consideram a maior vulnerabilidade de Kerry em sua disputa acirrada com o presidente Bush -o fato dos eleitores tenderem a confiar mais no presidente Bush para mantê-los em segurança, segundo as pesquisas.

O general aposentado John Shalikashvili, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e um entre uma dúzia de altos oficiais militares que apóiam Kerry, declarou em comentários pré-redigidos: "Eu estou diante de vocês nesta noite porque acredito que ninguém será mais resoluto em defender a América e caçar os terroristas do que John Kerry".

Em uma referência velada à falta de experiência de combate de Bush, Shalikashvili disse sobre Kerry: "Ele conhece por experiência a responsabilidade do comandante para com seus soldados".

O discurso de Edwards para a convenção, apesar de grandemente concentrado em Kerry, também foi uma tentativa de ele se apresentar ao público americano após uma ascensão política meteórica em seis anos -de advogado de tribunal bem-sucedido a membro do Senado e um dos maiores astros do partido. Ele retornou ao populismo alegre que marcou sua campanha nas primárias, ao mesmo tempo em que acusava os republicanos de "fazerem tudo ao seu alcance para levar a campanha ao cargo mais elevado para o caminho mais baixo possível".

Edwards foi apresentado por sua esposa, Elizabeth, que declarou: "Eu me casei com ele porque ele era a pessoa mais otimista que já conheci".

No terceiro dos quatro dias de convenção, um sorridente Kerry chegou a Boston, poucas horas antes de ser indicado oficialmente pelo seu partido. Em um comício no ancoradouro de Charlestown, Kerry foi apresentado com uma canção de Bruce Springsteen, "No Surrender", e adotou sua letra como lema.

"Não recuaremos, não nos renderemos", ele disse para uma multidão de simpatizantes que aplaudia e gritava. "Nós estamos levando esta luta ao país e reconquistaremos nossa democracia e nosso futuro."

Kerry, encerrando uma viagem de seis dias pelos Estados indefinidos, foi saudado quando pousou em Boston pelo que chamou de seu "bando de irmãos", uma dúzia de antigos companheiros de combate do Vietnã. Ele caminhou pela fila, parando para longos abraços, apertos de mão e palavras privadas com os homens que têm testemunhado sobre seu caráter ao longo de toda a campanha, o que novamente estão fazendo nesta semana.

O candidato democrata pareceu fazer uma pausa para avaliar o momento político extraordinário -estável nas pesquisas contra o atual presidente, prestes a ser indicado por um partido calejado, mas ainda enfrentando o difícil desafio de se apresentar a milhões de americanos.

"Esta tem sido uma jornada fantástica para mim nos últimos dias", disse ele. "Isto tudo tem sido uma jornada fantástica."

Quanto ao discurso da convenção no qual vem trabalhando há semanas, Kerry apenas disse: "Vocês ficarão surpresos".

Os democratas trataram de assuntos políticos sérios e sutis ao longo de todo o dia, deixando de lado sua preocupação normal com a política doméstica.

Um orador após o outro se ergueu para atacar Bush pela forma como lidou com a segurança nacional, incluindo a proteção dos aeroportos, portos e transportes de massa domésticos. O senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York, afirmou: "A escolha é clara. John Kerry manterá a América segura. John Kerry manterá a América forte".

Ao mesmo tempo, os democratas apresentaram Kerry como um homem que não se lançará afoitamente à guerra, como afirmaram que Bush fez, porque Kerry sabe como é uma guerra. Edwards, que se considera um filho orgulhoso da América das cidades pequenas, abordou tal angústia, citando não apenas os mortos mas também aqueles que ficaram inválidos.

"A palavra herói foi feita para eles", disse ele. "E eles merecem um presidente que compreenda de forma muito pessoal o que eles passaram, o que deram e do que abriram mão pelo seu país."

Apesar das regras de mensagem "positiva" continuarem dominando o palco -mais ou menos- a liderança do partido serviu carne vermelha aos delegados enquanto se reuniam por toda Boston, longe das câmeras de televisão. "George Bush é o pior presidente da história moderna e nós não podemos esquecer disto", disse Terry McAuliffe, presidente do Comitê Nacional Democrata em uma aparição diante do grupo dos congressistas afro-americanos na manhã de quarta-feira. "Ele e seu grupo são as pessoas mais vis que já encontrei."

Ele foi seguido pela senadora Hillary Rodham Clinton, de Nova York, que começou com uma piada sobre o nome de Barack Obama, o candidato ao Senado por Illinois que fez um discurso chave bem-recebido na noite de terça-feira. Ela disse que alguém lhe perguntou: "Que tipo de nome é Barack?" Hillary Clinton disse que respondeu: "É 'Bubba' em suaíli", provocando gargalhadas e aplausos dos delegados. (Ela rapidamente acrescentou que o nome dele significa "bênção".)

Ela concluiu com uma forte pedido para registro de eleitores e previu que Kerry vencerá em novembro. "Eu posso sentir no ar", disse ela, acrescentando: "Nós estamos voltando!"

*Jodi Wilgoren contribuiu para este artigo. Candidato a vice enaltece Kerry em discurso otimista na convenção George El Khouri Andolfato

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