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03/08/2004

Campanha presidencial abusa do caráter militar

The New York Times
Maureen Dowd

Colunista do NYTimes

Em Boston
Então é essa a disputa: o Capitão contra o Xerife. (E, é claro, a carta escondida na luta: Bambi versus Godzilla.) Isso é que é afogar-se em metáforas.

Pelo menos Teresa Heinz Kerry teve uma mensagem subliminar simples: ela usou um conjunto vermelho-ketchup para apresentar o segundo senador de sua vida. Seu marido, como sempre, se esmerou.

A convenção democrata, que foi mortalmente enfocada em grupos, exigiu uma dose de dramamine. Foi inundada de alusões sobre o Comandante Kerry conduzindo a nau do Estado -desde o design curvo da estante de metal e madeira, que pretendia evocar a ponte de um navio; à chegada do senador de Massachusetts ao porto de Boston na proa de um ferry-boat, qual Washington cruzando o Delaware; às dramáticas cenas de barcos-patrulha no Vietnã no filme biográfico; à história icônica da salvação de Jim Rassman quando o tenente Kerry o puxou da água para o barco, até a continência desajeitada do nomeado "apresentando-se para servir".

Como a imagem de Bill Clinton apertando a mão de JFK na Boys Nation, há uma foto de John Kerry adolescente fascinado por seu ídolo em um barco da Guarda Costeira em Newport.

O centro de convenções estava enfeitado com mais de 30 imagens ampliadas de John Kerry de uniforme. Isso indica que o tenente da marinha, que pediu transferência para um barco-patrulha porque se inspirou em JFK no PT-109, está mirando o membro da Guarda Nacional do Texas de horário flexível.

"Aprendi muito sobre esses valores naquele barco, patrulhando o delta do Mekong com jovens americanos", Kerry disse aos delegados democratas em seu discurso de aceitação, acrescentando: "Estávamos literalmente todos no mesmo barco. Esse é o tipo de América que eu conduzirei como presidente -uma América onde estamos todos no mesmo barco".

O oficial Kerry é "o próximo capitão de nossa nau de Estado", Max Cleland exortou a multidão.

Bill Clinton subiu a bordo: "Como estamos todos no mesmo barco, devemos escolher um capitão para nosso navio que seja corajoso, um homem bom, que saiba conduzir uma embarcação por águas agitadas até os mares calmos e os céus claros de nossa mais perfeita união".

John Edwards foi um nadador sincronizado no oceano de amor de Kerry: "No calor da batalha, eles o viram decidir em um instante voltar com seu barco, dirigi-lo através de uma posição inimiga e perseguir o inimigo para salvar sua tripulação. Decisivo. Forte. Não são essas as características que vocês querem de um comandante em chefe?"

Até Alexandra Kerry fez eco ao tema do herói aquático, contando como seu pai salvou o hamster da família, Licorice, que estava mergulhando "para uma morte líquida" depois de cair de um cais. Ele "se abaixou sobre o hamster ensopado e começou a fazer massagem cardíaca", ela disse, negando rumores de ressuscitação boca-a-boca.

A campanha de Kerry tentou até atenuar o "enfie" de Teresa Kerry em um tom mais náutico, afirmando que a castelã da mansão de Nantucket quis dizer "afunde".

Kerry teve de seguir a rota do capitão, já que W. tinha reivindicado o Oeste, fazendo do caubói-xerife autoconfiante seu motivo, da ravina empoeirada em sua fazenda de Crawford seu ambiente, e da linguagem "fogo neles" de Louis L'Amour seu lema.

Não parece importar para seus fãs que ele nem sempre termine os tiroteios; eles se sentem tranqüilizados simplesmente pelo jargão valente.

A posse mais valorizada de Bush é a antiga pistola de Saddam. Ele a guarda no escritório ao lado do Salão Oval como um troféu de seu duelo sob o sol do deserto.

Na reunião com a imprensa na Casa Branca na última sexta-feira (30/07), um repórter perguntou a Scott McClellan: "Mas o presidente precisa se apresentar não exatamente como... você sabe... o tipo caubói durão e feliz que atira da cintura, e tentar preencher um pouco mais essa imagem?"

McClellan respondeu que o presidente está liderando de uma maneira... sim, você adivinhou: "forte e decisiva".

Como a convenção de Kerry apresentou um capitão bravo e seguro, um oficial que deixa os outros confortáveis, um milionário chamado de "Lovey" por sua mulher, duas jovens e belas Kerry desgarradas e um astro do cinema (o onipresente e perturbador Ben Affleck), suponho que devamos ficar felizes porque o Campo Kerry não apresentou o nomeado com a canção tema "Gilligan's Island".

Apenas relaxe e você escutará uma história, a história de uma viagem decisiva. Americanos terão de optar pelo capitão, Kerry, ou pelo xerife, Bush Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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