UOL Notícias Internacional
 

04/08/2004

Kerry não sobe após pico de exposição na mídia

The New York Times
Adam Nagourney

Em Washington
John Kerry terminou um mês em que teve alta exposição, no qual anunciou seu vice e aceitou a nomeação de seu partido. Entretanto, de acordo com pesquisas de opinião realizadas após a reunião partidária, houve pouca mudança no cômputo geral da disputa acirrada contra o presidente Bush.

Por outro lado, o candidato democrata, aparentemente, está tendo sucesso em promover sua posição em questões críticas aos eleitores, inclusive o Iraque e a economia, revelaram as pesquisas.

Três pesquisas conduzidas desde a data do discurso de aceitação da nomeação em Boston, na última quinta-feira (29/07), revelaram que a competição entre Bush e Kerry continua acirrada, com pouca diferença em relação a antes de Kerry escolher John Edwards como seu vice-presidente.

A nomeação de Edwards foi o início de três semanas de atenção e de uma cobertura de imprensa geralmente favorável. Nas diferentes pesquisas, os dois candidatos empataram ou Kerry apresentou leve dianteira, resultados que foram refletidos em pesquisas privadas conduzidas por Democratas e Republicanos.

Foi a menor ascensão pós-convenção obtida pela oposição desde que George S. McGovern aceitou formalmente sua candidatura, no meio da madrugada, pelo Partido Democrata em Miami em 1972, disse Frank Newport, editor do Gallup.

Especialistas em pesquisa de opinião disseram que a baixa movimentação depois da extravagância de uma convenção e de uma seleção vice-presidencial mostra como a disputa está acirrada e congelada.

Ela sugere que o eleitorado, em grande parte, já está decidido e resiste ao tipo de mudanças típicas na maior parte das campanhas presidenciais. Alguns pesquisadores de opinião disseram que, neste ambiente eleitoral, ligeiras mudanças no sentimento do eleitor podem se provar significativas no dia da eleição, mas talvez não sejam refletidas nas pesquisas nacionais, e que as opiniões dos eleitores sobre a qualificação de Kerry tinham melhorado notavelmente.

Mark Mellman, que desenvolve pesquisas de opinião para Kerry, citou uma pesquisa da ABC News/Washington Post e uma da CNN/USA Today/Gallup que mostraram que a opinião dos americanos sobre Kerry tinha melhorado notavelmente após a convenção, que procurou reforçar as credenciais do senador em segurança e política externa.

A pesquisa do Gallup concluiu que um mesmo número de americanos -49%- disse acreditar em Bush ou em Kerry para "lidar com as responsabilidades de chefe das forças armadas". Antes da convenção, Bush estava na frente por uma margem de 51% a 43%.

"Todos os números sugerem que essa convenção foi um enorme sucesso", disse Mellman. "A única coisa que você não vê é uma mudança grande na contagem geral, mas não se pode ter uma mudança na contagem dessa forma."

Edwards, fazendo campanha na Flórida na segunda-feira (2/8), refutou em particular uma pesquisa do Gallup/USA Today, que concluiu que Kerry não tinha obtido nenhuma melhora neste último mês.

"Existem inúmeras outras pesquisas, ABC, CBS e outras que nos colocam com uma liderança significativa", disse Edwards. "A verdade é que as pesquisas sobem e descem. Vai ser uma disputa acirrada."

Mesmo assim, os novos dados pareceram menos do que boas notícias para a campanha de Kerry, enquanto Bush se prepara para voltar ao palco com um mês de anúncios de medidas de combate ao terrorismo, uma agenda cheia de eventos de campanha e sua própria convenção em Nova York.

Ou seja, as duas melhores oportunidades de Kerry para se apresentar ao público americano até o dia das eleições -sua escolha de um vice e seu discurso de aceitação- já passaram sem produzir nenhuma mudança dramática no contorno dessa disputa.

Apesar de todas as tentativas dos assessores de Kerry de minimizar as expectativas, os Democratas queriam que ele rompesse esse longo impasse e acalmasse aqueles que se preocupam que os Democratas estão relutantes em adotar Kerry -mesmo os descontentes com Bush.

Enquanto se dirigia à convenção, Terry McAuliffe, diretor do Comitê Nacional Democrata, previu que Kerry teria um ganho de oito pontos depois da convenção. Mcauliffe não respondeu a telefonemas na segunda-feira.

Um alto assessor político de Bush, Matthew Dowd, distribuiu um memorando argumentando que, com base na história, Kerry deveria ter obtido ao menos 15 pontos, apesar de a maior parte dos pesquisadores independentes chamarem essa projeção de pouco realista neste ambiente apertado.

Ainda assim, os resultados das pesquisas podem provocar dúvidas quanto às decisões estratégicas de Kerry no último mês. Ele escolheu um discurso de convenção mais forte em ataques a Bush do que em novas propostas, saudou os delegados com uma continência militar, um gesto que tem sido descrito por muitos Democratas como corajoso ou forçado.

"Veja bem, as pesquisas estão mostrando que ele se saiu muito bem no sentido de diminuir a diferença no setor de segurança, mas é muito difícil mudar os eleitores neste ambiente. Eles estão querendo que ele ofereça algumas idéias do que faria para fazer o país andar na direção certa", disse Mark Penn, Democrata pesquisador de opiniões que trabalhou para a Casa Branca de Clinton.

Penn acrescentou: "Não me parece que Bush ou Kerry estejam agradando eleitores em termos de suas propostas. Acho que os eleitores estão dizendo que querem saber desses candidatos exatamente o que vão fazer."

Os assessores de Bush aceitaram os resultados das pesquisas, argumentando que elas serviam como prova da falha de Kerry como candidato. Eles argumentaram que, postos em perspectiva, os números sugerem que Kerry tem pouca chance de vencer em novembro.

"Este é um problema enorme para eles, porque agora têm uma situação em que quando John Kerry fala ao público americano é, na melhor das hipóteses, neutro, e na pior, negativo", disse Matthew Dowd, assessor de Bush. "E sua estratégia anunciada de manter o tom positivo os está colocando em uma caixa apertada, em uma época em que poderiam querer estar atacando o presidente."

Dowd acrescentou: "John Kerry se saiu melhor nesta campanha quando estava fora da zona do radar".

Alguns analistas e assessores de Kerry sugerem que a situação não era tão clara em um ano tão pouco convencional. Segundo Newport, sua pesquisa mostrou que o interesse do eleitor está tão alto agora quanto é perto do dia da eleição e especulou que isso pode significar que, neste ano, ao menos, a convenção política não foi um momento tão importante quanto era no passado.

"Uma característica fundamental desta campanha até agora é a estabilidade dos números", disse ele. "Pode ser que as convenções não estejam fazendo seu antigo papel de levar as pessoas a se concentrarem."

De fato, as tendências que os pesquisadores procuram neste ponto da campanha sugerem potencial para Kerry e problemas para Bush. Este continua tendo uma grande vantagem sobre Kerry em um único item, de proteger os americanos do terrorismo.

Os americanos querem uma mudança na direção do país. O índice de aprovação do desempenho de Bush está relativamente baixo e a maioria dos entrevistados diz que Kerry sair-se-á melhor na administração da economia, saúde e até em questões de valores.

Doug Sosnik, que foi diretor político de Clinton, descreveu a especulação sobre o resultado das pesquisas após a convenção como irrelevante no caso destas eleições.

"As únicas duas coisas que importam são a percentagem de pessoas que pensam que Bush merece ser reeleito e a percentagem de pessoas que estão preparadas para votar nele. Só isso importa", disse ele. "E este presidente não está nem chegando perto da metade dos votos".

Nesse contexto, Democratas e Republicanos disseram que a convenção de Bush em Nova York pode se provar um momento interessante para o presidente, como a Democrata foi para Kerry.

A pesquisa da CBS News revelou que 49% disseram que votariam em Kerry hoje, e 43% em Bush. Os números foram quase idênticos há duas semanas, quando 49% disseram que iam votar em Kerry e 44% em Bush.

A pesquisa de opinião do Post/ABC concluiu que Kerry tinha uma vantagem de 50% a 44% sobre Bush, entre eleitores registrados, com Ralph Nader atraindo 2 pontos percentuais. Antes da convenção, Bush tinha 48%, comparados com 46 % de Kerry.

A gerente de campanha de Kerry, Mary Besth Cahill, disse que o fato de Kerry estar na frente de Bush em ao menos algumas pesquisas, apesar da margem estreita, era emocionante para ela.

"Estamos na dianteira logo após a convenção. Somente três opositores estiveram nesta posição e todos venceram", disse ela. "A Casa Branca pode dizer o que quiser. Tivemos uma excelente convenção".

Colaborartam Janet Elder e Thomas Crampton colaboraram. Escolha de Edwards e convenção não impulsionaram candidatura Deborah Weinberg

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