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07/08/2004

Estagnação do emprego afeta campanha de Bush

The New York Times
David Leonhardt

Em Nova York
O crescimento do emprego praticamente parou no mês passado, segundo informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (6/8), gerando novas preocupações sobre a força da economia e mudando o debate político em torno de sua performance, faltando menos de três meses para a eleição.

Os empregadores criaram apenas 32 mil novas vagas em julho, uma pequena fração do que era esperado e bem abaixo dos ganhos robustos no emprego dos primeiros meses do ano. O governo também anunciou que o crescimento do emprego em maio e junho ficou abaixo do que o inicialmente divulgado.

"A economia está derrapando novamente", disse Richard Yamarone, economista-chefe da Argus Research, em Nova York. "A América corporativa está relutante em contratar além do mínimo necessário."

A taxa de desemprego caiu ligeiramente no mês passado, para 5,5%, mas é baseada em uma pesquisa menor do que a dos números do crescimento do emprego, que são amplamente considerados um medidor mais confiável do emprego.

Os números decepcionantes provavelmente reacenderão os temores de que o relacionamento entre crescimento econômico e criação de empregos mudou significativamente.

Com a tecnologia permitindo que as empresas produzam mais bens sem aumentar o número de trabalhadores e com alguns empregos sendo transferidos para países de salários mais baixos, atualmente há cerca de um milhão de empregos a menos do que havia no início de 2001, apesar de a economia ter saído da recessão naquele ano e crescido desde então.

Para o presidente Bush, a nova evidência cria uma situação política embaraçosa, dificultando para ele citar os fortes ganhos no emprego como prova de que os cortes de impostos que ele defendeu no início de seu mandato foram o melhor remédio para os problemas da economia.

Os fracos ganhos no emprego nos dois últimos meses agora significam que Bush lutará pela reeleição com uma taxa de emprego abaixo daquela que existia no dia de sua posse. Esta será a primeira vez que isto acontece desde 1932, quando o país estava atolado na Depressão e enfrentando uma perda de empregos pior do que qualquer uma experimentada recentemente.

"É prematuro para George Bush levantar a bandeira de 'Missão Cumprida' em relação à economia", disse o deputado Rahm Emanuel, democrata de Illinois. "Se você faz parte da classe média, a economia ainda não começou a melhorar."

Funcionários da Casa Branca rebateram que a economia continua crescendo e que as políticas que implementaram surtirão melhor efeito para criação de futuros empregos do que as propostas democratas.

"Nós não estamos satisfeitos com o número atual do emprego remunerado", disse N. Gregory Mankiw, líder do Conselho de Conselheiros Econômicos do presidente. Mas ele acrescentou que a queda na taxa de desemprego e a recente queda nos pedidos de seguro desemprego sugerem que o mercado de trabalho está mais saudável do que o relatório desta sexta faz parecer.

"Se você olhar para todos os dados reunidos, a economia em geral parece estar seguindo na direção correta", disse Mankiw. O mercado de ações sofreu queda após a divulgação do relatório, com o índice Standard & Poor's 500 fechando com uma queda de mais de 1%.

O dólar se desvalorizou novamente frente ao euro, e as taxas de juros de longo prazo também caíram. Apesar dos números decepcionantes, a maioria dos economistas continua esperando que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, elevará sua taxa de juros referencial de curto prazo na próxima semana.

As conseqüências na queda nas contratações afetaram muitos trabalhadores contratados nos últimos meses, à medida que os aumentos salariais não têm acompanhado a inflação. Ainda assim, o melhor sinal no relatório desagradável de sexta-feira foi o ganho na renda dos trabalhadores de baixa renda, que correspondem a 80% da força de trabalho. O salário semanal médio deles subiu US$ 3,25, para US$ 529,09, após uma queda no mês passado.

Mas ao longo dos últimos 12 meses, o salário semanal subiu apenas 2,3%, enquanto os preços subiram mais de 3%.

A recente desaceleração da economia parece derivar tanto do desaparecimento gradual do estímulo do governo, como os cortes de impostos e as reduções nas taxas de juros, quanto da alta nos preços da energia.

Os recentes aumentos nas taxas de juros fizeram cair acentuadamente o refinanciamento de hipotecas, enquanto os preços mais altos do petróleo deixaram empresas e lares com menos dinheiro para gastar em outros itens.

"A escalada nos preços da energia está sendo provocada não pela oferta e procura, mas pelo temor e incerteza" em torno dos eventos no Oriente Médio, disse Richard J. DeKaser, economista-chefe do National Coty Corp., um banco com sede em Cleveland. "Minha opinião é que os preços do petróleo cairão, mas eu já disse isso três meses atrás."

O aperto nos orçamentos domésticos parece ter afetado a contratação no mês passado, já que o emprego no varejo caiu pela primeira vez desde dezembro, segundo o Departamento do Trabalho, que corrige suas estatísticas para levar em consideração as mudanças sazonais normais.

Bancos, hotéis, estúdios de cinema e companhias telefônicas também reduziram suas forças de trabalho. O emprego público continua estagnado, como tem estado nos últimos meses.

Pela primeira vez neste ano, mais indústrias cortaram vagas de trabalho no mês passado do que criaram, informou o governo.

Os setores que dependem mais de investimento corporativo do que dos gastos dos consumidores ajudaram a compensar as perdas. O setor manufatureiro criou 10 mil vagas, apenas o quinto mês positivo para o setor desde o verão de 2000. As empresas de construção também abriram vagas.

Em outros sinais positivos, o tempo médio de desemprego caiu, assim como o número de pessoas que dizem que estão procurando por emprego de meio expediente por não encontrarem empregos de período integral.

Como parte de suas revisões regulares, o Departamento do Trabalho disse que a economia criou um total de 286 mil vagas de trabalho em maio e junho, 61 mil a menos do que foi informado anteriormente. Somadas ao fraco crescimento de julho, as revisões significam que a economia contou com 270 mil vagas de trabalho a menos no mês passado do que o esperado.

O Fed se reunirá na próxima terça-feira (10/08). Economistas e investidores previram que ele ainda assim elevará sua taxa de juros referencial em 0,25 ponto percentual, para 1,5%. O Fed reduziu a taxa ao patamar mais baixo em 50 anos para ajudar a impedir a economia de mergulhar em uma nova recessão, e Alan Greenspan, o presidente do Fed, disse que planeja elevar a taxa gradualmente ao longo do próximo ano.

O fraco crescimento do emprego eleva as chances de que os aumentos ocorrerão de forma ainda mais lenta e esporádica do que se imaginava, disseram os analistas.

O contraste entre o fraco crescimento do emprego no mês passado e a queda na taxa de desemprego gera novas dúvidas sobre as pesquisas que produzem cada número. Os números do crescimento de emprego vêm de uma pesquisa envolvendo 400 mil locais de trabalho, que contam com cerca de 45 milhões de trabalhadores. Economistas privados e do governo, incluindo Greenspan, a consideram uma pesquisa mais precisa.

Em um relatório separado nesta sexta-feira, o Departamento de Trabalho descreveu a pesquisa como "um medidor altamente confiável".

Mas ela não é perfeita, acrescentaram os economistas, e a pesquisa de lares -que produz a taxa de desemprego após fazer perguntas em 60 mil lares- sugere que o mercado de trabalho pode estar um pouco mais forte do que a pesquisa de empresas sugere.

O Departamento do Trabalho divulgará mais dois relatórios de emprego antes da eleição de novembro.

Para Bush, elas contêm a promessa potencial de outra aceleração acentuada no crescimento do emprego, como a que ocorreu na primavera e lhe permitiu anunciar o progresso na economia.

Os democratas, por sua vez, disseram que consideram o relatório de sexta-feira como uma forte condenação das políticas de Bush, particularmente devido às percepções sobre o estado da economia só serem realmente sentidas poucos meses depois. Crescimento dos EUA não cria novos empregos, dizem especialistas George El Khouri Andolfato

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