UOL Notícias Internacional
 

10/08/2004

Relatório de 11/9 ameaça futuro democrata

The New York Times
Carl Hulse

Em Washington
Na esperança de impedir novos ataques do terror, o Congresso americano promoveu em 2002 uma complexa reorganização das agências federais, atitude que foi faturada em termos políticos pelos republicanos naquele ano. Agora, com a nação novamente enfrentando as ameaças do terror e com o Congresso querendo redefinir a responsabilidade por parte do governo federal, os Democratas estão se esforçando para assegurar que não irão sofrer novamente as conseqüências políticas das manobras nas duas Casas.

Os parlamentares democratas da Câmara de Representantes voltarão a Washington nesta terça-deira (10/08), ainda em pleno verão, para um encontro partidário. Na pauta estará a análise das recomendações feitas pela Comissão parlamentar que investigou a atuação do governo diante dos atentados de 11 de setembro.

Os parlamentares tentarão se posicionar para encampar as decisões da Comissão, de forma mais agressiva que a firmada pelos deputados republicanos.Os parlamentares democratas também esperam que esse assunto os ajude a reconquistar a maioria na Câmara de Representantes.

Como parte desse esforço, o Comitê Democrata de Campanha para o Congresso semana passada fez um apelo por contribuições e por trabalhos voluntários.

Sob o título de "Em defesa da América, Assumindo a Liderança na Reforma da Inteligência", o texto divulgado inclui uma extensa descrição das medidas tomadas pelos democratas em resposta ao relatório da Comissão do 11 de setembro. Nesse documento, o Comitê Democrata faz em seguida uma declaração acusando os republicanos de dificultarem a execução das recomendações da Comissão.

"Precisamos de uma legislação que busque corrigir nossas falhas que conduziram ao 11 de Setembro", disse o representante Robert T. Matsui, deputado da Califórnia, presidente do Comitê Democrata.

Os republicanos dizem que os democratas não estão lutando para fortalecer a segurança nacional e que se arriscam a serem vistos como oportunistas políticos em relação ao 11 de setembro.

Líderes republicanos dizem que o Congresso muito provavelmente irá produzir nova legislação baseada nas recomendações da Comissão, e que, embora os americanos queiram attitudes fortes, também esperam que os legisladores atuem dentro dos parâmetros da Justiça.

"É importante que sejamos atuantes, mas também é importante que sejamos ponderados e meticulosos nesse assunto", disse Jonathon Grella, porta-voz do deputado texano Tom DeLay, líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes.

Outros parlamentares republicanos advertiram os democratas que pressionam por uma ação imediata. Segundo esses republicanos, o resultado de uma ação mais apressada seria a aprovação, nas medidas de reorganização da Inteligência, de itens que os próprios democratas não querem ver aprovados, como restrições à imigração e acréscimos ao Ato Patriota.

Aí os democratas poderiam ficar constrangidos entre duas opções -a de aceitar artigos que não aprovam ou a de bloquear a aprovação da emenda como um todo.

Isso seria praticamente uma repetição do que aconteceu em 2002, quando os republicanos incluíram, na emenda que criava o Departamento de Segurança Interna, uma proposta para eliminar algumas proteções trabalhistas para empregados do Departamento, o que acabou sendo motivo de disputa com os democratas no Senado.

Quando os democratas resistiram a esse item, a votação da emenda empacou. Foi o que bastou para os republicanos acusarem os democratas, durante a campanha das eleições regionais de 2002, de estarem mais interessados em proteger servidores públicos organizados do que na segurança pública. Esse ataque, que os democratas consideraram infame já que eles haviam sido propositores do novo Departamento, ajudou os republicanos a reconquistar o controle da maioria do Senado.

Na atual temporada, as primeiras rusgas aconteceram não no Senado, mas na Câmara dos Representantes. Na noite em que o relatório da Comissão do 11 de setembro foi divulgado, mês passado, o líder da maioria, o senador do Tennessee Bill Frist e o líder dos democratas, senador Tom Daschle da Dakota do Sul, conseguiram chegar a um acordo em torno de uma agenda, levando a Comissão de Assuntos Governamentais do Senado a realizar as audiências e a fechar o projeto do legislativo até o dia 1 de outubro.

Enquanto isso, na Câmara dos Representantes, os democratas marcaram essa reunião extraordinária quando ficou aparente que a liderança dos republicanos na Casa só iria agir após o recesso do verão americano, de quase seis semanas.

Os republicanos da Câmara então resolveram responder a essas acusações, começando uma série de audiências. Mesmo assim os democratas decidiram seguir adiante com a reunião extraordinária, esperando contar com no mínimo uma centena de parlamentares nessa volta antecipada a Washington.

"A idéia aqui não é ser político, mas sim a de propagar o sentido de urgência do assunto", segundo Brendan Daly, porta-voz da líder da minoria democrata na Câmara, deputada Nancy Pelosi, da Califórnia.

Republicanos e outros setores acreditam que o público americano não quer necessariamente que o Congresso simplesmente endosse as recomendações da Comissão, mas que as considere com cuidado e que efetive as medidas que os legisladores considerarem as melhores.

Stuart Rothenberg, analista das eleições no Congresso sem ligações com os partidos, acredita que os legisladores não teriam que referendar cada recomendação, desde que o público americano acreditasse que o presidente Bush e o Congresso aceitaram as idéias da Comissão do 11 de setembro, tomando providencias a respeito delas.

"Está tudo no pacote", segundo Rothenberg.

Mas os democratas dizem que têm aliados poderosos para forçar os republicanos a aceitar o relatório da Comissão de maneira mais abrangente -são os próprios membros da Comissão bipartidária e os familiares das vítimas do 11 de setembro.

Membros da Comissão disseram ao Congresso semana passada que suas conclusões e recomendações deveriam ser decretadas como um todo, enquanto os familiares das vítimas declaravam que os legisladores se arriscariam se resolvessem se afastar muito das sugestões do relatório.

"Muitas das famílias das vítimas apoiaram as recomendações da Comissão em sua totalidade". Foi o que declarou Robin K. Wiener, membro da Comissão de Orientação dos Familiares, na Câmara, semana passada. "Esperamos que vocês reconheçam que todas as recomendações são importantes". Votação sobre segurança causou derrota do partido em 2002 Marcelo Godoy

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