UOL Notícias Internacional
 

11/08/2004

Nomeação de Goss afeta a credibilidade da CIA

The New York Times
Elisabeth Bumiller

Em Washington
Ao nomear o deputado Porter J. Goss, da Flórida, como seu novo diretor da Inteligência Central, o presidente Bush está esperando abrir um novo capítulo na CIA, depois de uma série de fracassos épicos de inteligência. Entretanto, ele pode estar comprando tantos problemas quanto está tentando resolver.

Em certo nível, a nomeação é um esforço de Bush para melhorar o desempenho da CIA e curar as divisões entre a Casa Branca e a inteligência. Neste momento, Washington precisa desesperadamente de informações precisas sobre as ameaças de terror e proliferação nuclear. Goss, que foi agente clandestino da CIA, sabe muito sobre espionagem, mas nunca administrou uma organização tão grande e complexa quanto a CIA.

Em outro nível, a seleção de Goss é um ato político, nos meses finais da campanha presidencial. Ao preencher uma vaga em sua equipe de segurança nacional, Bush está procurando evitar críticas de que não cuida dessa frente. Mas ele poderá criar uma briga entre os senadores para a confirmação de seu candidato. Os Democratas podem voltar a levantar questões sobre o desempenho da CIA durante seu mandato.

Democratas e Republicanos se perguntaram, nesta terça-feira (10/08), se Bush não estaria incitando propositalmente uma batalha altamente partidária, apenas três meses antes das eleições. Isso permitiria que argumentasse que os Democratas estão impedindo uma nomeação crítica para a segurança nacional.

Os Republicanos disseram que, ao nomear Goss, o presidente mostrou que está mais interessado na estabilidade da CIA do que em qualquer comoção política gerada pelas sabatinas. As audiências de confirmação tocarão no assunto dos fracassos da CIA na avaliação das armas não convencionais no Iraque e por permitir os ataques de 11 de setembro de 2001.

Mesmo assim, esse perigo político é menor do que ter apenas um diretor durante um ataque terrorista antes das eleições de 2 de novembro, disseram os Republicanos.

A nomeação coloca uma pessoa no topo da CIA que não está identificada com os fracassos da agência, diferentemente de John McLaughlin, vice-diretor desde 2000. "O ponto é que ele já faz parte dessa história", disse Bobby Inman, um vice-diretor da CIA sob o presidente Ronald Reagan. "Eles não podem evitar a distração provocada pela defesa das ações passadas. Agora, eles precisam de alguém que diga: 'Esqueçam o passado, agora preciso que façam isso.'"

Segundo Inman, Goss "esteve lá. Ele viu os orçamentos, viu a organização, sabe muito sobre o que está funcionando bem e o que não está funcionando."

Democratas e Republicanos concordaram que Goss, diretor do Comitê de Inteligência da Câmara que está se aposentando, conhece a CIA e muitos dos principais gerentes da agência. O problema com o Republicano da Flórida é que sua escolha parece partidária demais para uma posição tradicionalmente apolítica. Isso pode ser mal visto em uma época em que a agência está sob intenso ataque por politizar a inteligência, particularmente a ameaça de armas não convencionais no Iraque.

"O diretor de inteligência tem que ficar fora da política. A CIA já perdeu muito de sua credibilidade diante do público americano com as armas de destruição em massa, e isso não vai ajudar sua credibilidade. As pessoas vão dizer: 'Será que está falando a verdade, que está realmente dizendo ao presidente a verdade?'" disse Stansfield Turner, diretor da CIA durante a presidência de Jimmy Carter.

Um esforço Democrata para impedir a nomeação poderia iniciar uma volta às eleições de 2002, quando os Democratas objetaram à eliminação de algumas proteções de trabalhadores incluídas na legislação que criou o Departamento de Segurança Interna.

Nos discursos pelo país, Bush acusou os Democratas de estarem mais interessados nos sindicatos do que no povo americano, apesar de os Democratas terem sido os primeiros a lutar pelo Departamento de Segurança Interna.

Não ficou claro nesta terça-feira se os Democratas cairão na mesma armadilha, ou se vão se opor à nomeação de Goss. Entretanto, o senador Carl Levin, Democrata de Michigan que participa do Comitê de Inteligência, disse ter sérias dúvidas sobre a imparcialidade de Goss.

"É uma questão muito preocupante e os riscos são gigantescos", disse Levin. "A Coréia tem armas nucleares? O Irã tem armas nucleares? Estão perto de ter? Temos que ter certeza de que estamos recebendo uma análise objetiva e que não seja formulada em apoio à política do governo."

Republicanos argumentaram que houve uma necessidade urgente de preencher o cargo. "Era a abordagem correta por parte do presidente. Dada a natureza da ameaça e o ambiente em que vivemos, não podemos ter nenhum vácuo de liderança na agência", disse o senadora Olympia J. Snowe, Republicana do Maine que participa do comitê de inteligência.

O senador Pat Roberts, Republicano do Kansas e membro do Comitê de Inteligência, acha que o Senado será rápido em suas audiências de confirmação. "Não acho que podemos demorar", disse a Wolf Blitzer, da CNN. "Temos uma quantia sabida. Ele tem experiência. Ele tem conhecimentos. Conheço-o há 16 anos. Acho que é uma boa escolha."

Alguns Democratas disseram que não entrariam na polêmica das audiências que pudesse prejudicá-los politicamente. O senador Charles Schumer, Democrata de Nova York, disse que ia apoiar Goss, desde que o presidente concordasse em adotar todas as recomendações da comissão que investigou os ataques de 11 de setembro.

Até agora, Bush deu apoio apenas a duas das principais recomendações da comissão --a criação de um novo cargo de diretor de inteligência nacional, que supervisionará o chefe da CIA, e o estabelecimento de um centro de combate ao terrorismo, para coordenar a análise de inteligência.

Ao nomear Goss, Bush não deixou claro a quem responderá, nem quanta autoridade terá. Se o novo cargo de inteligência for criado, a posição de diretor da CIA será menos importante, sem poder sobre a operação de outras agências de espionagem do governo. Bush põe político republicano em um cargo de natureza apartidária Deborah Weinberg

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