UOL Notícias Internacional
 

12/08/2004

Bush abafa as explicações de Kerry sobre Iraque

The New York Times
David E. Sanger
Em Washington
Nos últimos cinco dias, enquanto as discussões à distância entre o presidente Bush e o senador John Kerry têm-se concentrado na validade de invadir o Iraque, Kerry tem lutado para convencer o público de que seu voto para autorizar o uso de força militar pelo presidente não foi o mesmo que votar por uma declaração de guerra.

Até o momento, reconhecem seus assessores e conselheiros, ele tem fracassado em transmitir sua mensagem, com Bush e o vice-presidente Dick Cheney zombando de seus esforços como "um novo nuance" que representa mais um exemplo do discurso vago do senador.

Os problemas de Kerry começaram na semana passada, quando Bush o desafiou a dar uma resposta sim ou não para um tema chave de campanha: se Kerry soubesse há mais de um ano o que ele sabe hoje sobre o fracasso em encontrar armas de destruição em massa no Iraque, ainda assim ele teria votado a favor do uso de força militar para derrubar Saddam Hussein?

Como Bush sabia, era uma pergunta que podia abalar o difícil equilíbrio necessário para Kerry. Ele precisa retratar a si mesmo como durão e competente o suficiente para ser comandante-em-chefe, mas ao mesmo tempo ter apelo junto à uma ala de democratas que odeia a guerra e o incita a chamar Bush de mentiroso.

É um problema que tem perseguido Kerry desde que cruzou as neves de Iowa e New Hampshire, sofrendo ataques do ex-governador de Vermont, Howard Dean, que transformou em tema o voto de Kerry autorizando a ação. Agora Bush retomou onde Dean parou.

"Kerry sempre teve esta vulnerabilidade de parecer indeciso no tema e Bush está usando isto muito astutamente", disse Walter Russell Mead, um estudioso do Conselho de Relações Exteriores. Ele acrescentou: "Manter-se em silêncio sobre a questão o faz parecer evasivo, e dizer algo, alguma coisa, o coloca em dificuldades junto a um lado ou outro de seu partido".

Os amigos de Kerry reconhecem que os primeiros rounds foram do presidente --"é extremamente frustrante", disse nesta quarta-feira o senador Joseph R. Biden Jr., de Delaware-- mas Bush também tem seus problemas, já que o argumento reacende a questão sobre se ele se lançou afoitamente à guerra, sem um plano sobre o que fazer em seguida.

É uma questão na qual Bush ainda pode soar defensivo. Nesta quarta-feira em Albuquerque, Novo México, ele respondeu à uma sugestão de Kerry de que os Estados Unidos poderiam começar a retirar tropas do Iraque no próximo ano, dizendo: "Eu sei o que estou fazendo quando se trata de vencer esta guerra, e não passarei sinais dúbios" discutindo retiradas.

Bush também reafirmou sua posição sobre a guerra quando desafiou Kerry. "Nós fizemos a coisa certa", disse o presidente na última sexta-feira, "e o mundo está melhor por causa disso".

No fim de semana, a campanha de Kerry debateu como o candidato deveria responder. "Há muitas idéias", disse um membro, "do silêncio, até devolver a pergunta na cara do presidente".

Mas no final, a decisão foi de Kerry. Ele optou por morder a isca na segunda-feira, à beira do Grand Canyon. Ao ser perguntado por um repórter, ele disse que teria votado a favor da resolução --mesmo na ausência de evidência de armas de destruição em massa-- antes de acrescentar sua explicação habitual de que subseqüentemente teria lidado como tudo o que levou à guerra de forma diferente.

Bush, sentindo que fisgou Kerry, espetou a faca na terça-feira, dizendo em um comício em Panama City, Flórida, que "ele agora concorda que foi a decisão certa ir ao Iraque". O campo de Kerry disse que tal interpretação das palavras do senador distorce completamente a diferença entre votar pela autorização da guerra e a decisão de conduzir as tropas ao campo de batalha.

A resposta de Kerry está sendo criticada entre aqueles que o apóiam, alguns dos quais argumentando que ele deveria ter ficado mais atento à armadilha.

"Eu gostaria que ele tivesse dito simplesmente que nenhum presidente em seu juízo perfeito pediria ao Senado para ir à guerra contra um país que não tinha armas que representavam uma ameaça iminente", disse um dos colegas de Kerry no Congresso e conselheiro ocasional.

Biden argumentou que estão pedindo a Kerry que "explique o fracasso de Bush por meio de seu próprio voto. Eu vi uma manchete que dizia: 'Kerry Teria Ido à Guerra'. Isto é mentira. Ele não teria. Não como Bush fez. Mas aquela não era a escolha na época --a escolha era encontrar um meio de pressionar Saddam".

Tais distinções não soam exatamente como temas de campanha. Nesta quarta-feira, Cheney não mediu esforços para piorar os apuros de Kerry. Ele emitiu uma declaração notando que Kerry "votou a favor da guerra", mas se voltou contra ela "quando foi politicamente conveniente", e agora tem seus assessores "dizendo que seu voto autorizando o uso da força não foi realmente um voto para ir à guerra".

"Nós precisamos de um comandante-em-chefe que seja firme e constante", disse ele.

Rand Beers, que foi membro do Conselho de Segurança Nacional nos governos Clinton e Bush antes de sair para ajudar Kerry a formular suas posições em política externa, disse em uma entrevista na quarta-feira: "Nós temos dito que existem quatro elementos" na abordagem de Bush à guerra que são claramente diferentes de como Kerry teria lidado com um confronto com Saddam.

"Ir afoitamente à guerra é o primeiro; fazê-lo sem aliados suficientes é o segundo; fazê-lo sem equipar nossas tropas adequadamente é o terceiro; e fazê-lo sem um plano adequado para obter a paz é o quarto", disse Beers. "Se você quiser adicionar um quinto, seria ir à guerra sem examinar a qualidade de sua inteligência." Presidente republicano consegue fazer democrata "morder a isca" George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h29

    1,02
    3,158
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h30

    -0,09
    64.330,23
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host