UOL Notícias Internacional
 

12/08/2004

Giuliani vira peça central na campanha de Bush

The New York Times
Jennifer Steinhauer

Em Nova York
Semanas antes da Convenção Nacional Republicana chegar à sua cidade, Rudolph W. Giuliani está surgindo como peça central do esforço de re-eleição de Bush. Além de atacar o senador John Kerry, ele corre pelo país fazendo campanha e explorando diretamente os eventos de 11 de setembro, de formas que o presidente Bush e muitos de seus aliados mais próximos não ousaram.

Em Boston, durante a Convenção Nacional Democrata, o ex-prefeito de Nova York pronunciou uma frase que foi muito citada: "Não preciso que Michael Moore me fale sobre 11 de setembro". Quando Kerry atacou a resposta inicial do presidente aos ataques terroristas, Giuliani foi o escolhido para responder pela campanha de Bush.

Agora, enquanto os Republicanos se preparam para sua reunião em Nova York, Giuliani surge como potente símbolo político, que evoca a resposta inicial do país aos ataques. O ex-prefeito disse em entrevista, na quarta-feira (11/08), que seu discurso na convenção será quase exclusivamente sobre aquele dia fatídico.

O ataque terrorista "é o evento mais significativo dos últimos quatro anos. Talvez seja um dos mais importantes de nossa história", disse Giuliani, em entrevista telefônica. "Então, tem que ser um ponto de discussão nessas eleições. Deixar de citá-lo seria como conduzir uma eleição para Abraham Lincoln e não discutir a Guerra Civil."

A aliança de Giuliani com o comitê de campanha de Bush e o Partido Republicano é, de muitas formas, extraordinária, dado o relacionamento ambivalente do ex-prefeito com ambos. Apesar de a equipe de Bush ganhar muito com a participação de Giuliani, seu entusiasmo na campanha talvez mostre suas próprias aspirações políticas.

Vários consultores políticos e colegas de Giuliani observam que está tentando aparecer mais e melhorar sua imagem dentro do partido, para fundamentar o caminho de uma futura campanha política, talvez até para a presidência.

"Nem sempre fica evidente quando uma pessoa vai fazer uma retirada do banco de favores políticos, mas é sempre óbvio quando está fazendo um depósito", disse Kieran Mahoney, consultor político Republicano.

De fato, o histórico de Giuliani no Partido Republicano talvez tenha deixado muitas cercas quebradas. Em 2000, Giuliani apoiou o senador John McCain na primária presidencial Republicana, enfurecendo a equipe de Bush e fazendo-o romper com a maior parte dos Republicanos do Estado.

Em 1994, ele espantou seus colegas Republicanos ao endossar Mario M. Cuomo, Democrata, em sua tentativa mal sucedida de se reeleger governador.

Mesmo nesta quarta-feira (11/08), ao defender Bush vigorosamente, Giuliani parecia vagar para longe dos pontos de discussão do partido, declarando que Kerry era qualificado para ser presidente, apesar de não ter seu voto.

"Alguém que foi eleito ao Senado dos EUA três vezes, que foi procurador geral e participou de uma guerra, certamente está qualificado para ser presidente", disse Giuliani. "Seria um erro terrível do lado Republicano argumentar que não está."

Sua reconciliação com os Republicanos ocorre depois de anos nos quais o partido nacional o rechaçou, particularmente quando fez coisas como apoiar o projeto-de-lei de crimes de Bill Clinton, em 1994, e dividir casa com um homossexual, depois de seu divórcio muito alardeado.

Acrescente a isso os aparatos normais de um Republicano nova-iorquino --ser a favor do direito ao aborto, simpático aos homossexuais e que apóia regulamentação de armas-- e não surpreende que Giuliani não tenha sido sempre uma estrela Republicana.

Mas isso foi antes de 2001. O papel de Giuliani orientando a cidade depois dos ataques de 11 de setembro recebeu a simpatia de milhares de americanos. Para muitos, ele personificou a luta do país contra o terrorismo, antes de questões como a guerra no Iraque levarem muitos a questionarem a política externa do governo Bush.

"Não há dúvidas de que Giuliani é altamente estimado por seu papel pós 11 de setembro", disse Howard Phillips, diretor do Conservative Caucus. "Sua liderança parece ser mais natural do que a de Bush. Giuliani não é tão responsabilizado pelo que houve de errado com a guerra", porque não estava em evidência.

Terry Holt, gerente de campanha de Bush, admitiu que Giuliani pode ter-se distanciado da base do partido quando se opôs à emenda constitucional que queria proibir o casamento gay, quando apoiou os direitos de aborto e dividiu casa com um amigo gay. Mas, ele disse: "Na grande questão que esse país enfrenta, o prefeito Giuliani e o presidente Bush andam juntos."

Muitos Republicanos estão esperando que, ao defender Bush com veemência, Giuliani possa conquistar eleitores indecisos. Talvez eles não gostem de algumas das políticas de Bush, mas gostem dos líderes que orientaram a nação durante o ataque de 11 de setembro e depois.

"Rudy Giuliani dá à campanha de Bush o selo de aprovação de Bom Gerenciamento para os eleitores indecisos. Uma fatia desses eleitores pode fazer a diferença. Vamos ser francos: é política inteligente de Giuliani, tendo em vista um cargo estatal ou nacional", disse Sctott W. Reed, estrategista Republicano que administrou a campanha presidencial de Bob Dole em 1996.

Giuliani pode estar procurando seu próprio selo de aprovação de Republicanos fora de Nova York. Apesar de ter participado de eventos para levantar fundos enquanto era prefeito, ele aumentou muito esse tipo de atividade desde que saiu do cargo.

O ex-prefeito discursou em eventos de levantamentos de fundos para candidatos de Chicago a Denver e Carolina do Sul. Ele diz ter ido a 25 Estados para ajudar candidatos Republicanos em 2002.

Quando lhe perguntaram se iria concorrer à presidência em 2008, ele riu com vontade. Ele não negou, porém, e disse: "2008 está longe demais para alguém ser candidato potencial. Isso interfere com os esforços de reeleição do presidente Bush. Não estou falando sobre isso e não estou pensando nisso."

O ex-prefeito acha que Bush está mais preparado para proteger o país de mais ataques terroristas.

"Uma das razões pelas quais o mundo hoje está mais seguro é que estamos procurando nossos inimigos e os desmobilizando", disse ele. "Eu estava aqui, no Congresso, na noite em que Bush anunciou a doutrina Bush. E lembro-me de ter saído sentindo-me melhor, que o presidente dos EUA tinha revertido 20 ou 30 anos jogando na defesa" contra potenciais inimigos, disse ele.

Foi em Boston, durante a convenção Democrata do mês passado, que o novo papel de Giuliani surgiu com toda força. Sua conferência com a imprensa, durante a qual denunciou o diretor Michael Moore, atraiu centenas de espectadores e recebeu atenção internacional.

Foi então que chamou Kerry de "o membro mais liberal do Senado" e, como disse o jornal "Telegraph", do Reino Unido, salientou: "A palavra 'liberal' é usada como xingamento nos EUA".

Mais tarde, quando Kerry atacou o comportamento de Bush nos minutos após os ataques de 11 de setembro, foi Giuliani que contra-atacou. "John Kerry é um candidato indeciso, com uma posição inconsistente na guerra ao terror."

Giuliani disse nesta quarta-feira que ia continuar trabalhando: "Venho visitando uma série de Estados disputados. Vou dedicar uma boa quantidade de tempo na reeleição do presidente."

O papel mais visível de Giuliani será na convenção, onde fará um discurso no horário nobre. "Já escrevi o discurso", disse Giuliani nesta quarta-feira.

"Vou mudar cinco vezes antes de chegar a hora. É em grande parte sobre o tema do terrorismo, e como a liderança americana nos amparou durante o pior ataque no país e nos vez mais fortes". Se ninguém acreditar nele, acrescentou: "Está escrito. Eu mesmo o fiz." Ex-prefeito de Nova York capitaliza a comoção do 11 de setembro Deborah Weinberg

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