UOL Notícias Internacional
 

13/08/2004

Kerry fala de economia; Cheney insiste no Iraque

The New York Times
Jodi Wilgoren

Em Carson, Califórnia
Em um dia de ataques duplos acentuando as duas frentes na campanha presidencial, o senador John Kerry comparou a condução da economia pelo presidente Bush à de Herbert Hoover, presidente republicano em cujo governo houve a quebra da bolsa de valores de Nova York (1929), que desencadeou a maior crise econômica da história dos EUA.

Já o o vice-presidente Dick Cheney gozou da promessa de Kerry de travar uma guerra "mais sensível" contra o terror. "Aqueles que nos ameaçam e matam inocentes ao redor do mundo não precisam ser tratados com mais sensibilidade", disse Cheney. "Eles precisam ser destruídos."

Enquanto isso, Kerry, aproveitando os números anêmicos de crescimento do emprego da semana passada, abriu uma ofensiva de duas semanas dedicada exclusivamente à economia, que seus assessores consideram o principal tema eleitoral, com um discurso que não ofereceu nenhuma nova política, mas que colocou suas propostas em uma nova embalagem.

"É hora do código tributário da América refletir o código moral da América", disse ele, descrevendo a eleição como uma escolha entre redução de impostos para pessoas que ganham mais de US$ 200 mil por ano, o que ele reverterá, e créditos de impostos e mudanças no código tributário que ele prometeu que beneficiarão pequenas empresas e famílias de classe média.

"Nós temos que recompensar o trabalho, assegurar que os americanos tenham chance de trabalhar, e dar a eles uma chance de progredirem quando trabalharem", disse ele.

A mensagem planejada de Kerry foi em grande parte ofuscada pelo forte ataque de Cheney perante uma multidão partidária em Dayton, no Estado de Ohio, onde ele disse: "A América tem estado em guerras demais contra sua vontade, mas nenhuma delas foi vencida sendo sensível".

"O presidente Lincoln e o general Grant não travaram uma guerra sensível, nem o presidente Roosevelt, nem os generais Eisenhower e MacArthur", disse ele, obtendo aplauso acompanhado de risadas. "Uma 'guerra sensível' não destruirá os homens malignos que mataram 3 mil americanos e que estavam à procura de armas químicas, nucleares e biológicas para matar outras centenas de milhares."

Apesar de Kerry ter ignorado as críticas de Cheney, sua campanha disparou uma barragem de declarações condenando os comentários como falsos, dizendo que Cheney tirou de contexto o comentário de Kerry sobre sensibilidade para com os aliados.

Os assessores de Kerry também apontaram que Bush utilizou palavras semelhantes para discutir a guerra em março, quando ele disse: "Nós temos que ser sensíveis na forma de expressar nosso poder e influência".

"Hoje, Dick Cheney fez uso do caminho mais baixo na política", disse o general Wesley K. Clark, um rival de Kerry nas primárias e que freqüentemente fala em nome dele em questões militares. "Foi um golpe baixo, indigno do cargo de vice-presidente."

Enquanto isso, Bush atacou Kerry pelo segundo dia por sugerir que os Estados Unidos poderiam tentar reduzir o número de soldados no Iraque no próximo ano, e defendeu seus cortes de impostos como tendo estimulado os gastos dos consumidores.

Alertando que qualquer reversão deixaria a classe trabalhadora na mão, porque os contadores ajudariam os ricos a encontrar brechas, Bush disse em Las Vegas: "Tenham cuidado com toda esta conversa de taxar os ricos".

O dia exibiu como a campanha se transformou em um cabo-de-guerra entre a segurança nacional e a economia. Por meses, cada lado tem se agarrado ao que considera sua principal força --os republicanos destacando a liderança de Bush em tempos de guerra, os democratas enfatizando os problemas domésticos-- mas os candidatos são constantemente tirados de tal mensagem pelos desdobramentos nas notícias.

À medida que os números do crescimento do emprego no final da primavera e início do verão insinuavam uma recuperação da economia, Kerry se concentrou no Iraque e no terrorismo, enquanto Bush falava da virada econômica. Ainda lutando para diferenciar sua posição em relação ao Iraque da posição do presidente e sob ataque por sugerir uma redução de tropas lá, Kerry está agora acentuando as más notícias econômicas.

John Pitney, um professor de governo da Claremont-McKenna College, no Sul da Califórnia, notou que a disputa deste ano está mais concentrada em política externa do qualquer outra em uma geração.

"Cada lado está sondando as vulnerabilidades do outro lado", disse ele. "O mais recente relatório de empregos indica que a economia é uma vulnerabilidade para os republicanos, mas os vai-e-vens de Kerry no Iraque dão uma abertura aos republicanos."

De fato, as pesquisas mostram que Bush recebe melhores notas no Iraque e no terrorismo do que na economia; a questão crucial é qual dos temas será o mais importante na mente dos eleitores quando chegar novembro.

Várias vezes em sua viagem de duas semanas de costa a costa, Kerry teve que se desviar de sua mensagem principal, primeiro respondendo à elevação do alerta de terror, então respondendo desajeitadamente "sim" ao desafio de Bush sobre se teria votado pela autorização do uso da força no Iraque mesmo sabendo tudo o que sabe agora.

Nesta quinta-feira, em um discurso rotulado como apenas sobre economia, Kerry mencionou a restauração do respeitabilidade dos Estados Unidos no mundo.

Bush também tratou de todos os temas em seu discurso em um centro de treinamento administrado pela Irmandade Unida de Marceneiros e Carpinteiros da América, um dos poucos sindicatos com os quais mantém um relacionamento estreito.

Ele encerrou sua apresentação com uma longa lista de lições aprendidas com os ataques terroristas de 11 de setembro e uma defesa detalhada da guerra no Iraque, dizendo: "Porque a América liderou, o mundo está mais seguro".

Em uma questão de importância política em Nevada, Bush defendeu sua decisão de designar o Monte Yucca como depósito de lixo nuclear, dizendo que a escolha foi baseada em ciência, não em política.

Mas, principalmente, Bush promoveu suas iniciativas para reciclagem de trabalhadores para empregos mais bem remunerados, dizendo que 1 milhão de novos trabalhadores de construção serão necessários ao longo da próxima década.

Ele descreveu como dinheiro bem gasto os US$ 500 milhões que o governo destinou para educação e treinamento. Funcionários da Casa Branca disseram que o Departamento do Trabalho forneceu US$ 92 milhões para parcerias entre o governo e as empresas para treinamento de pessoas para setores em expansão.

Quanto aos cortes de impostos, ele disse para o público: "Se um trabalhador de construção tiver mais dinheiro em seu bolso, ele provocará a demanda de um bem ou serviço adicional".

Kerry, por sua vez, argumentou que qualquer devolução de imposto que os trabalhadores receberam foi devorada pelo aumento dos custos da saúde e do ensino, assim como pelos aumentos de impostos locais e estudais. Ele aproveitou a declaração de Bush, feita na terça-feira, de que um imposto nacional sobre as vendas era algo que devia ser explorado, dizendo que apenas pioraria as coisas.

"Eu o considero um dos maiores aumentos de impostos sobre a classe média na história americana", disse Kerry. "Nós sabemos exatamente quem ele prejudicará. Ele prejudicará as pequenas empresas, ele prejudicará os empregos."

Em seu discurso e uma coletiva de imprensa com repórteres, Kerry e seus conselheiros apresentaram o que descreveram como US$ 420 bilhões em cortes de impostos --reafirmando planos anunciados ao longo dos últimos seis meses para reformar o código tributário corporativo, e dar redução de impostos para educação, creches, criação de empregos, pequenas empresas, energia e tecnologia de banda larga.

Ele prometeu que eles não aumentariam o déficit, dizendo que seriam pagos pela reversão dos cortes de impostos para os americanos ricos, enxugamento do governo federal, fechamento de brechas tributárias, ampliação de taxas ambientais e pelo leilão de banda de televisão de propriedade do governo.

"Eles estão satisfeitos com as mesmas velhas políticas fracassadas do passado", disse Kerry sobre seu oponente. "Este é o motivo, como Herbert Hoover, de dizerem que a prosperidade está virando a esquina. E é por isso que estamos esperando para ouvir um plano para os próximos quatro anos."

Steve Schmidt, um porta-voz da campanha de Bush, disse: "Os números de John Kerry não acrescentam nada".

"Ele já gastou sua elevação de impostos mais vezes do que qualquer um é capaz de acompanhar", disse Schmidt em uma declaração. Vice-presidente zomba dizendo que democrata quer guerra sensível George El Khouri Andolfato

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