UOL Notícias Internacional
 

14/08/2004

Campanha de Bush continua seguindo a de Kerry

The New York Times
Jodi Wilgoren e

Carl Hulse*

Em Portland
O presidente Bush e o senador John Kerry fizeram campanha em Portland, tradicional reduto democrata, na sexta-feira (13/08), separados por apenas poucos quilômetros, em um Estado que foi decidido por uma das menores margens há quatro anos. Eles discutiram impostos à luz de um novo relatório que Kerry diz confirmar seu argumento de que o corte de Bush beneficiou mais os ricos.

Enquanto Bush exercia o poder da presidência prometendo pedir ao Congresso US$ 15 milhões para o início ao há muito esperado aprofundamento da calha dos 167 quilômetros do Rio Colúmbia, Kerry culminou sua viagem de 15 dias, 8 mil quilômetros atravessando o país nas margens do Willamette, com uma multidão que os bombeiros estimaram em 40 mil.

As emissoras de TV locais dividiram suas telas enquanto os dois homens, cientes da grande quantidade de eleitores sem partido definido daqui, realizavam paradas em território hostil.

"Ao longo dos últimos quatro anos, o fardo dos impostos foi transferido dos ricos para a classe média" disse Kerry sobre o relatório divulgado na sexta-feira pelo Escritório de Orçamento do Congresso, tendo cuidado de chamá-lo de independente e não pertencente a democratas ou republicanos. "Isto é errado, moralmente errado, errado do ponto de vista político na América, e temos que mudá-lo."

Ele usou termos mais fortes em uma declaração por escrito, dizendo: "Esta é a gota que faltava para quebrar as famílias de classe média", e que Bush estava "deliberadamente manipulando as cartas contra elas".

Bush não comentou diretamente o relatório, que revelou que um terço dos cortes de impostos ao longo dos últimos três anos beneficiou o 1% de famílias de maior renda, cujos lares receberam em média uma redução de impostos de US$ 78.460, em comparação com US$ 1.090 para os 20% que ocupam a faixa média. Mas ele insistiu que a proposta de Kerry de reverter os cortes de impostos destinados aos ricos prejudicará o trabalhador comum e estagnará a economia.

"Nós não vamos permitir que ele destrua a economia aumentando impostos", disse Bush para um ginásio de colégio lotado na suburbana Beaverton, em Oregon.

Seus assessores acusaram o relatório do escritório de orçamento de tendencioso, porque foi requisitado pelos democratas. Scott McCellan, o secretário de imprensa da Casa Branca, disse que "as maiores reduções percentuais vão para as faixas de renda média e baixa", enquanto Steve Schmidt, o porta-voz de campanha, disse que "teria prazer em discutir impostos" com Kerry.

"O presidente reduziu impostos para todos os americanos", disse Schmidt. "John Kerry votou 98 vezes por aumento de impostos e votou contra cortes de impostos em 126 ocasiões."

Kerry e seu companheiro de chapa, o senador John Edwards da Carolina do Norte, pela primeira vez responderam diretamente às palavras duras do vice-presidente Dick Cheney do dia anterior, sobre a promessa de Kerry de travar uma guerra "mais sensível" contra o terror.

Após uma pessoa que fazia perguntas em Springfield, Oregon, ter dito que estava evitando usar a palavra "sensível, porque Bush distorceu aquela palavra", Kerry disse: "Eu não acho muito sensível ter um vice-presidente que realiza reuniões secretas com poluidores" e "eu não acho que é muito sensível, exceto para os ricos, transferir o fardo dos impostos para os americanos comuns".

Ao mesmo tempo, Edwards disse a simpatizantes em Flint, Michigan, que Cheney "extraiu uma palavra de uma longa discussão" e "a distorceu e tentou usá-la para argumentar que o senador Kerry não manterá o povo americano em segurança", em um esforço para afastar a atenção da economia.

"Ele está falando de um homem que ainda carrega estilhaços em seu corpo até hoje", disse Edwards, se referindo aos ferimentos de guerra de Kerry. "Ele está falando de um homem que derramou seu sangue pelos Estados Unidos da América."

O cruzamento das campanhas, que levou o Força Aérea Um ao mesmo aeroporto onde estava estacionado o Boeing 757 vermelho, branco e azul de Kerry, foi a segunda vez em 10 dias em que os dois adversários disputaram a atenção da mesma cidade, e encerrou uma semana de intensa atividade política, na qual visitaram os importantes Estados do Arizona, Novo México e Nevada.

Ambos negaram estar imitando o outro, mas as agendas semelhantes confirmaram que está eleição apertada está sendo travada em um número limitado de Estados.

Em um evento para levantamento de fundos com o governador Arnold Schwarzenegger na noite de quinta-feira, Bush disse que pretende acrescentar a Califórnia aos Estados indefinidos, apesar de as pesquisas mostrarem a vantagem democrata. "Ninguém deve considerar este Estado como definido em 2004", disse ele.

Aqui em Portland e mais tarde na sexta-feira em Seattle --duas cidades liberais com fortes movimentos antiguerra, Bush fez apelos paroquiais, como o aprofundamento da calha do rio e dizendo, após uma visita à uma instalação da Boeing, que lutará para acabar com os subsídios europeus à Airbus.

"Eu instruí o representante de comércio dos Estados Unidos, Bob Zoellick, a informar as autoridades européias, em seu encontro em setembro, que consideramos estes subsídios injustos e que ele deve buscar todas as opções para acabar com estes subsídios, incluindo impetrar um caso na OMC (Organização Mundial de Comércio) se necessário", disse Bush.

Previamente, em um parque industrial daqui, ele prometeu: "Eu lhes digo que estou comprometido a manter o Rio Colúmbia aberto para a navegação e o comércio, e estamos comprometidos a manter os grandes portos da América abertos para os negócios".

Mas Keith Ashdown, vice-presidente da Contribuintes pelo Bom Senso, condenou o projeto como "um esquema caro para comprar votos em um Estado indefinido".

A visita à costa Noroeste do Pacífico contrastou com a visita de Bush do início desta semana ao conservador Panhandle da Flórida, onde milhares de fãs margearam a estrada para acompanhar a passagem da comitiva do presidente. Aqui, os pequenos grupos reunidos para acenar durante a passagem do presidente também incluíam manifestações de protesto.

Kerry também enfrentou críticos em seu evento matinal em Springfield, nesta sexta-feira, mas ele buscou ir além da sua base, parando na noite de quinta-feira no canto Sudoeste do Estado, de inclinação republicana, onde 10 mil pessoas compareceram ao espaço de exposições de Jackson County.

Para Kerry, o comício em Portland foi a última parada de sua viagem pós-convenção a 17 Estados --Edwards passou sozinho por outros cinco-- utilizando 43 ônibus, um trem com 17 carros, sete helicópteros, três aviões e uma balsa. Sua campanha disse que ele viu 300 mil pessoas ao longo de duas semanas.

Voando para Portland na noite de quinta-feira (12), ele ficou contente ao descobrir a comparação por parte da imprensa local de seu comício aberto ao público com o evento apenas para convidados de Bush, e seus assessores fizeram estardalhaço na sexta com os relatos de que as pessoas foram informadas que precisavam ser voluntárias na campanha de Bush para poder entrar.

Scott Stanzel, um porta-voz de Bush, disse que a logística impediu o presidente de realizar um evento aberto.

"É importante para nós assegurar que as pessoas que estão trabalhando arduamente em prol desta campanha tenham uma oportunidade de ver o presidente e ouvir o que ele tem a dizer", disse ele.

Apesar de não ser necessário convite para o comício realizado por Kerry, em seu evento anterior, em uma tranqüila rua sem saída em Springfield, a fila de pessoas que seguravam convites estava repleta de voluntários da campanha, enquanto os vizinhos assistiam do outro lado da rua.

"Eu não sei o que é necessário para ser convidado", suspirou Karen McEldowney-Hay, 56 anos, uma democrata indecisa que ficou do outro lado do cordão. "Eu só queria dar uma espiada para ver se conseguia vê-lo de relance."

*Colaborou Thomas Crampton, em Flint, Michigan. Ambos fizeram diiscurso no Estado de Oregon, noroeste dos EUA George El Khouri Andolfato

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