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18/08/2004

Sinais indicam fraude para Bush ganhar na Flórida

The New York Times
Paul Krugman

Colunista do NYTimes
Todo mundo sabe, mas nem muitos políticos ou jornalistas da corrente principal estão dispostos a falar a respeito, por temor de que pareça mania de conspiração: existe uma possibilidade substancial de que o resultado da eleição presidencial de 2004 seja suspeito.

Quando digo que o resultado poderá ser suspeito, não quero dizer que a eleição será de fato roubada. (Talvez nunca saibamos.) Quero dizer que haverá uma incerteza sobre a honestidade da apuração dos votos suficiente para que grande parte do mundo e muitos americanos tenham sérias dúvidas.

Como o resultado da eleição poderia ser suspeito? Bem, para tomar apenas uma de várias possibilidades, suponha que a Flórida --onde pesquisas recentes dão a liderança a John Kerry-- mais uma vez mude a eleição para George Bush.

Grande parte dos votos da Flórida será contada por máquinas eletrônicas sem recibos de papel. Cientistas da computação independentes que examinaram o código de programação de algumas dessas máquinas ficaram chocados com as falhas de segurança.

Por isso haverá dúvidas razoáveis sobre se os votos da Flórida foram contados apropriadamente, e não haverá votos em papel para recontar. O público terá de aceitar o resultado com fé.

Mas o comportamento dos oficiais do governador Jeb Bush em relação a outras questões relacionadas à eleição não oferece justificativa para essa fé. Primeiro houve o caso da lista de infratores. A lei da Flórida nega o direito de voto a infratores condenados.

Mas em 2000 muitas pessoas inocentes, muitas delas negras, não puderam votar porque foram colocadas erroneamente em uma lista de infratores; essas exclusões erradas podem ter colocado o irmão do governador Bush na Casa Branca.

Este ano, a Flórida novamente elaborou uma lista de infratores e tentou mantê-la em segredo. Quando um juiz obrigou a divulgação da lista, acontece que mais uma vez ela desautorizava erradamente muitas pessoas --mais uma vez, na maioria afro-americanos--, enquanto quase não incluía hispânicos.

Na última segunda-feira (16/08), meu colega Bob Herbert relatou outra iniciativa altamente suspeita da Flórida: oficiais da polícia estadual entraram nas casas de eleitores afro-americanos idosos --incluindo participantes das operações "saia para votar"-- e os interrogaram como parte do que, segundo o Estado, é uma investigação de fraude.

Mas o Estado deu poucas informações sobre a investigação, e, como diz Herbert, isso parece muito uma tentativa de intimidar eleitores.

Diante desse padrão, haverá ceticismo se as máquinas eleitorais sem papel da Flórida derem ao presidente Bush uma vitória problemática e inverificável.

O Congresso deveria ter agido há muito tempo para colocar a próxima eleição acima de suspeitas exigindo um registro em papel dos votos. Mas a legislação ficou presa no comitê e talvez seja tarde demais para mudar o equipamento. Mas é crucial que essa eleição tenha credibilidade. O que se pode fazer?

Ainda há tempo para as autoridades promoverem um reforço da segurança, garantindo ao público que ninguém possa interferir nas máquinas eleitorais antes ou durante a eleição; contratar consultores de segurança independentes para realizar testes aleatórios antes e durante o dia da eleição; e fornecer votos em papel para cada eleitor que solicitar.

Os eleitores também podem fazer sua parte. Recentemente, o Partido Republicano da Flórida enviou um folheto pedindo que os seguidores usem cédulas de voto fora do domicílio para garantir que seus votos sejam contados.

O partido afirma que foi um erro --mas na verdade foi um bom conselho. Os eleitores deveriam usar votos de papel onde houver disponibilidade, e se isso significar votar "em trânsito", que seja. As autoridades eleitorais ficarão furiosas com o aumento da carga de trabalho, mas elas mesmas provocaram isso.

Finalmente, alguns ativistas eleitorais pediram um impulso de última hora para pesquisas de boca de urna, paralelas mas independentes das pesquisas dos grupos de mídia (cuja operação combinada sofreu uma fusão durante o problemático triunfo eleitoral republicano em 2002). Essa parece uma idéia muito boa.

As pesquisas intensivas de boca de urna fariam um triplo trabalho. Serviriam como dissuasão para qualquer um que pense em fraude eleitoral. Se tudo correr bem, ela ajudará a validar os resultados e calar os céticos. E daria uma advertência precoce se houver interferência na eleição --talvez suficientemente precoce para buscar uma reparação.

É horripilante pensar que a credibilidade de nossa democracia --uma democracia adquirida com a coragem e o sacrifício de muitos homens e mulheres valorosos-- está em perigo hoje.

É tão horripilante que muitos preferem não pensar nisso. Mas fechar nossos olhos não fará a ameaça desaparecer. Pelo contrário, a negação somente aumentará as possibilidades de uma eleição desastrosamente suspeita. São claros os indícios de novo complô nas eleições presidenciais Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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