UOL Notícias Internacional
 

19/08/2004

Kerry é tratado friamente por veteranos dos EUA

The New York Times
Jodi Wilgoren

Em Cincinnati
Com várias referências ao seu serviço no Vietnã, o senador John Kerry disse aos membros dos Veteranos de Guerras no Exterior (VFW) em Cincinnati nesta quarta-feira (17/08) que o plano do presidente Bush de retirar 70 mil soldados da Europa e da Ásia é vago e irrefletido em meio à ameaça nuclear da Coréia do Norte.

"Ninguém quer trazer os soldados de volta para casa mais do que aqueles de nós que já travaram guerras no exterior", disse Kerry, o candidato democrata à presidência, para cerca de 6 mil veteranos reunidos para a convenção anual da VFW, onde Bush anunciou o plano na última segunda. "Mas isto precisa ser feito no momento certo e de uma forma sensível. Este não é o momento e nem esta a forma."

Enquanto ele expunha suas diferenças em relação ao atual presidente nas questões de segurança nacional e das preocupações domésticas dos veteranos, o apelo pessoal de Kerry acentuou como sua história complicada de ter participado e depois protestado contra a Guerra no Vietnã tanto o ajuda quanto o atrapalha junto a um eleitorado crítico em uma eleição em tempos de guerra.

Enquanto alguns dos homens grisalhos, cujos bonés estavam cobertos de pins comemorando suas participações em combate, colavam adesivos "Veteranos a favor de Kerry" em suas camisas, outros lembravam amargamente o depoimento do candidato no Senado em 1971, no qual ele descreveu atrocidades cometidas por soldados.

Cerca de metade dos veteranos nas cadeiras da frente do auditório continuaram sentados imóveis durante aplausos após a apresentação e conclusão de Kerry, ao contrário da recepção calorosa que Bush recebeu no mesmo auditório dois dias antes.

Um indivíduo gritou "Mentiroso" várias vezes, e algumas das melhores frases de Kerry foram recebidas apenas com aplausos educados.

"Ele ganhou sua Estrela de Bronze quando tinha 23 anos, eu ganhei minha Estrela de Bronze quando tinha 19 --eu sei o que é preciso para isso, ele é um herói", disse Raymond Hackett, 54 anos, um veterano da Força Aérea de Old Lyme, Connecticut. "Mas ele disse que por 35 anos permaneceu do nosso lado --mas não é verdade. Há uma falta de sinceridade aqui."

Hackett e vários outros veteranos entrevistados ficaram particularmente irritados em uma parte do discurso, acrescentada por Kerry no último minuto, que descrevia a era do Vietnã como "uma época em que a guerra e os guerreiros ficaram confusos".

Diferente de uma entrevista na televisão há quatro meses em que ele disse que seu uso da palavra "atrocidades" na época foi "um pouco exagerada", Kerry não apresentou nenhum pedido de desculpas nesta quarta.

"Se ele tivesse prosseguido e dito: 'Eu confundi o guerreiro com a guerra' haveria algum perdão, mas ele não foi tão longe", disse Terry L. McKinney, 67 anos, um veterano da Marinha de Pontiac, Illinois.

Mas enquanto alguns condenavam suas manifestações contra a guerra, outros no público saudaram seu serviço durante ela, respondendo bem aos repetidos lembretes de Kerry de que vestiu o mesmo uniforme que eles. Até mesmo a recepção dividida recebida por Kerry enquanto criticava a guerra no Iraque foi notável, porque a VFW geralmente pende para o lado republicano e tende a apoiar o comandante-em-chefe em exercício.

"Kerry foi e serviu seu país, isto significa muito para mim", disse um veterano de 70 anos da Guerra da Coréia, George H. Cox, de Spencerville, Ohio, comparando com os adiamentos de convocação do vice-presidente Dick Cheney. "Ele é em primeiro lugar um americano. Ele serviu seu país. Aqueles outros apenas falam a respeito."

Kerry fez bem mais para mobilizar os veteranos do que a maioria dos democratas, tornando-os o eixo de sua convenção de indicação no mês passado. Uma nova pesquisa da Universidade de Quinnipiac, no Estado da Pensilvânia, mostra Kerry com uma vantagem de quatro pontos sobre Bush entre os veteranos e lares militares, uma margem apenas ligeiramente menor do que sua vantagem na pesquisa em geral.

Em seu discurso de 35 minutos feito aqui, Kerry fez pelo menos duas dúzias de referências ao seu serviço militar, prometendo que "como presidente, eu travarei a guerra com as lições que aprendi na guerra". Ele zombou do refrão de Bush, feito durante seu discurso aqui, de que o governo está "cumprindo seu dever" em questões dos veteranos como saúde e habitação.

"Apenas dizer que está cumprindo seu dever não quer dizer que de fato está", disse Kerry, prometendo acabar com a prática de dedução do pagamento por invalidez das pensões militares. "O dever estará cumprido quando 500 mil veteranos não estiverem excluídos do sistema de saúde da VA (Administração dos Veteranos). O dever estará cumprido quando não estivermos fechando hospitais da VA."

Ele acrescentou: "O dever estará cumprido quando não houver veteranos sem-teto nas ruas da América".

O debate sobre redistribuição de tropas, que ocorreu por dois dias neste importante campo de batalha eleitoral, foi o mais recente de uma série de discordâncias em torno da política militar que tem dominado a campanha presidencial nas últimas semanas.

Kerry disse temer que a retirada de 12 mil soldados desestabilizaria a Península Coreana "no momento em que estamos negociando com a Coréia do Norte --um país que realmente tem armas nucleares". Tendo pedido pelo ingresso de mais 40 mil soldados nas forças armadas para poupar os membros da Guarda Nacional e reservistas de servirem no exterior, Kerry disse que a proposta de Bush "de forma alguma alivia a pressão sobre nosso pessoal militar sobrecarregado".

Ele citou o senador John McCain, republicano do Arizona, que é muito querido nos círculos militares, e disse: "Este plano anunciado às pressas levanta mais dúvidas sobre nossas intenções e nossos compromissos do que fornece respostas reais".

Em resposta, o senador John Warner, o republicano da Virgínia que preside o Comitê de Serviços Armados, disse aos repórteres em uma coletiva de imprensa, organizada pela campanha de Bush, que ele não vê "qualquer fundamento em sugerir" que o plano do presidente "não seja do interesse geral da segurança de nosso país e nossos aliados", citando que a Coréia do Sul e a Alemanha o endossaram.

O porta-voz da campanha de Bush, Steve Schmidt, também lembrou aos repórteres que Kerry disse duas semanas atrás que acreditava "que poderíamos mudar significativamente a distribuição de nossas tropas" na Europa e na Coréia, assim como no Oriente Médio.

E o general aposentado Paul X. Kelley, o ex-comandante da Corporação Marine, disse em uma declaração distribuída por Schmidt que Kerry tem uma posição "retrógrada, que abraça cegamente o status quo e ignora as realidades do mundo pós-11 de setembro". Democrata critica a retirada dos soldados americanos do exterior George El Khouri Andolfato

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