UOL Notícias Internacional
 

19/08/2004

Segurança e exterior preocupam mais os EUA

The New York Times
Brian Knowlton

Em Washington
Pela primeira vez em décadas, questões de relações exteriores e de segurança nacional surgiram na campanha presidencial americana como prioritárias entre os eleitores. Segundo recente pesquisa, elas foram mais citadas do que questões econômicas.

O levantamento também detectou que 43% dos entrevistados acreditam que a tortura pode algumas vezes ser justificada pelas circunstâncias, número notável considerando o abuso dos prisioneiros no Iraque.

A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (18/8) pelo Centro de Pesquisa Pew, revelou que 4 em cada 10 americanos hoje citam questões internacionais e de defesa entre os principais problemas que enfrenta o país. Somente 1 em cada quatro mencionou preocupações econômicas.

Desde 1972, durante a guerra do Vietnã, que as preocupações com segurança e questões de relações exteriores não dominam a este ponto uma campanha, disseram os autores da pesquisa. O estudo sugere que as opiniões sobre o Iraque e a capacidade de o governo vencer a violenta oposição exterior ao país poderiam influenciar decisivamente a disputa entre o presidente Bush e o senador John Kerry, de acordo com o diretor do Pew, Andrew Kohut.

Isso poderia fazer do Iraque um "trunfo" na campanha, disse ele.

As opiniões dos americanos apresentaram divergências extraordinárias sobre o Iraque e outras questões de política externa. O resultado reafirmou a noção de que, nessas questões, os candidatos terão que lutar pelo apoio de pequenos números de eleitores indecisos.

Por exemplo, o apoio Republicano à doutrina Bush, de que a guerra preventiva pode ser justificada contra inimigos potenciais, cresceu (de 79% no ano passado para 88%), enquanto que o apoio Democrata caiu (de 58% para 44%).

As pessoas responderam em números quase iguais que preferiam uma política externa "cautelosa" ou "decisiva".

"Está surgindo como importante questão o debate entre ser amado ou ser temido", disse Lee Feinstein, do Conselho de Relações Exteriores, que colaborou no estudo.

O centro Pew, que é independente, contou em parte com dados de pesquisas do Gallup e disse que as questões de segurança e relações exteriores dominaram todas as campanhas de 1948 a 1972.

Mas, a partir de 1976, um ano após a queda de Saigon, questões econômicas tomaram a dianteira. Essa tendência chegou ao seu ápice em 1992, quando assessores de campanha de Clinton foram instruídos: "É a economia, idiota".

Eleitores naquele ano citaram preocupações financeiras 18 vezes mais freqüentemente do que questões de segurança ou de política externa.

A pesquisa foi conduzida por telefone entre os dias 8 e 18 de julho, com 2.009 americanos, sendo que outros foram entrevistados no início deste mês. A margem de erro foi de mais ou menos 2,5 pontos percentuais.

As conclusões da pesquisa fornecem estímulos aos dois lados, disse Walter Mead, do Conselho de Relações Exteriores. Apesar de os americanos terem dado a Bush notas mais altas na campanha contra o terrorismo e 9 em 10 terem dito que proteger os EUA de um ataque terrorista é alta prioridade, "Kerry tem a dianteira quando você pergunta qual é melhor de política externa", disse Mead.

Pew e outras pesquisas dão a Kerry a dianteira em economia. No entanto, na questão de quem lidaria melhor com o Iraque, os dois candidatos estão empatados.

Se os problemas no Iraque alimentaram uma crescente preocupação com a política externa, a melhora econômica recente poderia explicar o relativo declínio de preocupações nesta frente.

Kerry criticou repetidamente o histórico econômico de Bush. Ele disse que se sairia melhor que o presidente, que deixou o país perder milhões de empregos. Mas Bush apontou a criação de centenas de milhares de empregos e disse que haverá mais.

Outras conclusões da pesquisa também continham bênçãos para as duas campanhas:

  • Quase seis em cada 10 entrevistados culparam o governo por sua pressa em usar a força no Iraque. A metade disse que desaprovava a forma como Bush estava lidando com as questões do país.

  • Os entrevistados estavam profundamente preocupados com a perda de respeito internacional pelos EUA. Dois terços disseram que o país era menos respeitado do que no passado.

  • No maior resultado entre as pesquisas do Pew, 45% dos entrevistados disseram que os EUA tiveram um papel mais importante como líder mundial há uma década. Mesmo assim, a idéia de que os EUA devem ser o único poder dominante teve menor apoio, 38%, contra 45% em outubro de 2001.

    A ameaça de ataques terroristas continua a moldar profundamente as atitudes públicas sobre o uso da força e a extensão de medidas de proteção nacional. Enquanto que três em cada 10 americanos disseram que o governo federal tinha ido longe demais ao restringir as liberdades civis como parte das medidas para combater o terrorismo, cinco em cada 10 disseram que não tinha feito o suficiente para proteger o país.

    "Há muitos pontos na pesquisa onde você pode ver que o choque de 11 de setembro também é uma preocupação central para o público americano", disse Mead.

    Carroll Doherty, do centro Pew, disse que o público claramente quer relações mais fortes com estrangeiros, como prometeu Kerry, e medidas mais fortes contra o terror, uma noção mais associada na mente pública a Bush.

    "O público não vê qualquer contradição aí", disse ele. "As pessoas querem os dois". Questões domésticos não são prioridade pela 1ª vez em décadas Deborah Weinberg
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