UOL Notícias Internacional
 

20/08/2004

Kerry desafia Bush a debater passado militar

The New York Times
Jodi Wilgoren

Em Boston
O senador John Kerry, promovendo a escalada do debate em torno dos ataques ao seu histórico militar por um grupo de veteranos do Vietnã financiado pelos republicanos, chamou a organização de "uma fachada para a campanha de Bush".

"O fato de o presidente não condenar o que estão fazendo diz claramente tudo o que você precisa saber --ele quer que eles façam seu trabalho sujo", disse Kerry em uma convenção dos bombeiros em Boston. "O presidente fica repetindo para as pessoas que nunca questionaria meu serviço ao nosso país. Em vez disso, ele assiste enquanto um grupo financiado pelos republicanos faz exatamente isso."

Comparando seu serviço de combate com o serviço doméstico de Bush na Guarda Nacional Aérea do Texas, Kerry empregou a frase que tomou de seu rival no outono passado: "Se ele quer debater nosso serviço no Vietnã, aqui está minha resposta: que venha".

O apelo pessoal de Kerry, que alguns em seu campo têm pressionado desde que um grupo de veteranos veiculou uma propaganda o atacando duas semanas atrás, foi acompanhado por uma nova propaganda de televisão exibindo o homem que ele resgatou do Rio Mekong durante a guerra.

A repentina mudança de atenção por parte de Kerry para uma questão que tem fervido há semanas ilustra a dinâmica crítica desde o início desta campanha: a capacidade de Kerry de invocar sua experiência em combate para desafiar o presidente Bush em questões de segurança nacional.

Mesmo os democratas dizem que Kerry tem pouca chance de derrotar Bush se não apresentar a si mesmo como um presidente crível em tempos de guerra, e os ataques à experiência de combate de Kerry visam diretamente este apelo.

Uma nova pesquisa CBS News mostra que o apoio de Kerry entre os veteranos caiu desde a convenção democrata. Logo após ele ter aceitado a indicação, Kerry estava empatado com Bush entre os veteranos com 46%, mas a pesquisa CBS mostra Bush bem à frente, com 55% contra 37%.

Kerry prometeu não seguir o exemplo do último candidato democrata de Massachusetts, Michael Dukakis, que fracassou em responder aos ataques, mas o senador foi lento no contra-ataque, geralmente utilizando representantes. Isto mudou com a forte resposta de Kerry nesta quinta-feira (19/08), que pareceu encorajá-lo horas depois, quando ele fez um ataque pouco característico contra o presidente.

Em um encontro de bairro em Derry, New Hampshire, Kerry disse para um ex-aluno de Yale, que estava envergonhado por Bush também ter estudado lá: "Bem, pelo menos eu e você assistimos às aulas".

A campanha de Bush continuou negando na quinta-feira qualquer ligação com o grupo anti-Kerry, os Veteranos do Swift Boat pela Verdade, um comitê que opera de forma independente segundo as novas regras de financiamento de campanha.

"O senador Kerry sabe que suas acusações são falsas", disse Steve Schmidt, um porta-voz do esforço para reeleição do presidente, em uma declaração na quinta-feira. "O senador Kerry sabe que o presidente Bush considera nobre o serviço dele no Vietnã. O senador Kerry sabe que o presidente Bush disse que gostaria de ver o fim de toda a propaganda do grupo."

John O'Neill, um líder do grupo anti-Kerry e autor de um recém-lançado best-seller sobre o senador, "Unfit for Command" (inapto para o comando), contra-atacou, dizendo que Kerry "está descendo o rio para fugir dos fatos".

"Nós estamos respondendo e lidando com algo que é profundamente pessoal -nosso próprio histórico e o histórico de nossa unidade no Vietnã", disse O'Neill, um advogado de Dallas que é adversário de Kerry desde que os dois homens discutiram em rede nacional de televisão em 1971.

"Nós lamentamos que ele use ataques contra o homem em vez de lidar com os fatos de verdade. Ele está fazendo isto porque não pode lidar com a verdade."

Kerry, que recebeu uma Estrela de Prata, uma Estrela de Bronze e três Corações Púrpuras por seus quatro meses no Vietnã, tem sido criticado pelas circunstâncias que envolveram suas medalhas desde que concorreu pela primeira vez ao Senado, em 1984.

Neste ano ele empregou seus companheiros de barco de patrulha para testemunhar seu heroísmo, mas Kerry continua sendo perseguido por ataques de veteranos como O'Neill, que serviram em outros barcos de patrulha na mesma época.

Na propaganda e no livro, os Veteranos do Swift Boat, que ficaram irados com o ativismo antiguerra de Kerry assim que ele retornou para casa, questionam se ele mereceu suas medalhas.

A campanha de Kerry vinha empregando um esforço dosado para desmascarar as acusações, contestando a credibilidade dos veteranos. Mas na quinta-feira, surgiu uma nova campanha coordenada, com dinheiro pesado reunindo todo o histórico militar de Kerry --com uma blitz em todos os 50 Estados-- de veteranos testemunhando a seu favor em telefonemas para rádios, cartas para jornais locais e eventos do "esquadrão da verdade".

A testemunha-chefe é Jim Rassmann, o ex-boina verde resgatado por Kerry no Vietnã, e que surpreendeu seu salvador ao aparecer em um evento de campanha em Iowa, em janeiro, para contar sua história.

A nova propaganda de 30 segundos de Kerry --que será veiculada por uma semana em Ohio, Virgínia Ocidental e Wisconsin ao custo de US$ 200 mil, e que é a primeira da campanha neste mês-- exibe Rassmann, um republicano, dizendo: "Quando ele me puxou do rio, ele arriscou sua vida para salvar a minha".

Mike Russell, um porta-voz do grupo anti-Kerry, disse que sua propaganda de 60 segundos foi veiculada por uma semana, ao custo de US$ 550 mil, em sete mercados de médio porte nos mesmos três Estados indefinidos, e que o grupo apresentará uma segunda propaganda na sexta-feira. Ele também disse que 10 mil pessoas doaram pela Internet um total deUS$ 450 mil para o esforço neste mês.

Stephanie Cutter, a diretora de comunicações da campanha, disse que Kerry decidiu responder aos ataques na noite de quarta-feira, horas depois de ter recebido uma recepção dividida na convenção dos Veteranos de Guerras no Exterior. Muitos veteranos entrevistados lá repetiram as acusações da propaganda e do livro dos Veteranos do Swift Boat.

"Quando alguém ataca seu histórico militar, você atinge um ponto de ebulição, e ele atingiu tal ponto na noite passada", explicou Cutter. "Quando você parte e luta em uma guerra, quando você derrama sangue pelo seu país, seu instinto é contra-atacar e defender seu histórico."

Em seu discurso feito aqui para os bombeiros, Kerry explicou a nova estratégia recontando uma história de guerra, de abicar seu barco para enfrentar o inimigo.

"Há mais de 30 anos, eu aprendi uma lição importante --quando você está sob ataque, a melhor coisa a fazer é voltar seu barco contra o agressor, e isto é o que eu pretendo fazer hoje", disse ele, citando que ainda carrega estilhaços em sua perna dos ferimentos que lhe valeram um dos Corações Púrpuras. "Eu não vou deixar ninguém questionar meu compromisso de defender a América --antes, agora ou sempre." Democrata acusa presidente de promover campanha difamatória George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host