UOL Notícias Internacional
 

21/08/2004

Bush e McCain tentam mostrar unidade partidária

The New York Times
Todd S. Purdum

Em Washington
Foi um dos abraços mais inusitados na política americana desde que o ator Sammy Davis Jr. saudou calorosamente o presidente Richard M. Nixon numa convenção republicana de 32 anos atrás: George W. Bush e John McCain finalmente se abraçaram efusivamente, como dois ursões carinhosos, de rosto colado, em plena campanha, na semana passada.

Durante a maior parte dos últimos quatro anos, McCain e o homem que lhe derrotou numa campanha ácida e cheia de farpas, naquela luta pela indicação republicana em 2000, vinham se tratando como se fossem imãs que se rejeitam, membros da mesma família de metais separados por uma repulsa recíproca. Agora a atitude deles ao se saudarem carinhosamente em público faz "levantar sobrancelhas".

"Não obrigue as pessoas que lhe odeiam a lhe abraçarem", gracejou o apresentador Bill Maher no programa "Real Time", do canal HBO. E a piada seguiu: "Seja qual for o teor da chantagem que o governo Bush está fazendo com John McCain... parem com isso!"

Essa amizade recém-descoberta pode ser boa para as risadas nos talk shows da madrugada, mas o pior é que é negócio político sério para ambos os políticos, resultado de um esforço deliberado da Casa Branca em conquistar o senador do Arizona, um esforço que se prolonga há meses.

Essa mudança de atitude não poderia ser mais surpreendente, e para ambos o que está em jogo pode ser nada menos do que a própria presidência. Há quatro anos, o relacionamento entre os dois estava tão abalado que McCain chegou a abandonar a convenção Republicana em Filadélfia, dois dias antes do final, só retornando para a noite de encerramento após um pedido de última hora feito pela equipe de Bush.

Agora em 2004, quanta diferença, McCain terá agenda cheia --fará discurso num "horário nobre" da primeira noite da nova convenção Republicana em Nova York, isso depois de ter recebido na véspera os principais âncoras de telejornais para um jantar particular.

Depois da abertura da convenção, fora o compromisso de fazer campanha em vários Estados, o senador falará para umas 10 ou 15 delegações estaduais e irá comandar uma festa para celebridades, junto com o comediante Darrell Hammond, na noite da aclamação de Bush como candidato do partido.

O que está acontecendo? Tudo isso é pura "física na política", garantem amigos dos dois homens. Afinal, Bush está em plena disputa acirrada com um velho amigo de McCain no Senado, o democrata John Kerry. E o presidente precisa de todo socorro que puder ter, por mais postergado que seja, para conquistar os republicanos moderados, e também os democratas e independentes que adoram McCain.

Bush vencendo ou perdendo, a disputa entre os republicanos para a Casa Branca estará aberta da mesma forma rumo a 2008. E mesmo que McCain já tenha sugerido que não disputará novamente a indicação, a verdade é que para os políticos a palavra "nunca" não chega a ter significado verdadeiro.

E como o próprio senador já aprendeu na campanha de 2000, McCain não poderia arrebatar a indicação em 2008 sem um apoio mais amplo vindo do núcleo decisório ou estabilishment do partido --um apoio mais amplo do que a sua independência temática de vez em quando sugere.

"John é muito objetivo", diz o ex-senador Alan K. Simpson, do Estado de Wyoming. "Acho que ele tem noção de que, seja qual for o futuro dele no partido, nunca poderá ir muito longe a não ser que seja visto como alguém que apóia o partido e apóia o presidente. Tudo o mais não terá a menor importância, seja qual for a idéia que ele tenha em mente." Rivais de longa data estarão juntos na convenção republicana

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