UOL Notícias Internacional
 

22/08/2004

Bush sofre ataque de político republicano

The New York Times
David D. Kirkpatrick

Em Nova York
Patrick J. Buchanan, o político conservador que dividiu a convenção republicana de 1992 --quando Bush pai buscava a reeleição--, está publicando um livro atacando o segundo presidente Bush pela invasão no Iraque, a tempo de atrair uma parte da atenção em outra convenção republicana. O partido vai oficializar a candidatura de Bush para um novo mandato na convenção, a ser realizada entre 30 de agosto e 2 de setembro.

Os argumentos no livro, "Where the Right Went Wrong" (onde o certo/direita saiu errado), que foi lançado no final da semana passada, podem parecer familiares, pelo menos para os leitores da revista de Buchanan, "American Conservative", que foi criada como um fórum para oposição de direita à invasão ao Iraque.

Chamando a invasão ao Iraque de "o maior erro estratégico em 40 anos, um erro mais caro do que o do Vietnã", Buchanan escreveu: "Se a prudência é a marca de um conservador, Bush deixou de ser um conservador".

Mas o lançamento do livro, que coincide com a Convenção Nacional Republicana, dá a Buchanan uma nova ocasião para apresentar seu argumento na televisão e em eventos de promoção do livro, ao mesmo tempo em que a campanha de Bush busca projetar uma imagem de unidade, revivendo as lembranças infelizes do papel divisor que ele teve no passado.

"Ele tem seguidores nos círculos conservadores", disse Paul Weyrich, um veterano organizador dos conservadores. "Não é como antes apenas porque a direita religiosa não gosta particularmente dele. Mas terá um peso. Em uma eleição tão apertada, críticas de qualquer pessoa que tenha credibilidade têm um peso."

Mas em uma entrevista, Buchanan disse que a publicação do livro durante a campanha foi a melhor forma que ele concebeu para injetar idéias que considera importantes no debate. "O motivo de querer lançá-lo agora é que ele trata de questões importantes que não estão sendo tratadas nesta campanha: o enorme e crescente déficit, a desintegração da cultura e uma política externa wilsoniana que significa guerra ad infinitum", ele disse.

Em guerra, comércio e imigração, "tanto Kerry quanto Bush concordam nas posições que estão produzindo isto", disse ele, com uma referência ao senador John Kerry, o candidato democrata à presidência. "Os verdadeiros conservadores não estão sendo ouvidos."

Buchanan também defendeu seu discurso na convenção republicana de 1992, que alarmou muitos moderados com a conversa de uma "guerra cultural", dizendo que se o primeiro presidente Bush tivesse prestado atenção ao discurso, ele poderia ter conquistado a reeleição.

"Eu não estava certo? Quando você olha para como todos dizem que há uma linha divisória entre Estados vermelhos (republicanos) e Estados azuis (democratas), e uma linha divisória entre pessoas que vão à igreja pelo menos uma vez por semana e pessoas que não, há uma guerra cultural transcorrendo neste país", disse ele.

Questões morais e sociais sempre foram vencedoras para os republicanos, argumentou Buchanan, o motivo de os democratas terem tentado manter a atenção na economia em 1992.

Seu novo livro reprisa alguns dos temas de seu discurso de 1992, comparando a tarefa diante dos conservadores culturais às dos soldados que ocupam bairros negros após distúrbios.

"A composição religiosa, étnica e racial do país, um filho da Europa, está mudando mais rapidamente do que em qualquer outra grande nação na história", ele escreve. "Mas o presidente e o Congresso se recusam a cumprir seu dever constitucional de defender os Estados da União do que se tornou uma invasão estrangeira."

Mas o principal no livro de Buchanan pode ser a mais ampla exposição já apresentada do argumento conservador contra a invasão ao Iraque. Ele nota que os conservadores americanos são tradicionalmente contrários a intervenções no exterior, e que o próprio Bush fez campanha contra a "construção de países".

Mas depois de 11 de setembro, ele argumenta, Bush abraçou os pontos de vista de um grupo de pensadores neoconservadores, que Buchanan argumenta que estavam procurando justificar uma invasão a Bagdá desde o final da Guerra do Golfo Pérsico em 1991.

Ele direciona alguns de seus ataques mais ferozes à declaração freqüente de Bush de que a percepção de fraqueza, e não o uso da força, incentiva ataques terroristas. Ao contrário, Buchanan argumenta que contenção provou freqüentemente ser uma estratégia eficaz, enquanto a intervenção semeia o ressentimento antiamericano e o terrorismo.

Notando que criticou o primeiro presidente Bush na primeira guerra no Iraque, Buchanan citou a si mesmo enquanto fazia campanha como candidato do Partido da Reforma, em 2000. "Como toda nossa interferência poderá não gerar alguma terrível retribuição?" ele disse na época.

"Nós já não sofremos o suficiente --do vôo 103 da Pan Am ao atentado ao World Trade Center (de 1993), aos atentados contra embaixadas em Nairóbi e Dar es Salaam-- para ainda não saber que o intervencionismo é o incubador do terrorismo? Ou será necessária alguma atrocidade cataclísmica em solo americano para despertar nossos jogadores globais para o preço crescente do império?"

Ainda assim, Buchanan disse que não conseguiria apoiar outro candidato. "A diferença conservadora com o partido liderado por John Kerry é monumental", disse ele.

Na entrevista, Buchanan falou sobre a candidatura antiguerra de Ralph Nader: "Eu gosto muito de Ralph Nader. Ele tem sido enormemente corajoso em questões comerciais e na questão da guerra, mas sou completamente pelo direito à vida".

David Frum, um defensor da guerra e que escreveu um muito discutido artigo de capa na "National Review", no ano passado, criticando Buchanan e seus aliados como "conservadores não patrióticos", disse que a ambivalência trai a inconsistência.

"Se Pat Buchanan apóia a reeleição do presidente Bush, isto mostra um sujeito que no final não está disposto a seguir sua lógica até onde ela a leva", disse Frum. "Pat Buchanan disse que os Estados Unidos atraíram os ataques de 11 de setembro contra si mesmos --ele disse isto na semana de 11 de setembro", continuou Frum.

"Não é surpresa que um homem que acredita em negociar com terroristas --cortejando-os, tentando descobrir o que desejam e dando isto a eles-- ficará insatisfeito no Partido Republicano de George Bush."

Buchanan, por sua parte, desdenhou Frum como "inconseqüente". Sobre as críticas de Frum, ele disse: "Eu considero isto a confirmação de que estávamos certos ao falarmos em uma época em que todos estavam apoiando a guerra". Pat Buchanan lança livro em que condena a invasão do Iraque George El Khouri Andolfato

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