UOL Notícias Internacional
 

25/08/2004

"Bush apela para baixaria" afirma Kerry em NY

The New York Times
Jodi Wilgoren

Em Nova York
Falando em Nova York poucos dias antes da cidade receber a Convenção Nacional Republicana, o senador John Kerry pintou nesta terça-feira (24/08) a eleição como sendo uma escolha entre um presidente que faz acusações maliciosas e uma "nova liderança" cheia de planos para ajudar a classe média.

"A campanha de Bush e seus aliados optaram por táticas de medo e difamação porque não podem falar sobre empregos, saúde, independência de energia e reconstrução de alianças", disse Kerry, o candidato democrata à presidência, para um público seleto e altamente partidário no Grande Salão da Cooper Union, na Baixa Manhattan, um dos mais fortes redutos democratas dos Estados Unidos.

"Meu dever é ser um presidente que diz a verdade", declarou Kerry, "em vez de me esconder atrás de grupos de fachada, não fazendo nada e dizendo qualquer coisa para evitar as verdadeiras questões que interessam, como empregos, saúde e a guerra no Iraque".

Ocorrendo enquanto os republicanos se preparam para indicar novamente o presidente Bush a três quilômetros de distância dali, no Madison Square Garden, e após uma semana na qual a campanha presidencial foi tomada por acusações em grande parte não substanciadas sobre o histórico militar de Kerry no Vietnã, o discurso de 31 minutos tentou retratar a disputa como um partidarismo retrógrado e negativista contra visões otimistas do futuro do país.

Kerry previu que a convenção republicana se concentrará em "slogans, desculpas e ataques políticos", e disse: "Não é possível compensar quatro anos em poucos dias de convenção e poucas semanas de campanha".

Apesar do discurso de Kerry, planejado há muito tempo, ter sido rotulado como um mapa dos temas que serão tratados nas 10 semanas restantes de campanha, ele esteve repleto de frases que invocavam a controvérsia promovida por um grupo de veteranos do Vietnã financiado pelos republicanos, que está difamando o histórico de guerra de Kerry em propagandas de televisão e em um livro.

Kerry não mencionou especificamente o grupo, conhecido como Veteranos do Swift Boat pela Verdade, mas falou repetidas vezes de "ataques pessoais" que condenou como forçados, falsos e fictícios. O grupo de veteranos mantém suas acusações e agora colocou no ar uma segunda propaganda, com ex-prisioneiros de guerra recontando a dor que as declarações antiguerra de Kerry lhes causaram quando Kerry voltou do Vietnã.

Após ter-se cercado de veteranos durante sua própria convenção de indicação, no mês passado, onde iniciou seu discurso com uma saudação, Kerry foi aplaudido em pé por quase um minuto na terça-feira por uma simples frase resumindo seu serviço: "Eu defendi este país quando era jovem, e o defenderei como presidente".

Bush passou a terça-feira recluso em seu rancho em Crawford, Texas, enquanto sua campanha lutava para voltar as acusações de Kerry de campanha de difamação contra o democrata.

Os republicanos apontaram para links de outro grupo independente no site do Comitê Nacional Democrata, o MoveOn.org, que tem colocado no ar propagandas duras atacando o serviço do presidente na Guarda Nacional, e notou que o próprio Kerry participou de uma festa dada por aquele grupo.

Kerry condenou aquelas propagandas como impróprias --apesar dele próprio já ter levantado questões semelhantes-- enquanto Bush ignorou várias oportunidades para criticar especificamente o grupo de veteranos, apenas dizendo que acha que todos estes grupos deviam acabar.

"O momento da verdade para John Kerry chegou a passou centenas de vezes, e ele perdeu todas as oportunidades para condenar os esforços de sua campanha e de seus simpatizantes de dividir a América em quem serviu e como", disse em uma declaração o ex-governador de Montana, Marc Racicot, presidente da campanha de Bush, virtualmente repetindo os comentários que o candidato democrata à vice-presidência fez sobre Bush.

"O presidente Bush está ao lado de todos os americanos que querem ver as atividades políticas obscuras removidas da política americana."

Em uma coletiva de imprensa em Manhattan, Ed Gillespie, o presidente do Partido Republicano, disse que qualquer um deve poder colocar propagandas no ar, mas que as propagandas de ataque de autoria de grupos independentes "não são saudáveis para o processo e devemos adotar uma abordagem sistemática para colocar um fim nisto, e o senador Kerry deveria se juntar ao presidente Bush neste sentido".

Inicialmente, alguns democratas expressaram preocupação com a lentidão de Kerry para responder às acusações dos veteranos, que chamam a si mesmos de Veteranos do Swift Boat pela Verdade, lhes permitindo que arranhassem seu serviço no Vietnã, que ele tem usado como base de seu argumento para se tornar comandante-em-chefe.

Mas ele e seus assessores agora parecem estar abraçando os contratempos, com os conselheiros argumentando que qualquer menção ao serviço no Vietnã é benéfica e que ele poderá usar o grupo de veteranos para acusar a campanha de Bush de jogo sujo. O grupo tem fortes laços com os republicanos do Texas. A Casa Branca tem negado tais ligações.

Em um evento para levantar fundos que contou com a presença de Kerry, na noite de terça-feira, o governador da Pensilvânia, Ed Rendell, se tornou o mais recente líder democrata a tirar proveito do caso para comparar as credenciais militares dos candidatos.

"Se vocês desejam que esta eleição seja decidida com base na Guerra do Vietnã, então eu lhes faço uma pergunta", disse ele em um museu da Filadélfia, brincando que as propagandas fazem parecer que a campanha está transcorrendo em 1972 ou 1976, e não em 2004. "Quem serviu melhor a este país durante a Guerra do Vietnã, John Kerry ou George Bush? De forma assim simples, caso encerrado."

Mesmo enquanto Kerry falava na terça-feira em mudar o foco da discussão, seus assessores distribuíram um caderno de 49 páginas de artigos e editoriais na imprensa sobre o grupo anti-Kerry e, pelo segundo dia consecutivo, convocaram uma coletiva de imprensa na qual veteranos compareceram para testemunhar sobre o valor de Kerry e condenar as táticas de Bush.

"O presidente Bush não pode se esquivar da responsabilidade pessoal por esta campanha de difamação", disse o deputado Jim Turner, democrata do Texas e veterano, aos repórteres na coletiva de imprensa de terça-feira. "A realidade é que estas pessoas estão fazendo isto porque elas acham que estão prejudicando John Kerry e querem desacreditá-lo."

Também presente na coletiva esteve Foster Wright, um diretor aposentado de colégio de Wayland, Massachusetts, que comandou um barco patrulha (swift boat) na mesma época que Kerry.

Apesar de Wright não ter sido testemunha de nenhum dos eventos contestados do histórico de Kerry, ele disse que se juntou ao esforço de resposta rápida porque ficou "perturbado com a deslealdade e a falta de civilidade", dizendo que os veteranos anti-Kerry dividiram sua própria companhia da Marinha ao "desenterrar" sujeiras do passado.

"John merece algo melhor que isto", disse Wright. "Nós todos merecemos algo melhor que isto."

Em uma entrevista gravada na tarde de terça-feira para o programa "The Daily Show" da rede Comedy Central, o apresentador Jon Stewart brincou que tem assistido aos noticiários, "e pelo que entendi, aparentemente você nunca esteve no Vietnã".

"Foi também o que eu entendi", respondeu Kerry, "mas estou tentando descobrir o que aconteceu".

A campanha também destacou várias coletivas de imprensa em Minnesota, Pensilvânia e Wisconsin, onde veteranos expressaram seu apoio a Kerry, assim como um esforço para afastar um promotor de Clackamas County, Oregon, que apareceu na primeira propaganda do grupo e assinou uma declaração para os Veteranos do Swift Boat pela Verdade, em julho, dizendo que não houve fogo hostil nas vezes em que Kerry foi condecorado com Corações Púrpuras. O vice-promotor Al French disse para um jornal do Oregon que não testemunhou os eventos citados, mas que se apoiava nos comentários que ouviu de amigos.

Kerry tirou máximo proveito de sua primeira parada em Nova York em seis semanas, caminhando pelo Battery Park ao longo do extremo sul de Manhattan e então pegando um barco para visitar a Estátua da Liberdade e a Ilha Ellis.

"É uma visão dolorosa, e sempre será para qualquer um que já viu as torres", disse Kerry enquanto estava na Ilha da Liberdade, olhando na direção do ponto zero.

Na Cooper Union, Kerry disse que queria um "debate robusto e honesto sobre nossos valores", e declarou: "A cada passo do caminho, George W. Bush colocou os interesses mesquinhos de poucos à frente dos interesses da maioria dos americanos".

"A classe média, precisa ser dito repetidas vezes, construiu esta nação", disse ele recebendo grandes aplausos. "Ela continuará a trabalhar arduamente, ela pagará suas contas, ela fará o melhor pelas suas famílias. E nosso país, nosso governo, deve fazer o melhor por ela."

Como tem feito freqüentemente em sua campanha, Kerry citou duas vezes o senador John McCain, o republicano do Arizona e veterano de combate no Vietnã que está fazendo campanha pela reeleição do presidente, mas que condenou as propagandas do grupo Swift Boat como "desonestas e infames".

Por todo o discurso, Kerry mesclou sua mensagem de campeão das famílias de classe média com ataques ao seu oponente ligados à controvérsia. "Nós temos que decidir entre uma liderança que busca nos dividir e uma liderança que nos una", disse Kerry. Para o democrata, presidente ataca "porque não tem o que falar" George El Khouri Andolfato

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