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25/08/2004

Cheney tolera casamento gay e contraria Bush

The New York Times
Robin Toner

Em Washington
Em um intervalo depois de meses de esforços Republicanos em tornar ilegal o casamento gay, o vice-presidente Dick Cheney, nesta terça-feira (24/08), defendeu os diretos dos homossexuais americanos. Ele declarou que "liberdade significa liberdade para todos", que possam entrar "em qualquer tipo de relacionamento que quiserem".

Cheney também disse que preferia deixar os Estados definirem o que constitui o casamento, em contraste com o presidente Bush. Este vem defendendo uma emenda constitucional federal proibindo o casamento gay. Cheney, entretanto, observou que é Bush que faz as políticas do governo.

O vice-presidente fez observações extraordinariamente pessoais em torno do assunto, em uma reunião na prefeitura de Davenport, Iowa. Ele se referiu a sua filha, Mary, que é lésbica, dizendo: Eu e minha mulher temos "uma filha homossexual. Ou seja, nossa família tem intimidade com o assunto."

Ele acrescentou, segundo transcrições das observações: "Temos duas filhas e temos muito orgulho delas."

Cheney falou no mesmo dia em que uma versão inicial da plataforma Republicana foi distribuída aos delegados, declarando: "Nós defendemos fortemente a proposta do presidente Bush por uma emenda constitucional que proteja plenamente o casamento."

E acrescentou: "Tentativas de redefinição do casamento em uma única cidade ou Estado podem ter sérias conseqüências para o país. Qualquer coisa menos que uma emenda constitucional, aprovada pelo Congresso e ratificada pelos Estados, poderá ser derrubada por juizes ativistas."

Defensores dos direitos dos homossexuais imediatamente acusaram o governo Bush de tentar jogar nas duas posições, procurando agradar os eleitores moderados uma semana antes da convenção do partido em Nova York. Há meses, os Republicanos vêm defendendo a emenda constitucional, um objetivo chave dos conservadores sociais.

"O presidente Bush deve estar sentindo o rojão", disse em declaração Cheryl Jacques, presidente da Campanha de Direitos Humanos, grupo de direitos civis de homossexuais.

"Milhões de famílias Republicanas, como a dos Cheney, têm amigos ou membros da família homossexuais e se ofendem com os esforços do presidente Bush de levar a discriminação à Constituição", disse Jacques.

Anne Womack, secretária de imprensa da campanha de Cheney, disse que a posição de Cheney não mudou: "Essa tem sido sua postura nos últimos quatro anos, é totalmente consistente", disse ela. "A sugestão de que hoje inovou ou rompeu com o presidente é de pessoas que ignoram a realidade de suas declarações nos últimos três anos e meio".

Cheney deixou claro que "o presidente faz a política básica do governo. Ele de fato apóia uma emenda constitucional sobre a questão."

Bush, que endossou uma emenda à Constituição federal em fevereiro, argumentou que era necessário proteger a instituição tradicional de casamento heterossexual para que não seja redefinida por tribunais ativistas.

O debate, entretanto, marcou as divisões dentro do Partido Republicano, entre conservadores sociais que defendem a emenda e Republicanos mais libertários, que preferem a adoção de regulamentação estadual, acreditando que o casamento é questão local. A proposta de emenda foi derrotada pelo Senado no mês passado.

Lynne Cheney, a mulher do vice-presidente, disse na época que o reconhecimento do casamento devia permanecer sob controle dos Estados.

As observações de Cheney, em Davenport, reiteraram a posição que expressou há quatro anos no debate vice-presidencial, muito antes da Suprema Corte de Massachusetts determinar, no ano passado, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não era proibido pela Constituição do Estado.

Em 2000, Cheney também declarou que "liberdade significa liberdade para todos". Ele observou, na terça-feira, que a questão continua sendo definir que tipo de "sanção oficial, ou aprovação, será dada pelo governo a relacionamentos específicos. Historicamente, esse relacionamento tem sido administrado pelos Estados", disse Cheney. Vice-presidente diz que lei sobre a união é assunto dos Estados Deborah Weinberg

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