UOL Notícias Internacional
 

26/08/2004

Governador de NY já faz especulações para 2008

The New York Times
Michael Cooper e

Michael Slackman

Em Nova York
Por quase uma década, desde que ganhou proeminência nacional ao derrotar seu adversário do Partido Democrata, o liberal Mario M. Cuomo, o governador George E. Pataki tenta convencer os eleitores nova-iorquinos, que são em sua larga maioria democratas, de que ele é diferente dos outros republicanos nacionalmente famosos.

O seu apoio ao aborto, ao direito dos homossexuais e ao controle de armamentos, além da sua proximidade dos sindicatos de trabalhadores, o ajudaram a conquistar três mandatos como governador.

Como os republicanos estão prestes a se concentrar em Nova York para a Convenção Nacional Republicana, Pataki, com um olho no seu futuro político, tem uma semana para convencê-los de que também pode ser um deles.

Pataki deixou que todo mundo soubesse que gostaria de disputar a presidência em 2008, e os seus assessores têm espalhado que, em um Estado conhecido pelos seus "republicanos não tão republicanos", ele é um republicano genuíno.

Eles o apresentam como um grande amigo do presidente, um político que saiu em defesa incondicional de Bush, apoiando a guerra no Iraque, arrecadando verbas para o partido, e até ajudando a encher os cofres das campanhas de políticos que às vezes são vistos como contrários aos interesses de Nova York.

Pataki foi recompensado pelos seus esforços com a chance de falar diretamente à nação e, o que é mais importante para as suas ambições, para o coração e a alma do Partido Republicano. Ele ocupará espaço central na convenção e, em um discurso em horário nobre de televisão, chamará Bush ao palanque para que este aceite a sua nomeação pelo partido. Trata-se do "momento Mario Cuomo" de Pataki, de uma chance de reproduzir o feito de Cuomo na Convenção Nacional Democrata de 1984, elevando-se a um status verdadeiramente nacional.

O papel que escolheu desempenhar na convenção e a sua emergência como um ferrenho defensor da política externa do governo Bush indicam que o governador, no seu terceiro mandato, está olhando para além da sua problemática capital estadual e contemplando o seu futuro político.

No entanto, o desafio será convencer os republicanos de expressão nacional de que um candidato que defende o direito ao aborto, que é favorável a uma legislação que confere direitos civis aos homossexuais e que patrocinou grandes aumentos dos gastos estaduais pode desempenhar também um importante papel no futuro.

Em uma entrevista na quarta-feira (25/08), Pataki minimizou a importância dos discursos da convenção para qualquer orador, exceto o presidente, e disse que o seu papel é promover Bush, e não a si próprio.

"A justaposição clássica é o fato de o governador Cuomo ter feito um grande discurso e jamais ter disputado a presidência, enquanto que Bill Clinton fez aquele que é universalmente reconhecido como um dos piores discursos e quatro anos depois se tornou presidente dos Estados Unidos", diz Pataki, referindo-se ao discurso de Bill Clinton na Convenção Democrata de 1988, quando Michael Dukakis foi indicado para concorrer à presidência.

Mesmo assim, a designação de papéis nas convenções modernas e coreografadas tem grande importância, e a seleção de Pataki foi vista como uma medida que eclipsa o ex-prefeito Rudolph W. Giuliani, que, apesar de conquistar proeminência nacional devido ao seu papel como líder da cidade durante o 11 de setembro e o período que se seguiu ao atentado, teve a sua participação limitada a um discurso na convenção que não será transmitido pela televisão.

Não é nenhum segredo que Giuliani possui as suas próprias aspirações presidenciais, de forma que os dois republicanos de Nova York, que mantiveram um relacionamento tenso no passado, podem estar em uma outra rota de colisão.

Apesar da posição de Pataki como governador do Estado de Nova York, um cargo que gerou quatro presidentes, o seu jeito comedido e a retórica discreta por vezes prejudicaram os esforços dos seus aliados para promovê-lo como figura política de projeção nacional.

Esses aliados garantem que, apesar da sua postura liberal com relação às questões sociais, Pataki é, de fato, um republicano genuíno com relação às questões que realmente importam.

"Quanto às questões com as quais 90% das pessoas na convenção se preocupam --economia, terrorismo, reforma da previdência e da justiça criminal-- eu sugeriria que George Pataki é um exemplo de executivo bem sucedido que encarna as suas paixões ideológicas", afirma Kieran Mahoney, uma das principais assessoras políticas de Pataki.

O papel de Pataki na convenção implica benefícios potenciais tanto para a campanha de Bush quanto para o seu próprio futuro político. Ele se encaixa perfeitamente em um dos principais temas da convenção, o terrorismo, já que era governador de Nova York em 11 de setembro de 2001.

E se ele emprestar um pouco da sua imagem moderada a Bush, o inverso também poderá ser verdade: a sua chance de apresentar o presidente na convenção poderia ajudar Pataki a fortalecer as suas credenciais de republicano genuíno.

De toda maneira, Pataki terá dificuldades para recriar o tipo de sensação que Cuomo gerou com o seu discurso há 20 anos. Para quem não sabe, Pataki apresentará o presidente, enquanto que Cuomo fez o discurso principal. Cuomo, um democrata liberal, falava em sintonia com todos os democratas em 1984, enquanto que Pataki enfrentará figurões do seu partido que há muito tempo encaram com desconfiança e até com desprezo a ala mais liberal do Partido Republicano.

Reservadamente, Pataki tem lamentado o fato de a nação estar exibindo uma divisão partidária cada vez mais estridente, dizendo aos amigos, em tom de brincadeira, que conta com "um ponto de vista de um Estado democrata e um comportamento de um Estado republicano". Ele também tem indicado que está preocupado com a possibilidade de alguns conservadores dirigirem o seu partido para o lado errado de uma divisão entre gerações.

O governador ainda não diz nada sobre os seus planos políticos, que podem variar da disputa por um quarto mandato à tentativa de consolidar a sua reputação como neutralizador de democratas, enfrentando a senadora Hillary Rodham Clinton em 2006, ou ainda disputando a presidência em 2008.

Mas ele também enfrenta alguns obstáculos formidáveis no seu próprio Estado, obstáculos esses que podem fazer com que procure novos rumos para o seu futuro político: um governo notoriamente paralisado em Albany, que tem dificuldades para resolver até mesmo pequenos problemas, e a possibilidade de encarar adversários vigorosos na campanha pela reeleição em 2006, incluindo os populares democratas Charles E. Schumer, senador, e Elliot Spitzer, procurador-geral. Em Nova York, há cinco democratas para cada três republicanos.

Mas a resposta de Pataki à pergunta inevitável --e depois?-- revela um conhecimento profundo do calendário. "Pretendo fazer o melhor governo possível nos próximos dois anos, quatro meses e meio, e, depois disso, veremos o que acontecerá", disse ele.

A agenda do governador na convenção indica interesse na política presidencial. Ele está prestando especial atenção a New Hampshire, que, é claro, é sede da primeira primária presidencial, participará de um evento para arrecadação de verbas para o Partido Republicano de New Hampshire e tomará café da manhã com a delegação daquele Estado.

E, como governador republicano do Estado anfitrião, estará fornecendo credenciais aos políticos de toda a nação que desejarem participar das suas festas noturnas --credenciais que são espertamente chamadas de "Entradas de Pataki".

E neste ano o seu comitê de ação política com sede em Virgínia, o "21st Century Freedom PAC", arrecadou meio milhão de dólares, e ele conseguiu US$ 9,5 milhões para a reeleição do presidente.

Vários analistas políticos dizem que Pataki não reúne as condições para ser candidato à presidência. Ele teria não só que contornar as suspeitas quanto às suas ideologias, mas também superar outros candidatos republicanos distribuídos por todo o espectro político, como Giuliani, o senador John McCain e o senador Bill Frist, o líder da maioria no Congresso, do Tennessee.

Mas assessores do governador observam que ele foi subestimado durante toda a sua carreira, em disputas para o cargo de prefeito de pequenas cidades, parlamentar, senador estadual e, finalmente, governador. Eles dizem que Pataki cresceu no papel de azarão.

Uma passagem visionária da sua autobiografia, "Pataki" (Viking: 1998), revela tanto a sua tendência a se autodepreciar quanto a sua experiência. Descrevendo os seus anos em Yale, Pataki explica que nunca sentiu que estava destinado a ocupar altos cargos e escreve: "Os Johns Kerry e os Georges W. Bush serão aqueles que um dia estarão disputando a presidência".

Pataki disputou as eleições há dez anos, defendendo uma plataforma política conservadora que pedia a volta da pena de morte em Nova York, a redução de impostos e a reforma da previdência. Mas mesmo quando se inclinou para a esquerda, como governador de Nova York, particularmente na sua última campanha, Pataki trabalhou duro para cultivar um forte relacionamento com os republicanos de expressão nacional.

Desde o princípio ele deu apoio a Bush, um colega de Yale e ex-governador republicano, e trabalhou como cabo eleitoral fiel do presidente.

Mesmo assim, Pataki tem uma tarefa árdua pela frente, não só para convencer os republicanos tradicionais de que é um deles, mas também para driblar as inevitáveis comparações com Cuomo. De sua parte, Cuomo diz que um discurso empolgante não é necessariamente uma passagem de ingresso ao topo.

"Aquele discurso me arruinou", diz Cuomo, de forma algo melancólica. Ele afirma que, desde então, quem quer criticá-lo diz que Cuomo não passa de uma pessoa que faz discursos.

"Essa é uma característica eclipsante para a sua personalidade", afirma Cuomo. "Desde aquele dia eles se referiam a mim como o 'cara dos discursos'. Não falavam necessariamente de forma irônica, mas não deixavam de fazer o comentário". George Pataki quer projeção nacional, mas tem desafios domésticos Danilo Fonseca

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