UOL Notícias Internacional
 

27/08/2004

John Kerry desafia Bush para debates semanais

The New York Times
Jodi Wilgoren

Em Anoka, Minnesota
Aproveitando a divulgação dos dados de um novo censo para reforçar a sua alegação de que os salários diminuíram e os custos com saúde aumentaram sob o governo Bush, o senador John Kerry desafiou nesta quinta-feira (26/08) o presidente a participar de debates semanais até o dia da eleição.

"Os Estados Unidos merecem uma discussão séria sobre o seu futuro; o país não merece uma campanha de calúnias e medo", disse Kerry, candidato presidencial democrata, para várias centenas de pessoas em uma escola técnica local. "O presidente e eu podemos nos encontrar em qualquer lugar, manter uma discussão, nos erguer e expressar as nossas idéias".

Sugerindo uma série de debates sobre saúde, educação, segurança nacional e meio-ambiente, ele acrescentou: "Vamos nos reunir toda semana a partir de agora, até o dia da eleição, e falar sobre os problemas reais enfrentados pelos norte-americanos".

Kerry, que no início da semana disse que Bush "ganhou todo debate do qual já participou", lançou uma proposta similar após obter a aprovação do seu partido em março, quando sugeriu que houvesse debates mensais.

O comitê da campanha de Bush, que ainda não aceitou a formação de uma comissão não partidária para agendar três debates a partir de 28 de setembro, disse que o presidente não se ocupará de planos relativos a debates até depois da convenção republicana na semana que vem.

"Durante as próximas semanas, John Kerry deve aproveitar o seu tempo para finalizar os debates consigo mesmo", sugeriu Steve Schmidt, porta-voz de Bush. "Esta eleição representa para o povo norte-americano uma escolha clara entre um presidente que está empurrando os Estados Unidos para frente e um senador que adotou todos os pontos de vista com relação a todas as questões e que possui o currículo no Senado mais fora de sintonia com o que pensa a população".

O desafio de Kerry para o debate foi feito no momento em que o Departamento do Censo divulgou novas estatísticas demonstrando que entre 2002 e 2003 o número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza aumentou em 1,3 milhão, e que, no mesmo período, mais 1,4 milhão de pessoas passaram a viver sem seguro-saúde.

"Os dados do censo são fatos; não são intrigas políticas", afirmou Kerry, citando um declínio da renda média de US$ 1.500, enquanto que os custos com saúde em Minnesota aumentaram US$ 2.600. "Não existe nenhum rótulo político nesses dados; eles são fatos, estatísticas, e contam uma história quando os integramos".

Schmidt argumentou que o relatório do censo, relativo a 2003, não levou em conta os avanços econômicos deste ano, incluindo o acréscimo de 1,5 milhão de empregos, e que o índice de desemprego e o número de pessoas sem seguro-saúde citados estão abaixo de alguns dados comparáveis relativos à administração Clinton.

Em Anoka, um subúrbio de Minneapolis com 18.076 habitantes, onde já morou o locutor de rádio Garrison Keillor, o comitê de campanha de Kerry procurou atrair os eleitores indecisos para a sua candidatura. Em 2000, Bush venceu por 1.048 votos no condado de Anoka, ainda que tenha perdido em Minnesota por dois pontos percentuais.

A multidão, que saudou Kerry com vários aplausos de pé, não parecia estar em cima do muro, e muitos dos seus integrantes disseram em entrevistas posteriores que são fãs antigos do candidato. Mas eles dirigiram algumas perguntas inesperadas a Kerry.

Questionado sobre os recentes ataques em propagandas que o apresentaram como uma pessoa que muda constantemente de posição, Kerry ficou indignado, chamando a acusação de "tática padrão dos republicanos" e devolvendo-a ao seu adversário.

"Agora, deixe-me perguntar-lhes uma coisa: será que o fato de se opor ao Departamento de Segurança Interna e depois, subitamente, apoiar a idéia quando os jornais escreveram algo sobre o assunto, não é um caso mudança de posição?", disse Kerry, após admitir que votou a favor do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), mas que depois criticou a forma como o projeto foi instituído.

"Será que nos dizer que Condoleezza Rice não iria depor, e depois fazer com que ela depusesse, não é um caso de inconstância? E dizer a vocês que o fundo "No Child Left Behind" contará com verbas e, depois, retirar US$ 27 bilhões destinados ao programa não é mudar aleatoriamente de posição? Ou seja, senhoras e senhores, vamos cair na real".

Repetindo uma pergunta feita no início deste mês sobre Bush em um fórum na Flórida, Darla Bleeke, 54, perguntou a Kerry, "Você é cristão?" e indagou por que os norte-americanos precisam "aceitar" novos imigrantes que modificam a estrutura étnica das comunidades.

"Você pode ou não gostar da minha resposta, e eu posso perder o seu voto devido ao que vou responder", replicou Kerry. "A resposta é, sim, sou cristão, mas não deve ser isso o que vai decidir se alguém votará ou não em mim nos Estados Unidos da América".

Criticando Bleeke pela forma como caracterizou os imigrantes, Kerry disse que todos, exceto os índios, descendem deles, e que o país foi fundado por "pessoas que vieram para cá para fugir da perseguição religiosa".

"Quero que você entenda que eu valorizo a minha fé --fui coroinha quando pequeno, levei a minha religião comigo ao Vietnã, acredito naquilo que acredito e isso faz parte do que eu sou. A fé me fornece valores, me dá um sentido de localização, de proporção e de humildade", disse Kerry, um católico que vai à missa quase todos os domingos.

"Somos um país composto de cristãos, judeus, muçulmanos, confucianistas, hindus e assim por diante --além de agnósticos e até mesmo ateus-- e essa é a natureza daquilo que somos", acrescentou.

"E como presidente vou seguir o que determina a Constituição dos Estados Unidos, que os fundadores do país inteligente e fervorosamente deixaram claro que separaria as questões da igreja das do Estado". Presidente diz por meio de assessores que não pretende debater Danilo Fonseca

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