UOL Notícias Internacional
 

31/08/2004

Bush diz que EUA não vencerão guerra ao terror

The New York Times
Elisabeth Bumiller e

Richard W. Stevenson

Em Nashua, New Hampshire
O presidente americano, George W. Bush, afirmou em entrevista concedida a uma emissora de TV nesta segunda-feira (30/08) que não acreditava que os EUA poderiam vencer a guerra ao terrorismo, mas que poderiam torná-lo menos aceitável no mundo. Os comentários marcaram uma mudança radical de suas declarações otimistas anteriores, de que os EUA certamente prevaleceriam.

Em entrevista concedida no sábado a Matt Lauer, para o programa "Today", da rede NBC, a ser apresentado no dia de inauguração da Convenção Nacional Republicana, Bush foi questionado se os EUA poderiam vencer a guerra contra o terrorismo. Este é o tema central de seu governo e de sua campanha de reeleição.

"Não acredito que se possa vencê-la", respondeu. "Mas acho possível criar condições para que aqueles que usam o terror como instrumento sejam menos aceitáveis pelo mundo."

No dia 14 de maio, Bush tinha pintado um retrato mais animado. "As pessoas me perguntam: 'É possível vencer a guerra ao terror?' Claro que podemos vencê-la", disse o presidente em Niles, Michigan.

Em uma conferência com a imprensa, no Salão Oeste, no dia 13 de abril, Bush disse: "Não planejo perder meu emprego. Pretendo dizer ao povo americano que tenho um plano para vencer a guerra ao terror, e acredito que vão se ater a ele."

Não ficou claro o que Bush queria dizer, ou se tinha cometido um engano. Membros da Casa Branca disseram que o presidente não estava assinalando uma mudança de política, mas sim enfatizando a natureza de longo prazo da batalha.

As palavras de Bush, entretanto, colocaram-no mais próximo dos aliados europeus, que não consideram a guerra vencível e, há muito, consideram a retórica de vitória de Bush simplista e inútil.

Scott McClellan, secretário de imprensa da Casa Branca, disse aos repórteres no avião presidencial Air Force One, nesta segunda-feira pela manhã, que Bush estava falando de vencer a guerra "no sentido convencional", e que seus comentários ressaltavam a realidade de que livrar o mundo de terroristas levaria décadas.

"Não acho que se possa esperar uma rendição formal ou um tratado de paz, como nas guerras do passado", disse McClellan. "É sobre isso que ele estava falando. A vitória requer um compromisso de uma geração em vencer esta guerra ao terrorismo."

O comentário de Bush foi feito poucos dias após ter admitido, em entrevista a The New York Times, pela primeira vez, um "erro de cálculo" sobre a evolução da insurreição no Iraque. Ele disse que ninguém poderia ter previsto que uma vitória militar tão rápida permitiria que forças leais a Saddam Hussein e outras ocupassem cidades e vilas, e ficassem livres para fazer ataques às forças americanas. Ele disse à revista Time, na semana passada, que a insurgência resultava do "sucesso catastrófico".

Para os Democratas, no entanto, os comentários foram erros a serem explorados, da mesma forma que Bush explorou a declaração de Kerry de que teria autorizado a guerra no Iraque, mesmo se soubesse na época o que sabe hoje sobre os programas de armas de destruição em massa do país.

"Depois de meses ouvindo a base Republicana fazer campanha em cima da sua habilidade única de vencer a guerra ao terrorismo, o presidente agora diz que não pode vencê-la. Isso não é hora de declarar derrota. Não vai ser fácil e não vai ser rápido, mas tempos um amplo plano de longo prazo para tornar os EUA mais seguros. E isso faz a diferença", disse em declaração o senador John Edwards, da Carolina do Norte.

Edwards fez críticas às observações de Bush em uma entrevista ao "Nightline", da rede ABC. Ele disse que Bush estava "totalmente errado" de sugerir que os EUA não poderiam ter uma clara vitória sobre o terrorismo e que os comentários do presidente eram "o oposto do que o povo americano, o mundo e os terroristas precisavam ouvir do líder americano nesse instante."

Edwards disse que a batalha contra o terrorismo é "definitivamente vencível", desde que o país tenha a liderança correta.

"Para vencê-la, temos que fazer a coisa certa. Isso inclui algumas das coisas de que falei hoje: reformar nossas operações de inteligência, colocar mais agentes infiltrados nas células terroristas, combater mais agressivamente as ameaças nucleares em desenvolvimento na Coréia do Norte e Irã e criar planos diferentes --um plano mais eficaz para o Iraque e para o Afeganistão."

Kerry, que fez uma pausa na campanha nesta semana, foi questionado se a guerra ao terrorismo poderia ser vencida. Ele respondeu, em suas férias de windsurfe em Nantucket, "absolutamente."

A campanha de Bush prontamente contra-atacou. "A tentativa dos Democratas de exagerar e distorcer os comentários do presidente fazem parte de um esforço de encobrir um currículo de hesitação e indecisão, que gerou questionamentos do povo americano", disse Steve Schmidt, porta-voz da campanha.

Analistas disseram que os comentários de Bush refletiam a realidade e a política externa e ressaltavam que até um avanço dramático, como a captura de Osama Bin Laden, não asseguraria, por si só, a segurança da nação.

"Desde o início, tem sido claro que estamos lidando com uma luta ideológica que afeta a região e não apenas um único movimento ou grupo. Certamente, está claro, pelo que aconteceu com o Iraque e Afeganistão, e até o Paquistão, além de países como a Espanha, que nem mesmo a Al Qaeda pode ser rápida ou facilmente derrotada. Além disso, o Iraque ainda não mudou, muito menos o Oriente Médio", disse Anthony Cordesman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Como o público entendeu essas lições, disse Cordesman, Bush não pode se dar ao luxo de parecer distante do que está acontecendo em terra. Com as dificuldades de Kerry em explicar quais seriam as diferenças de sua abordagem no Iraque, Bush pode mostrar alguma flexibilidade em sua forma de pensar. Disse Cordesman.

"Bush pode adotar uma postura mais cheia de nuances, precisamente porque Kerry não foi capaz de ocupá-la", disse ele. O comentário de Bush foi transmitido enquanto fazia campanha em Michigan e New Hampshire, falando sobre a guerra ao terrorismo, parte de uma preparação para seu discurso de aceitação na convenção Republicana em Nova York, nesta quinta-feira à noite.

Em outra parte da entrevista à NBC, transmitida no domingo, ele comentou seu serviço na Guarda Nacional durante o Vietnã e o de Kerry, como veterano de combate condecorado. "Acho que ele ir para o Vietnã foi mais heróico do que eu pilotar jatos", disse Bush. "Por outro lado, servi ao meu país. Se minha unidade tivesse sido chamada, eu teria ido."

Em New Hampshire, Bush respondeu uma pergunta extraordinariamente dura, em um evento chamado "Pergunte ao Presidente Bush", na escola de ensino médio Nashua High School North, que o forçou a se desviar de sua mensagem do dia e defender o primeiro-ministro Ariel Sharon de Israel.

"Como pode Ariel Sharon ser um homem de paz, se causa morte e tortura entre palestinos inocentes?" perguntou uma jovem, que disse ter passado recentemente duas semanas na Líbia.

"Boa pergunta", respondeu Bush. "Primeiro de tudo, Ariel Sharon está defendendo seu país contra ataques terroristas, assim como nós. Sharon fez a decisão consciente de que um Estado Palestino é do interesse de sua nação", disse o presidente.

Bush depois culpou os palestinos por impedirem o progresso do Oriente Médio. "Ariel Sharon é uma autoridade eleita em uma democracia", disse o presidente. "Esperemos que os palestinos tenham esse mesmo tipo de democracia."

Para que possa nascer um Estado palestino, "deve haver líderes palestinos que vivam as esperanças e aspirações do povo", disse o presidente.

Mais tarde, Bush falou a um comício com milhares de pessoas em Taylor, Michigan. Presidente americano muda seu discurso bélico em entrevista à TV Deborah Weinberg

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