UOL Notícias Internacional
 

31/08/2004

Conservadorismo domina plataforma republicana

The New York Times
Robin Toner e

David D. Kirkpatrick

Em Nova York
Os republicanos aprovaram nesta segunda-feira (30/08) uma plataforma que coloca o partido firme e oficialmente contra o aborto legalizado, casamento gay e outras formas de reconhecimento legal para casais de mesmo sexo, refletindo a força política dos conservadores sociais e estabelecendo um forte contraste com os democratas na campanha do outono.

A plataforma também saúda a luta contra o terrorismo do presidente Bush, defende tornar permanentes os cortes de impostos e pede pela criação de contas de investimento pessoais no Seguro Social, como parte de uma nova "ownership society" (sociedade proprietária) que os republicanos afirmam que dará aos americanos maior responsabilidade e controle sobre suas vidas financeiras.

O documento de 93 páginas, produzido sob rígido controle das forças de Bush, tenta várias metas políticas: promover e defender o histórico de Bush, particularmente na segurança nacional; esboçar uma visão doméstica para um segundo mandato; e estimular a base conservadora.

Os democratas e seus aliados condenaram imediatamente a plataforma como extremista e completamente contrária à imagem moderada que o Partido Republicano está tentando projetar nesta semana. "É a verdade por trás da fachada da convenção deles", disse Stephanie Cutter, porta-voz do senador John Kerry, o candidato democrata. "Ela reflete o efeito divisório e as políticas extremistas dos últimos quatro anos, enquanto os oradores públicos pintam um retrato bem diferente."

Grupos de direitos dos gays e direitos de aborto reiteraram seu desalento. Cheryl Jacques, presidente da Human Rights Campaign, uma organização de direitos dos gays, declarou: "É uma das plataformas mais discriminatórias na história moderna". Ela acrescentou sobre Bush: "Ele está contando com o fato de que a maioria das pessoas não vai ler o texto da plataforma republicana".

O senador Bill Frist, o líder da maioria republicana e presidente do comitê para plataforma, saudou esta, intitulada "Um Mundo Mais Seguro, uma América Mais Esperançosa" como um tributo a Bush quando a apresentou na convenção, na segunda-feira.

"Nossa plataforma acentua os princípios que unem nosso partido", disse ele. "Nós apoiamos plenamente, firmemente e honestamente o presidente George W. Bush em uma época de profundas conseqüências nacionais e históricas."

Refletindo o mundo diferente desde que a última plataforma republicana foi redigida há quatro anos, na Filadélfia, metade do documento é dedicado à segurança nacional e defende os feitos de Bush no combate ao terrorismo. "A liderança do presidente obteve sucessos antes considerados impossíveis de serem obtidos em tão curto prazo", declara a plataforma.

Saudando a "firme resolução" do presidente na resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001, a plataforma declara que "não há negociação com terroristas. Nenhuma forma de terapia ou coerção os afastará de seus modos assassinos. Apenas a destruição total e completa do terrorismo permitirá que a liberdade floresça".

A plataforma também descreve a guerra com o Iraque, que atraiu centenas de milhares de manifestantes às ruas de Nova York nesta semana, como justificada e bem-sucedida.

"O Iraque, que antes possuía o pior governo no Oriente Médio, está agora se tornando um exemplo de reforma na região", diz a plataforma. Os republicanos também usaram sua plataforma para promover a sociedade proprietária e as reformas no governo que deverão ganhar destaque no discurso de Bush, na noite da próxima quinta-feira (2/9), enquanto tenta oferecer uma abordagem conservadora para questões como aposentadoria e atendimento de saúde.

Kerry tem proposto a reversão dos cortes de impostos de Bush para aqueles que ganham mais de US$ 200 mil por ano e utilizar o dinheiro para novas iniciativas de atendimento de saúde.

A plataforma republicana segue Bush e diz que os cortes devem ser transformados em permanentes. "Nós acreditamos que um bom governo é baseado em um sistema de impostos e gastos limitados", diz a plataforma. "O sistema tributário não deve ser utilizado para redistribuição de riqueza ou financiamento de benefícios e programas sociais cada vez maiores."

A plataforma republicana descreve o atual déficit de US$ 445 bilhões como "incômodo mas administrável", e argumenta que ele deve ser reduzido com cortes de gastos, não limitando a redução de impostos.

Os republicanos também pediram novamente pelo "fortalecimento do Seguro Social por meio da propriedade", permitindo que os trabalhadores direcionem uma porção de seus impostos na fonte para contas de investimento pessoais.

Os críticos afirmam que mesmo se tal investimento venha a valer a pena para os indivíduos a longo prazo, os custos de transição de tal privatização parcial seriam imensos, pois as receitas de impostos seriam desviadas do sistema do Seguro Social para contas privadas.

A plataforma democrata declara que é contra a criação de contas privadas "sujeitas aos caprichos do mercado ou da economia".

As plataformas partidárias não apóiam um candidato, mas geralmente são consideradas uma foto instantânea dos imperativos políticos e ideológicos do partido em uma ano eleitoral.

A atual plataforma mostra o papel chave que os conservadores sociais estão exercendo no Partido Republicano à medida que este segue para uma disputa extremamente acirrada, na qual cada partido não pode prescindir de seus núcleos de simpatizantes.

Na questão do aborto, o Partido Republicano reitera seu antigo dogma de proibi-lo constitucionalmente e colocar um fim ao aborto legal. A plataforma saúda Bush por sancionar e defender a "Lei do Aborto de Nascimento Parcial" --uma proibição de um tipo de aborto de segundo e terceiro trimestres. Tal lei foi recentemente considerada inconstitucional por dois tribunais federais.

Os conservadores sociais, que pressionaram Bush a endossar uma emenda constitucional federal contra o casamento gay no início deste ano, pressionaram por termos ainda mais fortes na plataforma e tiveram sucesso.

Bush tem indicado que apóia a emenda constitucional que proíbe o casamento de mesmo sexo apenas como último recurso, para impedir que os tribunais decidam a questão, e disse que os Estados devem ser livres para reconhecer as uniões civis de mesmo sexo ou parcerias domésticas. Mas a plataforma, emendada pelos conservadores no comitê, condena não apenas o casamento gay, mas também o reconhecimento estadual de outras uniões de mesmo sexo.

Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, Tony Perkins, presidente do Conselho de Pesquisa da Família, um grupo social conservador, disse que a pressão para fortalecer a oposição da plataforma às uniões de mesmo sexo foi, em parte, uma resposta à declaração do vice-presidente Dick Cheney, na semana passada, de que pessoalmente prefere deixar a questão para ser decidida pelos Estados.

"Nós ficamos obviamente incomodados com os comentários do vice-presidente na semana passada, que de várias formas levou ao endurecimento dos termos na plataforma", disse Perkins. No geral, ele disse, os conservadores sociais estão muito satisfeitos com as fortes declarações da plataforma em questões como aborto e casamento de mesmo sexo.

Kerry disse que é contra o casamento gay, mas também é contra uma proibição constitucional a ele. A plataforma democrata declara: "O casamento tem sido definido pelos Estados há 200 anos e nós acreditamos que deve continuar a ser definido assim".

Andrew Kohut, presidente do Centro Pew de Pesquisa, disse que os republicanos ficaram divididos diante da importância da questão do casamento gay, com apenas um terço dos republicanos que não são evangélicos a descrevendo como alta prioridade de votação, contra quase três quartos dos republicanos evangélicos.

Em outra questão volátil, a plataforma republicana acrescentou um "artigo de unidade", reconhecendo que os membros do partido podem discordar de boa vontade. Ele foi apresentado por dois delegados de lados opostos da questão dos direitos de aborto, e a Maioria Republicana pela Escolha, um grupo de direitos de aborto, saudou o artigo como um passo na direção certa.

Mas os Log Cabin Republicans, um grupo gay, e os Republicanos pela Escolha, condenaram o artigo por não especificar as questões sociais divisórias do aborto, pesquisa de células-tronco embrionárias e casamento de mesmo sexo.

As forças do presidente também não cederam diante da contestação dos conservadores à proposta do presidente de um programa de trabalhadores convidados; alguns conservadores o consideram uma forma de anistia aos que violam a lei. Partido exalta propriedade e segurança e repudia o casamento gay George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    14h50

    0,04
    3,268
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h57

    1,84
    63.814,38
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host