UOL Notícias Internacional
 

31/08/2004

Manifestantes e republicanos se chocam em NY

The New York Times
Randal C. Archibold*

Em Nova York
Do lado de fora de um hotel em Times Square, delegados da Convenção Nacional Republicana foram cercados por manifestantes vestidos de preto e que os xingavam. Algumas quadras dali, delegados se envolveram em um empurra-empurra com manifestantes, que buscavam estragar a noite deles no teatro. E do lado de fora de "O Rei Leão", na Rua 42, um delegado foi esmurrado por um manifestante, que fugiu.

Apesar dos protestos organizados de domingo e segunda-feira (29 e 30/08) terem sido em grande parte pacíficos, o tom foi bem diferente em incidentes menores no centro da cidade e em outros lugares: encontros irados e importunação planejada de delegados da convenção enquanto passeavam pela cidade.

Às vezes os delegados respondem com disputas de empurrões e gritos na mesma medida. Outras vezes a polícia, que está protegendo os encontros de delegados, tem dispersado os manifestantes, que se deslocam para outros locais para importunar outros delegados.

Já que pelotões de policiais altamente armados estão protegendo o local da convenção, o Madison Square Garden, anarquistas e outros radicais estão executando um plano coordenado para atacar os delegados em seus hotéis, cafés da manhã, festas e nas ruas.

Os incidentes são resultado de meses de planejamento por parte de grupos de oposição, que informam que obtiveram cópias dos planos e endereços das festas, reuniões e outras atividades dos delegados fora do Garden.

Seus esforços são auxiliados por uma rede de apoio que usa mensagens de texto por celular, entre outros meios, para permanecer em contato. As mensagens por celular foram muito usadas em um protesto de ciclistas, na noite de sexta-feira, e durante manifestações em Times Square, neste domingo, para orientar os manifestantes e alertá-los sobre onde a polícia estava se reunindo.

"Delegação CT café todo dia Maison (7ª Av & 53) das 7-8h30. É possível alguns manifestantes?" dizia uma mensagem de texto nesta segunda-feira, aparentemente se referindo ao plano da delegação de Connecticut de se encontrar em um restaurante no centro de Manhattan. "Maison tem bufê externo. Seria contato direto com delegados."

Uma lista de discussão de manifestantes na Internet postou uma orientação sobre onde ficam estacionados alguns ônibus de delegados no centro a cada manhã. Outra mensagem incluía os números de telefone e endereços de e-mail de membros da convenção e orientava que os hotéis dos delegados teriam maior movimento pela manhã e início da noite.

A importunação de delegados tem ocorrido enquanto manifestações organizadas continuam a atrair milhares de pessoas diariamente. A marcha "Ainda Assim nos Erguemos" de defensores de questões sociais foi pacífica, e a Marcha dos Pobres, uma coluna de vários quarteirões de tamanho, seguiu do prédio da ONU até o Garden na segunda-feira, depois que a polícia decidiu que ela podia prosseguir, apesar dos organizadores não terem obtido um documento de permissão.

A polícia está se preparando para outra série de manifestações não autorizadas nesta terça-feira, que os manifestantes designaram como dia de "desobediência civil não-violenta e ação direta".

Entre os grupos que deverão ser alvo está o encontro da delegação do Tennessee na Sotheby's. Um grupo que chama a si mesmo de Bloco do Homem de Preto planeja fazer um protesto, dizendo estar enfurecido com a intenção da convenção de homenagear o cantor country Johnny Cash, que geralmente se apresentava vestido de preto.

Nesta segunda-feira, Jamie Moran, que mora no Brooklyn e descreve a si mesmo como um anarquista, além de ajudar a dirigir o site rncnotwelcome.org (convenção republicana não bem-vinda), circulou por Times Square com um grupo de manifestantes que gritava contra os delegados. "Estas pessoas estão em uma bolha", disse ele. "Isto é muito melhor do que ficar em pé do lado de fora do Garden e gritar para que saibam que não são bem-vindos aqui."

Enquanto os ônibus chegavam ao Garden na tarde desta segunda-feira, os manifestantes que se reuniram para uma manifestação xingavam e gesticulavam rudemente para eles. Quando a polícia avistou Pete Coors, um candidato republicano ao Senado pelo Colorado, caminhando perto do grupo, ela rapidamente o afastou dali.

Claramente, os manifestantes não se deixaram levar pelos pedidos do ex-prefeito Edward I. Koch para que os nova-iorquinos se comportassem, assim como pela oferta do prefeito Michael R. Bloomberg de dar aos manifestantes pacíficos buttons e descontos em lojas.

Cientes de que os delegados são alvos, os policiais estão protegendo seus hotéis e viajando dentro de seus ônibus fretados pela cidade, e vários receberam escolta policial. Vários policiais foram designados para muitos eventos fora do Garden.

"Nova York é uma fortaleza e eu adoro", disse Joseph Kyrillos, um republicano de Nova Jersey, disse na segunda-feira no café da manhã dos delegados. "Nós temos que agradecer à polícia de Nova York por toda a proteção."

Leonardo Alcivar, um porta-voz da convenção, disse que as autoridades recomendaram que os delegados não respondam aos gritos e provocações, que ele disse que têm sido "poucos e ocasionais".

Ainda assim, ele disse: "Nossos delegados entendem o velho provérbio: faça aos outros como fazem com você". Os encontros mais tensos entre delegados e manifestantes até o momento ocorreram na noite de domingo, quando grandes grupos de manifestantes se deslocaram para o distrito dos teatros enquanto os delegados assistiam peças, segundo acordos fechados pelos planejadores da convenção. Vários manifestantes foram presos por tentarem bloquear as entradas de hotéis e teatros, e foram muitos os confrontos.

Do lado de fora da peça "Bombay Dreams", os manifestantes filmaram e gritaram contra as pessoas que estavam do lado de fora no intervalo.

Em "Aída", um grupo de manifestantes desenrolou uma faixa e gritou para os delegados deixarem a peça. Alguns pareciam nervosos, mas alguns gritaram de volta: "Vocês são doentes, doentes".

Os delegados que faziam fila para assistir "O Fantasma da Ópera" acabaram se envolvendo em um toma lá da cá com os manifestantes. Um manifestante gritou: "O fantasma morre no final".

Flora Rohrs, uma delegada do Colorado, começou a cantar. "Este é meu país", com pedaços de "God Bless America" (Deus abençoe a América) no meio. Ela disse: "O que está acontecendo aqui é que iremos reeleger George W. Bush".

Para alguns, não havia escapatória nem no jantar.

"Uma pessoa se aproximou, disse um palavrão e apontou o dedo na nossa cara", disse Deb Etcheson, uma delegada suplente de Iowa. "Mas eu não culpo os nova-iorquinos. Eu simplesmente amo esta cidade."

Alguns delegados pareciam perplexos, até mesmo magoados, não porque não esperavam a presença de manifestantes aqui, mas porque não esperavam que adotassem um tom pessoal. "Eles estão usando linguagem chula, pegando realmente pesado", disse Kim Kirkwood, uma delegada de Amarillo, Texas. O marido dela, Jim, disse que não conseguia entender, dizendo: "Eu tenho amigos que são democratas no Texas, e nós conversamos sobre as coisas, concordamos em discordar".

O reverendo Lou Sheldon, um delegado de Anaheim, Califórnia, disse que foi recebido por manifestantes do lado de fora do Marriot Marquis Hotel quando chegou, na noite de domingo.

"Eles começaram a gritar: 'Vergonha, vergonha, vergonha'", disse ele.

"É deplorável. Você gasta um valor de X centenas de dólares para vir aqui e tem que passar por isto."

Colaboraram Marc Santora, Mary Spicuzza e Jennifer Steinhauer. Protestos anti-Bush ocorrem durante convenção nacional do partido George El Khouri Andolfato

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