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01/09/2004

Convenção republicana faz aposta na coragem

The New York Times
David Brooks

Colunista do NYTimes
John McCain, Rudy Giuliani e Arnold Schwarzenegger são os grandes astros dos dois primeiros dias da convenção republicana, mas eles não ganharam espaço no horário mais nobre de audiência porque são moderados. Se o Partido Republicano quisesse aparecer sob uma ótica moderada, teria feito um arranjo equilibrado de facções e sexos como em 2000. McCain, Giuliani e Schwarzenegger estão falando porque são corajosos.

Não sei se vocês notaram, mas toda essa campanha girou em torno da coragem. Desde o dia que Howard Dean enfrentou o apático establishment democrata, seguido pela convenção de Kerry saturada pela questão militar, e pelos discursos de McCain e de Giuliani na noite passada, as principais questões dessa corrida presidencial têm sido: Quem tem coragem política? Quem está disposto a lutar? Quem conta com a disposição para liderar em tempos de guerra?

McCain, Giuliani e Schwarzenegger foram exibidos porque encarnam aquele tipo de conservadorismo corajoso que o partido procura projetar desde 11 de setembro. Primeiro, as suas crenças são claras e repletas de autoconfiança.

McCain escreveu que quando estava na prisão aprendeu a confiar no seu próprio julgamento, e que embora tenha cometido erros, estes não ocorreram porque tivesse duvidado de si próprio. Isso porque o primeiro pré-requisito para esse tipo de coragem política é se manter firme em meio a uma saraivada de críticas.

Segundo, eles conhecem suas próprias mentes. McCain vê a si mesmo como um reformista no estilo de Teddy Roosevelt (presidente republicano dos EUA entre 1902 e 1910).

Schwarzenegger possui uma crença inabalável na liberdade econômica. A impressão que se tem é que eles sacrificariam tudo antes de trair essas crenças. Uma das citações favoritas de Giuliani vem de Abraham Lincoln: "Desejo conduzir a minha administração de forma que, se no fim, quando entregar as rédeas do poder, tiver perdido todos os amigos da terra, eu conte pelo menos com um único amigo, e esse amigo estará dentro de mim".

Terceiro, eles são obcecados com a questão do caráter. Quando discutem problemas, falam sobre egoísmo e desonra. O prefeito Giuliani nunca foi tão agressivo como quando alguém violou o seu código de decência. Quando McCain descobre malfeitores corruptos --como aqueles que tramaram um escandaloso contrato de defesa com a Boeing--, cai sobre eles com unhas e dentes e não os deixa escapar.

Finalmente, eles são vivazes em meio à refrega eleitoral. Theodore Roosevelt certa vez declarou, "A luta agressiva pelos direitos é o esporte mais nobre do mundo".

Todos os três se engajam nas suas diversas cruzadas com satisfação. Giuliani tornou Nova York governável ao lançar cruzada após cruzada até que finalmente deixou todos à sua volta exaustos. Se Schwarzenegger convencer o público da forma que o fez no passado, terá provado ser um homem que, longe de se sentir estafado com os problemas das guerras do orçamento, está na verdade colhendo delas mais energia.

Há algo de cavalheiresco e arcaico quanto a essa forma de coragem política. Churchill e Thatcher tinham essa característica, assim como Theodore Roosevelt. Mas atualmente ela é desdenhada nas escolas, onde virtudes mais brandas são mais estimadas.

E as organizações dominadas por certos movimentos, que atualmente monopolizam a nossa política, a detestam. Não é por acaso que Schwarzenegger, McCain e Giuliani são renegados republicanos. Altamente independentes e autoconfiantes, eles são encarados com suspeição pelos outros membros do partido.

Ativistas conservadores chegaram a fazer campanha contra Giuliani durante a disputa pela prefeitura em 1993 porque ele não adotava a "posição correta" com relação ao aborto e outras questões importantes para a agenda conservadora.

Mas apesar de uma geração educada segundo outros padrões, esse tipo de coragem arcaica ainda parece inspirar as pessoas. Essa não é a era dourada da masculinidade, mas Schwarzenegger, Giuliani e McCain são atualmente três das figuras mais populares dos Estados Unidos.

E os três estão aqui em Nova York para dizer que George Bush está travando a guerra contra o islamismo radical com o tipo de tenacidade e de constância típico deles. Porque em última instância eles estão sugerindo que qualquer que tenha sido o erro que cometeu, o presidente possui a coragem necessária, e o seu adversário não.

Se os atentados de 11 de setembro de 2001 não tivessem ocorrido, duvido que McCain, Giuliani e Schwarzenegger estariam assim tão vinculados a George W. Bush. Mas os ataques aconteceram. E quaisquer que sejam as diferenças culturais e pessoais entre eles, os quatro encaram de frente o conflito global contra o islamismo radical.

As próximas semanas serão muito difíceis porque a disputa essencial --da qual a polêmica das lanchas rápidas de combate foi só o início-- dirá respeito a quem realmente possui coragem e determinação e quem é apenas uma farsa que assume uma atitude machista. Característica comum marca McCain, Giuliani e Schwarzenegger

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