UOL Notícias Internacional
 

01/09/2004

Republicanos voltam à compaixão em convenção

The New York Times
Todd S. Purdum

Em Nova York
Diante talvez de uma audiência de televisão três vezes maior do que a que obtiveram seus oradores na segunda, a Convenção Nacional Republicana retomou na noite desta terça-feira (31/08) o tema da campanha do presidente Bush em 2000, o "conservadorismo com compaixão", retratando-o não apenas como obstinado, mas também magnânimo o suficiente para liderar "a luta mais histórica que minha geração já conheceu", como colocou sua esposa, Laura, em comentário pré-redigidos.

Na primeira noite em que as grandes redes realizaram cobertura ao vivo dos procedimentos, o partido ofereceu depoimentos intensos de Arnold Schwarzenegger, o Exterminador do Futuro que se tornou o popular governador republicano da Califórnia; proeminentes republicanos negros como o secretário da Educação, Rod Paige, e o vice-governador de Maryland, Michael Steele; o sobrinho telegênico do presidente, George P. Bush, que é meio-hispânico, e uma série de mulheres republicanas, a principal entre elas a própria Laura Bush.

"Nenhum presidente americano deseja ir à guerra", disse Laura Bush. "Abraham Lincoln não queria ir à guerra, mas ele sabia que ela era necessária para salvar a união. Franklin Roosevelt não queria ir à guerra, mas ele sabia que era preciso para derrotar a tirania. E meu marido não queria ir à guerra, mas ele sabia que a segurança da América e do mundo dependia dela."

Laura Bush, que disse para George W. Bush que se casaria com ele, há quase 27 anos, desde que nunca precisasse fazer um discurso político, prosseguiu fazendo um emotivo, descrevendo seu marido em termos que ele raramente ou nunca aplica, como "lutando com estas decisões agonizantes" sobre a guerra no Iraque.

Ela deu um vibrante endosso do "trabalho de George para proteger nosso país e derrotar o terror, para que todas as crianças possam crescer em um mundo mais pacífico".

Schwarzenegger, cuja vitória na eleição de substituição do ano passado guinou para a direita as habituais políticas partidárias no Estado mais populoso dos EUA, ofereceu aos delegados uma variação de sua famosa frase cinematográfica, declarando, seguindo um texto preparado: "Senhoras e senhores, a América está de volta. De volta do ataque à nossa terra natal, de volta do ataque à nossa economia, de volta do ataque ao nosso modo de vida. Nós estamos de volta devido à perseverança, caráter e liderança do 43º presidente dos Estados Unidos, George W. Bush".

E ele disse: "Para estes críticos que são tão pessimistas quanto à nossa economia, eu digo, não sejam menininhas assustadas com as nossas finanças! A economia americana permanece a inveja do mundo".

Se a segunda-feira foi um tributo à guerra de Bush contra o terror, o segundo dia de convenção se concentrou mais nas questões domésticas defendidas por Bush na campanha de 2000, e orador após orador testemunhou que ele promoveu grandes avanços no cumprimento de suas promessas, e foi à guerra apenas para projetar os mesmos valores de compaixão. Para que o tema positivo não passasse desapercebido por ninguém, os delegados acenavam cartazes se proclamando "Pessoas de Compaixão".

George P. Bush, um dos mais populares substitutos de campanha do tio, especialmente entre os grupos latinos e de imigrantes, falou em inglês e espanhol, dizendo aos delegados: "Nosso partido sempre representou os interesses de todas as pessoas que buscam oportunidades. Nós somos a terra dos empreendedores, homens e mulheres que querem conhecer o orgulho da realização, a honra da auto-suficiência".

Mas a noite não passou sem algumas palavras mais apaixonadas --e confrontadoras. A senadora Elizabeth Dole, da Carolina do Norte, e uma das rivais de Bush pela indicação há quatro anos, apresentou uma defesa sem cerimônia da posição do partido contra o casamento gay, aborto e secularismo, mostrando-se contra a separação entre Estado e religião.

"Dois mil anos atrás um homem disse: 'Eu vim dar a vida e dá-la plenamente'", disse Dole. "Na América, eu tenho a liberdade de chamar tal homem de Senhor, e eu o faço. Nos Estados Unidos da América, nós somos livres para adorar sem discriminação, sem intervenção e mesmo sem juízes ativistas tentando retirar o nome de Deus do Juramento de Fidelidade, do dinheiro em nossos bolsos e das paredes de nossos tribunais. A Constituição garante a liberdade de religião, não liberdade da religião. O direito de adorar a Deus não é algo inventado pelos republicanos, mas é algo que os republicanos defenderão."

O senador Bill Frist, do Tennessee, descreveu o candidato democrata, o senador John Kerry, como "o melhor amigo dos advogados de danos pessoais" e defendeu o esforço republicano para expandir o acesso ao atendimento de saúde, dizendo: "Eu lhes direi qual será a receita do senador Kerry: pegue um punhado de aumentos de impostos e não me telefone pela manhã".

E Steele, o primeiro afro-americano eleito para um cargo estadual em Maryland, se apresentou como a resposta republicana ao orador negro dos democratas, Barack Obama, de Illinois, e empregou palavras ainda mais duras sobre Kerry, que ele notou que "recentemente disse que não quer usar a palavra 'guerra' para descrever nossos esforços para combater o terrorismo".

"Ora, eu não quero usar as palavras 'comandante-em-chefe' para descrever John Kerry", disse Steele em comentários preparados.

Paige ofereceu uma defesa vigorosa da política educacional de Bush, declarando: "Esta eleição pode ser de múltipla escolha, mas só há uma escolha correta. Para seguir adiante, não recuar. Para escolher a compaixão, não o cinismo. Para estabelecer padrões elevados, não buscar o segundo melhor. Para eleger um verdadeiro reformista com resultados comprovados, não um João-qualquer com mais promessas."

Pouco antes das 19h30, os republicanos da Pensilvânia, um Estado indefinido que Bush visitou mais de 30 vezes --com mais freqüência do que qualquer outro presidente-- declararam todos os seus 75 votos a favor de Bush, oficialmente o colocando acima dos 1.255 votos necessários para a indicação.

Duas horas antes, Schwarzenegger lembrou de sua juventude na Áustria, que ainda estava parcialmente ocupada pelos soviéticos, e o temor que sentiu em uma barreira soviética. "Eu era um garotinho, eu não era um herói de ação na época", ele disse. "E me lembro de quanto fiquei assustado com a possibilidade dos soldados arrancarem meu pai ou meu tio do carro e nunca mais vê-los novamente."

Em comparação, ele disse, "neste país, não faz qualquer diferença onde você nasceu. Não faz qualquer diferença quem são seus pais. Não faz qualquer diferença se você é como eu e não consegue falar inglês até estar na casa dos 20 anos. A América me deu oportunidades, e meus sonhos de imigrante se realizaram. Eu quero que outras pessoas tenham as mesmas chances que tive, as mesmas oportunidades. E acredito que elas podem. É por isso que acredito neste partido e por isso acredito neste presidente".

Ele descreveu os Estados Unidos como um país que envia voluntários da Peace Corps. para "ensinar crianças em aldeias", que "dá mais do que qualquer outro país para combater a Aids na África e no mundo em desenvolvimento", e que "luta não pelo imperialismo, mas pelos direitos humanos e a democracia".

Ele lembrou de suas visitas aos soldados americanos feridos nos hospitais do Iraque até a Alemanha para rebater a referência do senador John Edwards, o candidato democrata à vice-presidência, de duas Américas, uma de ricos e outra de pobres. "Eu posso lhes dizer isto: nossos jovens homens e mulheres em uniforme não acreditam que há duas Américas", disse Schwarzenegger. "Eles acreditam que somos uma América unida, e estão lutando por ela."

As pesquisas mostram que Schwarzenegger e Laura Bush são muito mais populares junto aos eleitores por todo o país do que o presidente, e não foi por acaso que foram escolhidos para comandar a apresentação na primeira noite da convenção a ser transmitida para todo o país em horário nobre.

Laura Bush parecia ansiosa em dar a explicação amorosa de uma parceira de vida para o homem que sempre parece se esquivar de explicar a si mesmo.

"Esta noite", disse ela, segundo comentários pré-redigidos, "eu quero tentar responder a pergunta que acredito que muitas pessoas me perguntariam se nos sentássemos para uma xícara de café ou nos encontrássemos em uma loja: você o conhece melhor do que qualquer um, você viu coisas que ninguém mais viu, por que você acha que deveríamos reeleger seu marido como presidente?" Ela respondeu a si mesma dizendo: "Como podem imaginar, eu tenho muito a dizer sobre isto".

Ela prosseguiu descrevendo "algumas noites muito silenciosas à mesa do jantar", telefonemas noturnos com líderes estrangeiros e "um fim de semana intenso em Camp David" com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, enquanto Bush pesava suas opções para confrontar Saddam Hussein.

"E eu estava lá quando meu marido teve que decidir", disse ela. "Novamente, como na geração de nossos pais, a América teve quer fazer árduas opções, decisões difíceis, e liderar o mundo rumo a uma maior segurança e liberdade." Schwarzenegger e Laura Bush estrelam noite mais vista do evento George El Khouri Andolfato

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