UOL Notícias Internacional
 

02/09/2004

Bush deveria ter caçado Bin Laden, afirma Kerry

The New York Times
David M. Halfbinger

Em Nashville, Tennessee
Aproveitando as declarações de Bush, da semana passada --de que cometeu um "erro de cálculo" no Iraque e que duvidava ser possível vencer a luta contra o terrorismo--, o senador John Kerry criticou fortemente à forma como o presidente lidou com ambos. Ele concluiu, nesta quarta-feira (1/9), que o "extremismo ganhou impulso".

"Eu discordo totalmente do que ele disse naquela entrevista em um momento de sinceridade", disse Kerry aos membros da Legião Americana, um dia depois de Bush, diante do mesmo público, ter retirado uma observação anterior de que não achava que os EUA poderiam vencer a guerra ao terrorismo.

"Com as políticas corretas, esta é uma guerra que podemos vencer, é uma guerra que precisamos vencer e é uma guerra que vamos vencer", disse Kerry, virando a mesa sobre o oponente que há muito explora suas declarações mais questionáveis. "Os terroristas vão perder e nós vamos vencer, porque o futuro não pertence ao medo, mas à liberdade."

A Convenção Republicana em curso tenta mostrar Bush como um comandante forte e decidido. Enquanto isso, Kerry disse a milhares de membros da Legião Americana que o erro de cálculo de Bush no Iraque foi bem mais profundo do que subestimar a velocidade com que o país seria pacificado.

"Na verdade, seu erro foi ignorar os conselhos que recebeu, inclusive das próprias Forças Armadas dos EUA", disse Kerry.

"Ninguém nos EUA duvidou do resultado do Iraque ou de que a guerra seria rápida. Ninguém. Mas a certeza de vencer colocou a solene obrigação sobre a presidência deste país de assegurar que houvesse um plano para conquistar a paz."

Kerry, que várias vezes deixou claro que entendia que os erros foram da "liderança civil" e não dos uniformizados, disse que o governo tinha ignorado as advertências militares e os planos civis para o Iraque após a guerra. Ele citou como falhas as fronteiras do Iraque não terem sido fechadas, a transição política ter sido remendada e a responsabilidade não ter sido dividida com a Otan ou com a ONU.

"Como resultado", disse Kerry, "hoje os terroristas encontram um porto-seguro no Iraque, que não havia antes. E nós fomos forçados a entrar em acordo com aqueles que repetidamente atacaram nossas tropas. A violência espalhou-se no Iraque; o Irã expandiu sua influência, e o extremismo ganhou impulso."

Esta foi a primeira vez que Kerry tomou a ofensiva no Iraque desde que Bush desafiou-o, há algumas semanas, a dizer se teria autorizado o uso de força no Iraque mesmo se soubesse de que não seriam encontradas armas de destruição em massa. Kerry disse que teria votado da mesma forma, mas Bush vem usando a declaração como se Kerry tivesse adotado a posição do presidente.

Em Nashville, nesta quarta-feira, Kerry fez firme contestação. "Quando o presidente diz que temos a mesma posição em relação ao Iraque, eu tenho que discordar respeitosamente", disse ele. "Não é que eu teria feito alguma coisa diferentemente --eu teria feito quase tudo diferentemente."

Listando exemplos, Kerry disse que teria enviado as tropas americanas para as montanhas de Tora Bora, para impedir a fuga de Osama Bin Laden, em vez de contar com os afegãos, "que uma semana depois estavam lutando do outro lado."

Ele disse que teria dado aos inspetores de armas no Iraque mais tempo, "não porque isso fosse trazer as armas, mas porque, ao fazer isso, poderíamos ter atraído outros países para o nosso lado." E disse que teria dado ouvidos aos planejadores civis e militares.

"Se tem uma coisa que aprendi em meu tempo de serviço, uma época difícil, como todos sabemos, foi que nunca entraria em guerra sem um plano de paz", disse Kerry sob aplausos. Um homem levantou-se para aplaudir --foi o mais perto que chegou de ser aplaudido de pé.

De fato, os assessores de Kerry tinham descrito este evento como entrar na jaula do leão. Quando discursou para o grupo de Veteranos de Guerras Estrangeiras, Kerry foi várias vezes interrompido, e seus assessores disseram que a Legião era um grupo ainda mais conservador.

Mas depois de subir ao palco com o ex-senador e astronauta John Glenn ao seu lado --um escudo garantido contra vaias-- Kerry foi recebido por um público caloroso, quase entusiástico. Ele conseguiu aplausos freqüentes e educados, particularmente quando criticou Bush por ter dito, na terça-feira: "Estamos cuidando de nossos veteranos."

Kerry disse que, com centenas de milhares de veteranos excluídos do sistema de saúde do Departamento de Veteranos, seus hospitais sendo fechados e as taxas de pagamento pelos segurados subindo, "apenas dizer que estamos cuidando de nossos veteranos não faz disso realidade."

Roger Norfolk, 51, major aposentado de Marion, Iowa, disse que votara em Bush em 2000 e tinha dúvidas quanto a Kerry, mas tinha ouvido o suficiente dos dois nesta semana para ficar indeciso.

Ele ficou contente de saber que Kerry acrescentaria 40.000 soldados ao Exército, para aliviar a carga da Guarda Nacional e dos reservistas. "Compreendo o estresse que meus soldados ainda estão passando", disse Norfolk.

Outros ficaram em silêncio durante o discurso de Kerry. Um deles foi Thomas Davis, de Cheasapeake Beach, Maryland, que disse que serviu no Exército na Coréia e na Alemanha, em meados dos anos 60, e ficou irritado com o testemunho de Kerry contra a guerra em 1971.

"Seu problema era com o governo, não com os veteranos --mas ele misturou tudo", disse Davis. Em discurso a veteranos, democrata diz que faria tudo diferente Deborah Weinberg

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