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02/09/2004

Quem valorizar a própria base vencerá a eleição

The New York Times
William Safire

Colunista do NYTimes
A presença de John McCain no palco foi poderosa, e sua mensagem de não-desculpas foi ao cerne da questão nesta campanha: a guerra contra o terror está sendo lutada por uma causa nobre, e o candidato com maior probabilidade de perseverar nela é George W. Bush.

Falando para alguns jornalistas em sua festa de aniversário na noite anterior, o homem de maior credibilidade dos Estados Unidos deixou claro que seu apoio inequívoco a Bush não é mera "oratória de campanha", na frase de Wendell Willkie. Ele está certo de que seu ex-rival tem coragem e força para levar a guerra até o fim, e não pode ter certeza de que seu amigo do Senado, John Kerry, tivesse a decisão executiva necessária.

Como um cínico da mídia de carteirinha, perguntei a mim mesmo: seria essa lealdade partidária uma trama hábil para se posicionar à frente de uma chapa McCain-Rudy Giuliani em 2008, capaz de vencer uma combinação bipartidária Hillary Clinton-Colin Powell?

Não. O cinismo não tem lugar com McCain; ele é o atirador mais preciso na política americana, especialmente interessante porque dispara em todas as direções.

A importância de um McCain entusiástico --reforçado pelo alegremente combativo Giuliani e o "exterminador" da corrente-dominante Arnold Schwarzenegger-- é a aura centrista que o trio de astros republicanos dá à chapa Bush-Cheney.

Mas a grande pergunta política é: esses linhas-duras da política externa estão se enfeitando para dar a impressão de uma grande tenda republicana, ou sua popularidade pressagia um movimento real em direção ao centro libertário? Para responder a isso, vá primeiro a uma pergunta mais profunda sobre a estratégia fundamental de Bush.

Ela quer animar os fiéis, revelar os verdadeiros crentes (eu rejeito o clichê "energizar a base"), assim atraindo para as urnas supostos 4 milhões de evangélicos e defensores das questões sociais que deixaram de comparecer na última vez?

Ou o plano mestre de Karl Rove é dar à direita dos temas sociais e aos falcões do déficit um pouco de carne vermelha de vez em quando --uma emenda constitucional proibindo o casamento gay, uma promessa de reduzir pela metade o déficit no próximo mandato--, enquanto enfatiza os fortes gastos em medicamentos sob prescrição, o programa educacional "Nenhuma Criança Deixada para Trás" e outras evidências de conservadorismo compassivo? Isso atrairia o centro, o "eleitor oscilante".

Para responder a isso, precisamos ir a uma pergunta ainda mais profunda. O eleitorado está dividido pela metade --também abandonei "polarizado"--, como indicou a eleição apertada de 2000 e as pesquisas estão nos dizendo? Ou ainda existe um voto oscilante, a legião habitual de indecisos e dos que mudam de idéia, para quem deve ser feito o apelo político nos últimos meses?

Esses oscilantes, se ainda existem, não são os politicamente inertes exemplificados pelo legendário crítico que disse: "Eu nunca voto --isso só os encoraja". Pelo contrário, são o que os estrategistas de ambos os partidos secretamente chamam de "os inconfiáveis": apoiadores em certos momentos que podem ser convencidos a votar se você aplacar sua culpa enquanto os arrasta para as urnas.

Muitos pesquisadores e chupadores de dedo insistem que os inconfiáveis são menos de 5% em uma corrida próxima demais do empate. Se fosse assim, a estratégia mais sábia seria concentrar-se em sua própria base.

Mas, em minha investigação rasa entre freqüentadores da convenção esta semana, o conservador Alan Simpson e o liberal Mario Cuomo concordaram: talvez até 20% dos eleitores registrados ainda sejam modificáveis ou motiváveis. Eu concordo com sua análise antiquada e do contra.

Se essa pesquisa antiquada estiver correta, isso explicaria não apenas a pose totalmente guerreira de Kerry em Boston, mas o movimento de Bush para o centro em Nova York. Por enquanto ele está preso a seu compromisso sobre células-tronco. Também não pode mudar sobre o casamento gay; a votação de 71% contra no Missouri torna impossível qualquer modificação de seu apoio a uma emenda constitucional, mas a dissidência de Dick Cheney abranda a posição do governo, e poucos pensam que uma emenda seria aprovada.

Portanto, vemos o abraço relutante da plataforma republicana à situação jurídica para imigrantes ilegais defendida por Bush (nenhum ousa chamá-la de anistia, mas o voto hispânico precisa ser conquistado), assim como o destaque para moderados linha-dura como McCain, Giuliani e Schwarzenegger.

Tentar alcançar o meio, ou aumentar a força dos temas sociais? Bush será decisivo sobre exportar liberdade, conter os impostos e dar poder aos indivíduos. Eleitores indecisos não são apenas indecisos: são inconfiáveis Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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