UOL Notícias Internacional
 

02/09/2004

Republicanos imitam democratas em convenção

The New York Times
Todd S. Purdum

Em Nova York
Na política, como no beisebol, é melhor ser o último a jogar. Os Republicanos usaram sua Convenção em Nova York nesta semana para dar um troco a quase tudo que os Democratas disseram e fizeram em Boston, no mês passado. Uma interpretação política daquele velho ditado: "Qualquer coisa que você faça, posso fazer melhor."

Então os Democratas convidaram Max Cleland e um bando de veteranos condecorados do Vietnã, ex-almirantes e generais? Os Republicanos têm John McCain, prisioneiro de guerra do Vietnã, e o general Tommy Franks, que liderou a marcha americana para Bagdá.

Eles tinham o astro de rock político Bill Clinton? "Hasta la vista, baby!" os elefantes têm um astro do cinema político, Arnold Schwarzenegger.

Os Democratas tinham um representante negro em ascensão, Barack Obama, candidato ao Senado por Illinois? A resposta dos Republicanos foi o vice-governador de Maryland Michael Steele, primeiro afro-americano a ser eleito governador.

John Kerry foi castigado por andar de bicicleta no setor soviético de Berlim, após a guerra? Schwarzenegger temeu que seu pai e tio fossem arrancados do carro, na zona soviética da Áustria.

Acima de tudo, se os Democratas apresentaram um candidato à presidência, os Republicanos contaram com o próprio presidente. Quando George W. Bush subir ao palco, no Madison Square Garden, na quinta-feira à noite, provavelmente dará sua própria resposta retumbante à oposição de Kerry.

"Nossa equipe começou a trabalhar no programa da convenção muito antes da Convenção Democrata. Mas certamente, há sempre uma vantagem em ser o segundo. É claro que assistimos com atenção. Sempre se aprende", disse Nicolle, Devenish, diretora de comunicações da campanha de Bush, que não conseguiu suprimir um riso ou outro quando um repórter ligou para perguntar sobre as comparações.

John P. Feehery, porta-voz do orador da Câmara Dennis Hastert, admitiu a competição: "O que os Democratas fizeram foi absorvido. Instintivamente, aproveitamos a chance para responder agora".

Algumas das similaridades de texto foram sutis e pareciam provocadoras.

A extrovertida Teresa Heinz Kerry, elogiou seu marido, declarando: "Nesta altura, acho que ninguém se surpreende que eu tenha algo a dizer." A quase sempre reticente Laura Bush defendeu a reeleição de seu marido e disse: "Como vocês podem imaginar, tenho muito a falar sobre isso."

Outros tentaram transmitir o mesmo tipo de sonho.

Obama falou de si mesmo como "um garoto franzino, com um nome engraçado, que acredita que os EUA têm um lugar para ele também". Schwarzenegger disse: "Em pensar que um rapaz mirrado da Áustria poderia tornar-se governador da Califórnia e falar no Madison Square Garden em nome do presidente dos EUA: esse é um sonho de imigrante."

Outras tentativas produziram claros contrastes.

Comedidas, Vanessa e Alexandra Kerry contaram como seu pai salvou um hamster de estimação. As gêmeas de Bush, Jenna e Barbara, mais jovens e recém saídas da faculdade, riram do pai ao estilo de "Saturday Night Live". Séria, Barbara disse: "Nós também tivemos um hamster. Digamos que o nosso não sobreviveu."

Ao menos dois dos palestrantes tinham o mesmo nome, mas falaram de assuntos completamente diferentes. Ron Reagan instou os Democratas a "votarem pela pesquisa de células-tronco", que poderia trazer esperanças para doenças como Alzheimer.

Por outro lado, seu irmão adotivo, Michael, apresentou um vídeo em tributo ao seu pai, na quarta-feira à noite, declarando: "Minha mãe, pai e mãe de nascimento eram a favor da vida e da adoção. Assim, meu pai me deu à Reagan. Passei a honrar meu pai, e não a politizar seu nome."

Alguns palestrantes simplesmente refletiram as diferenças grandes e reais entre as duas chapas. A promessa do senador John Edwards de "levantar as pessoas" encontrou eco na declaração do vice-presidente Dick Cheney, no discurso da noite passada: "Na história deste país, as pessoas foram capazes de sonhar grande, confiando que o sonho se tornaria realidade". No entanto, o ar experiente e grisalho de Cheney contrastou duramente com a estréia animada e o rosto fresco de Edwards.

Devenish disse que a equipe de Bush também procurou evitar alguns erros óbvios da operação dos Democratas em Boston. Tentou, por exemplo, evitar as surpresas diárias na arrumação e montar eventos concomitantes durante o dia, para manter as redes de televisão a cabo com material até o início das sessões noturnas, e fazer um esforço maior de crescer para o clímax, na quinta-feira, com uma série de dias temáticos coordenados, como o de "compaixão", na terça-feira.

"Os objetivos foram diferentes", disse ela. "Eles queriam passar uma imagem de seu candidato como 'líder forte'. Nós temos um objetivo mais amplo. Queremos unir o país em torno da agenda de conservadorismo piedoso e homenagear a coragem da nação no 11 de setembro. Cada dia traz uma plataforma sobre a qual o presidente falará na quinta-feira, expondo sua visão do segundo mandato."

Um dos palestrantes foi um contraste ambulante: o senador Zell Miller, Democrata da Geórgia. Ele fez um dos principais discursos da convenção democrata que nomeou Bill Clinton, no Madison Square Garden, há 12 anos. Agora, está tão descontente com a postura de seu partido na defesa e em outras questões que, na quarta-feira à noite, fez o mesmo para Bush.

"Eles não acreditam que haja qualquer perigo real no mundo, exceto aquele que os EUA atraem por meio de sua política externa atrapalhada", disse ele de seus colegas Democratas, em um texto que parecia responder à afirmativa de Kerry em seu discurso de aceitação, de que "há uma forma certa e uma forma errada de ser forte".

Há ao menos um elemento da convenção em Boston que os Republicanos claramente esperam que não se repita: a queda dos balões no final. Em vez de caírem em cascata, os balões vermelhos, brancos e azuis voaram juntos.

A porta-voz de Kerry, entretanto, Stephanie Cutter, deixando claro que estava falando em espírito de humor, também foi espirituosa.

"Se eles vão continuar nos imitando, então acho que isso significa que George Bush vai subir lá na quinta-feira e dizer: 'Sou George Bush, e finalmente estou me apresentando para serviço' e, depois, os balões não vão cair." Partido de Bush quer convencer que é melhor copiando seu rival Deborah Weinberg

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