UOL Notícias Internacional
 

03/09/2004

Bush e Cheney são mentirosos inaptos, diz Kerry

The New York Times
Michael Janofsky, em Norristown, Pensilvânia e

David M. Halbfinger, em Nantucket, Massachusetts
Contra-atacando seus rivais republicanos, o senador John Kerry chamou o presidente Bush de "inapto a liderar esta nação" por "ter enganado" os americanos para ir à guerra no Iraque, e acusou Bush e o vice-presidente Dick Cheney de terem se esquivado de ir ao combate durante a Guerra no Vietnã.

"Durante a última semana, eles atacaram meu patriotismo e minha capacidade de servir como comandante-em-chefe", disse Kerry em comentários preparados divulgados na noite desta quinta-feira (2/9), enquanto Bush estava prestes a aceitar a indicação republicana para um segundo mandato.

"Bem, aqui está minha resposta", disse Kerry. "Eu não terei meu compromisso de defender este país questionado por aqueles que se recusaram a servir quando puderam e por aqueles que enganaram o país para ir ao Iraque."

Cheney concluiu uma semana de ataques contra o caráter de Kerry e suas credenciais de segurança nacional na convenção republicana, na noite de quarta-feira, dizendo que respeita o serviço de Kerry no Vietnã, mas que seu histórico de 20 anos de votações em questões de política externa e defesa o tornavam inapto a ser presidente.

Em seu discurso, Kerry contra-atacou duramente Cheney.

"O vice-presidente até mesmo me chamou de inapto para o cargo na noite passada", disse Kerry. "Eu acho que deixarei para os eleitores decidirem se cinco adiamentos tornam alguém mais qualificado para defender o país do que servir duas vezes em combate."

Cheney recebeu cinco adiamentos e não serviu nas forças armadas. Bush serviu na Guarda Nacional Aérea no Texas.

"Me permitam dizer o que acho que torna alguém inapto a servir", disse Kerry, voltando sua mira para Bush. "Enganar nosso país para ir à guerra no Iraque torna a pessoa inapta para liderar esta nação. Não fazer nada enquanto esta nação perde milhões de empregos torna a pessoa inapta a liderar esta nação. Deixar 45 milhões de americanos sem atendimento de saúde torna a pessoa inapta a liderar esta nação."

"Permitir que a família real saudita controle nossos custos de energia torna a pessoa inapta a liderar esta nação", continuou Kerry. "Conceder bilhões em contratos do governo para a Halliburton enquanto ainda se está folha de pagamento dela torna a pessoa inapta."

"Este é o histórico de George Bush e Dick Cheney. E não vai mudar", disse ele. "Eu acredito que é hora de conduzir a América em uma nova direção. Eu acredito que é hora de estabelecer um novo curso para a América."

Steve Schmidt, um porta-voz da campanha de Bush, chamou o discurso de "outro exemplo de John Kerry tentando dividir a América em torno do passado".

"O contraste entre a visão otimista e esperançosa para o futuro, exposta em seu discurso de aceitação (de indicação), e a política de raiva e pessimismo de John Kerry ficará bem claro para o povo americano", disse ele.

O discurso de Kerry foi divulgado pouco antes dele partir para realizar um comício à meia-noite em Springfield, Ohio, acompanhado de seu companheiro de chapa, o senador John Edwards, da Carolina do Norte.

Nesta quinta-feira, Edwards acusou os rivais de Kerry de o estarem atacando porque realizaram muito pouco que seja digno de se celebrar.

"Eu posso entender o motivo do vice-presidente ter passado tanto tempo falando sobre John Kerry", disse Edwards em um animado comício de campanha em Norristown, Pensilvânia. "É porque ele não quer falar sobre o que fez nos últimos quatro anos."

Edwards, que fez campanha durante grande parte da semana em áreas que estão sofrendo depressão econômica na Virgínia Ocidental e Pensilvânia, iniciou a resposta à convenção republicana em seu hotel na Filadélfia, no fim da noite de quarta-feira, emitindo uma declaração dizendo: "Há muito ódio vindo daquele palco".

Logo após as 5h de quinta-feira, ele já dava continuidade à resposta, em entrevistas de campanha requisitadas na NBC, CBS, ABC, CNN e Fox, apresentando em cada uma virtualmente a mesma avaliação dos discursos republicanos da noite anterior.

Os ataques de Cheney e Miller foram "muito exagerados", ele disse à Fox, e repletos de "uma quantidade enorme de raiva", ele disse à ABC. Na CNN, ele disse: "Se você se levantou para pegar uma Coca Diet na geladeira, você provavelmente perdeu qualquer menção sobre o que farão sobre o atendimento de saúde, o que farão sobre os empregos, o que planejam fazer a respeito desta confusão no Iraque".

Ele disse à CNN que muitas das acusações feitas por Cheney e Miller contra Kerry foram "extremamente equivocadas", acrescentando: "É triste, diante das circunstâncias, saber que é isto o que os republicanos optaram por dizer nesta convenção".

Posteriormente, em um centro recreativo comunitário, Edwards disse que "a raiva que ouvimos do vice-presidente não vai mudar este país ou fará o que precisa ser feito para a América".

"Com toda a raiva e veneno que vimos direcionados a John Kerry, eu gostaria de ter visto um pouco de raiva pelas milhões de pessoas que perderam seu atendimento de saúde", disse ele. "E quanto a um pouco de raiva pelos quase 2 milhões de pessoas que perderam seus empregos no setor privado?"

Mesmo com o público no comício o interrompendo com vivas e aplausos, ele disse ao público repetidas vezes que ele e Kerry têm melhores idéias para criação de empregos e expansão do atendimento de saúde do que o governo Bush.

Ele também implorou para o público que lembrasse do tom menos estridente apresentado no mês passado pelos democratas em sua convenção, e que o comparassem ao que assistiram na noite de quarta-feira.

Mas quando Edwards convidou membros do público a fazerem perguntas, um homem sugeriu que a campanha democrata é muito tímida, uma crítica que muitos democratas por todo o país estão começando a fazer.

"Vocês estão enfrentando os lutadores mais sujos no mundo", disse o homem. "Se eles o atingem, você precisa atingi-los dobrado. Como vocês vão lidar com isto nos próximos dois meses?"

"Há uma diferença entre como você luta e para quem você está lutando", disse Edwards, escolhendo cuidadosamente suas palavras --poucas horas antes da divulgação do forte discurso de Kerry.

"É uma coisa se envolver em muitos ataques pessoais, alguns dos quais nós vimos na noite passada", disse Edwards. "Outra coisa é lutar dando tudo de si pelo povo americano e pelas pessoas em quem você acredita." Democrata responde rapidamente aos ataques dos republicanos George El Khouri Andolfato

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