UOL Notícias Internacional
 

03/09/2004

Republicanos não têm o que mostrar, diz Edwards

The New York Times
Michael Janofsky

Em Norristown, Pensilvânia
Atingidos pelas críticas disparadas na convenção Republicana pelo vice-presidente Dick Cheney e até por um correligionário dissidente, o senador Zell Miller, do Estado da Geórgia, os Democratas contra-atacaram nesta quinta-feira (2/9). Eles dizem que os adversarios Republicanos estão atacando o senador John Kerry porque na verdade não têm muitas realizações para festejar.

"Eu posso entender porque o vice-presidente gasta tanto do tempo dele falando sobre John Kerry", disse o companheiro de chapa de Kerry, senador John Edwards, num animado comício de campanha num dos subúrbios da cidade de Filadélfia. "É porque ele não quer falar sobre o que eles fizeram nos últimos quatro anos".

Edwards, que durante a semana fez campanha em regiões atingidas por depressão econômica nos Estados da Virgínia Ocidental e da Pensilvânia, assumiu a liderança dos Democratas na resposta aos ataques. Ele começou seu esforço de contra-ofensiva tarde da noite na quarta-feira, de seu hotel em Fladélfia, declarando, após os discursos dos Republicanos, que "havia muito ódio vindo daquele palanque".

Logo depois das 5h desta quinta-feira, Edwards voltava à carga, em entrevistas solicitadas pelos organizadores da campanha às redes NBC, CBS, ABC, CNN e Fox. Em cada uma dessas entrevistas, o candidato à vice-presidência retomava a mesma avaliação dos discursos republicanos da véspera.

Os ataques vindos de Cheney e do democrata dissidente Miller foram "ultrajantes", ele disse ao canal Fox, e recheados de "uma quantidade enorme de ódio", falou Edwards à ABC. Para a CNN, ele ironizou: "Se você levantasse para pegar uma Diet Coke na geladeira, perderia toda a discussão sobre o que eles farão em relação à saúde pública, sobre os empregos e sobre o que pretendem fazer em relação a essa bagunça no Iraque".

Edwards também disse à CNN que muitas das acusações feitas por Cheney e Miller contra Kerry eram "absurdamente imprecisas", acrescentando: "É uma lástima que, sob as atuais circunstancias, isso seja o que os republicanos têm a dizer nessa convenção".

Poucas horas depois, Edwards persistiu nessa linha de argumentação diante de uma platéia animada, formada por centenas de pessoas num centro de recreação comunitária em Norristown, setor industrial num distrito que ambos os partidos consideram essencial para terem chances de vencer na Pensilvânia, um estado essencial na disputa do colégio eleitoral.

"A verdade é que todo esse ódio vindo do senador Miller, e esse ódio vindo do vice-presidente, nada disso vai mudar esse país ou vai mudar o que é necessário fazer para os Estados Unidos", disse Edwards, ovacionado no comício.

"Com todo esse ódio e venalidade dirigidos contra John Kerry, eu gostaria que víssemos também alguma indignação em relação às milhões de pessoas que perderam o seguro-saúde. Que tal alguma indignação em relação a quase duas milhões de pessoas que perderam empregos no setor privado?"

Edwards falou com moderação no comício, mesmo quando incentivado pelos gritos e aplausos vindos da platéia. Sorriu bastante, e mesmo em pleno contra-ataque teve cuidado de inserir suas falas mais contundentes no contexto mais amplo da campanha. Por várias vezes disse à multidão que ele e Kerry têm idéias melhores que o governo Bush para criar empregos e expandir a assistência médica.

O candidato á vice-presidência também pediu ao público que lembrasse do tom menos estridente utilizado pelos Democratas na sua convenção em julho, e que comparassem essa atitude com o que viram na televisão quarta-feira à noite.

Mas quando Edwards convidou pessoas da platéia a formular perguntas, um homem sugeriu que os Democratas estavam muito tímidos na campanha. Essa é uma crítica que muitos Democratas começam a levantar em todo o país.

"Vocês estão enfrentando os adversários mais sujos que poderiam encontrar em todo o mundo", disse o homem da platéia. "Se eles lhe atingem, cabe a você devolver com o dobro. Como você irá lidar (com essa agressividade) nos próximos dois meses?"

"Existe uma diferença entre a maneira como você luta e a pessoa contra quem você luta", Edwards respondeu, cuidadoso com as palavras. "Uma coisa é se envolver numa série de ataques pessoais, como algumas coisas que vimos na noite passada. Outra coisa é lutar para defender tudo o que você pode propiciar ao povo americano e às pessoas em quem você acredita". Para o candidato a vice de John Kerry, esse é o motivo dos ataques Marcelo Godoy

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