UOL Notícias Internacional
 

03/09/2004

Republicanos tentam disparar após a convenção

The New York Times
Robin Toner e

Jodi Wilgoren

Em Nova York
Os Republicanos terminaram sua convenção nesta quinta-feira (2/9) em tom confiante e otimista. Eles acreditam que enquadraram o debate para a campanha no outono em torno das forças do presidente Bush, o homem certo para os tempos de guerra --e que tiveram sucesso em gerar dúvidas suficientes sobre o senador John Kerry, com ataques cortantes que o acusaram de indeciso e liberal demais para liderar o país.

Os Democratas prometeram se recuperar dos ataques de agosto e voltarem a atenção do público para a economia. Eles lançarão nova campanha de propagandas agressivas, ressaltando a incapacidade "de Bush em fazer promessas específicas" nos setores de saúde e de criação de empregos. Kerry também fez novo ataque, na noite de quinta-feira, aos que "se recusaram a servir quando podiam" e "que levaram a nação enganada para o Iraque".

Até que saiam os resultados das pesquisas de opinião pós-convenção, ninguém saberá quanto terreno os Republicanos ganharam, ou quanto tempo suas conquistas vão durar, em uma disputa essencialmente empatada há meses. Os eleitores tornaram-se tão polarizados, que alguns especialistas argumentam que as convenções servem mais para reforçar a opinião dos decididos do que converter os indecisos.

Ainda assim, os estrategistas Republicanos conseguiram estabelecer os termos do debate, forçando Kerry não só a defender suas credenciais de segurança, mas também a fazer um ataque duro e potencialmente arriscado a Bush e ao vice-presidente Dick Cheney, antes mesmo de os Republicanos deixarem Nova York.

Os Republicanos claramente concluíram que valeu a pena fazer a convenção a quilômetros de onde ficavam as torres gêmeas, fazê-la extraordinariamente tarde no ano e usá-la para pintar Bush como comandante testado para épocas perigosas, cuja alternativa não é confiável.

Os assessores de campanha de Bush disseram que entraram na convenção em melhor forma do que esperavam --empatados com Kerry em várias pesquisas, em vez de atrás-- e esperavam ganhar um impulso adicional com a ostentação dos últimos quatro dias.

"Ainda acho que estaremos muito próximos, mas só saberemos daqui a alguns dias", disse Matthew Dowd, principal estrategista de Bush. Ele acrescentou cautelosamente que "é uma possibilidade distinta" que Bush comece as últimas semanas de disputa na frente.

Mark Mellman, que faz pesquisas de opinião para Kerry, concordou. "Bush tem muito espaço para crescer e achamos que isso vai acontecer", disse ele. "Toda vez que o presidente fala ao país --com uma exceção recente-- eles têm um impulso". Mas, acrescentou: "Acho que vão ter um grande salto, mas em algumas semanas estaremos novamente quase empatados."

Desde o início, os Democratas esperavam ataques dos Republicanos ao estilo do que fizeram nesta semana. Por isso mesmo, dedicaram sua convenção em Boston a apresentar Kerry como um herói de guerra condecorado, com a força e a coragem para ser presidente.

Na época, os estrategistas de Kerry indicaram que a convenção permitiria que seu candidato cruzasse uma linha crítica e fosse visto como possível chefe das forças armadas, permitindo que, em agosto, mudasse o foco para o assunto de políticas internas.

Os Democratas, historicamente, têm vantagem em questões como saúde e empregos. Além disso, consideram Bush particularmente vulnerável nesses itens, dadas as dificuldades econômicas e o desemprego dos últimos anos. Kerry, entretanto, foi prejudicado pelos ataques infundados de um grupo de veteranos conservadores do Vietnã, no mês passado. E muitos Democratas agora olham para traz e vêem sua própria convenção como uma oportunidade perdida de começar o debate sobre as questões internas --e não só de ficar na defesa da segurança nacional.

O alto comando da campanha de Kerry, consciente das novas dúvidas e suspeitas, defendeu suas decisões estratégicas nesta quinta-feira, dizendo que a luta acabara de começar.

"Se você quer que uma convenção ou um anúncio de televisão de 30 segundos façam tudo, você não consegue nada", disse Tad Devine, assessor de Kerry. "Acho que é por isso que tivemos uma convenção boa. Se tivéssemos que voltar atrás e fazer os quatro dias novamente, acho que mudaríamos muito pouco."

Devine também disse que Kerry não ia responder às duras críticas ponto por ponto, mas prometeu: "Haverá safanões e desafios. Questionaremos o presidente em relação as suas políticas."

A reação começou nesta quinta-feira, quando o alto comando da campanha de Kerry fez uma incursão incomum em território inimigo. Os Democratas em campanha desembarcaram em Nova York para mostrar sua estratégia para as últimas semanas de campanha aos repórteres políticos que cobriam a convenção Republicana, que eles chamaram de festival de ódio. "Acho que os ataques pessoais são realmente fora do limite", disse Mary Beth Cahill, gerente de campanha de Kerry. "Estão desagradando os eleitores."

Cahill, ressaltou, na manhã de quinta-feira, que essa disputa está de fato recomeçando. Kerry está preparado para responder ao que ele chamou de distorções e raiva, em uma excursão de comícios que começa à meia-noite em Ohio. Ele planeja contrastar seu próprio histórico, como veterano do Vietnã, com o de Cheney, que não serviu o exército, e dizer que Bush não é apropriado para o Escritório Oval pela forma como lidou com o Iraque e a economia.

Houve outra falta na convenção Democrata. O fato de dedicar pouco tempo aos 20 anos de Senado de Kerry deu aos Republicanos um espaço em branco para preencher nesta semana. Um após o outro, os oradores subiram ao palco da convenção Republicana para criticar os votos de Kerry em política externa e interna, que chamaram de liberais e radicais.

Os Democratas afirmaram na quinta-feira que a convenção de Bush era tão negativa que provavelmente não agradaria aos eleitores indecisos, que geralmente não gostam de política partidária.

Para Dowd, estrategista de Bush, a convenção dos Democratas "não disse nada de novo" sobre Kerry, e não conectou as propostas de Kerry com seu histórico na vida pública. "Era como se estivesse dizendo: 'Servi no Vietnã e posso resolver a saúde'", disse Dowd.

Além disso, os assessores de Bush dizem que sua convenção foi um equilíbrio cuidadoso entre moderados e conservadores, passado e futuro, ataques a Kerry --ou, como eles chamam, "contrastes"-- e apresentações de conquistas de Bush. Eles disseram que tudo isso foi colocado no contexto dos desafios extraordinários que enfrenta a nação, desde quando os terroristas atingiram o World Trade Center e o Pentágono.

Na noite de quinta-feira, Bush tentou voltar-se para os próximos quatro anos, em um discurso diante de seu maior público. Se o senador Zell Miller, Democrata da Geórgia, e Cheney animaram a base Republicana, na quarta-feira à noite, o presidente tentou apresentar uma visão positiva para o centro político.

Seguindo a dica de Kerry, o comitê de Bush lançou seu próprio livro, na quinta-feira, chamado "A Plan for a Safer World and More Hopeful America" (um plano para um mundo mais seguro e os EUA mais esperançosos).

O livro e o discurso mostraram Bush como um líder sensível para uma economia em mudança --um homem que pensa sobre horário de trabalho flexível para pais, treinamento para os que querem progredir, contratos de saúde mais flexíveis e aposentadoria. "Estamos fazendo progresso, e há mais a fazer", disse ele em seu discurso preparado.

Apesar de toda a euforia Republicana, o público decrescente das convenções --junto com o eleitorado intensamente polarizado-- fez com que muitos analistas questionassem qual diferença faz uma convenção, hoje em dia. Geoffrey Garin, Democrata analista de pesquisas de opinião, disse: os indecisos "não são pessoas que acompanham convenções. Por definição, não têm partido e não acham que esses eventos partidários foram feitos para eles."

De fato, muitos dizem que esses eleitores não vão começar a pensar no assunto até os debates. Um estrategista Republicano, falando sob condição de anonimato, sugeriu que o favoritismo atualmente mudava rapidamente: "Os Republicanos não vão se sentir tão bem na próxima semana. Cuidado com a bolha." Partido de Bush faz maratona para aproveitar exposição na mídia Deborah Weinberg

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