UOL Notícias Internacional
 

04/09/2004

Flórida prevê impacto maciço do furacão Frances

The New York Times
Felicity Barringer e

Joseph B. Treaster

Em Orlando, Flórida
O furacão Frances engoliu as Bahamas nesta sexta-feira (3/9), deixando pelo menos um morto antes de se deslocar, cada vez mais lentamente, em direção a uma Flórida ansiosa, onde 2,5 milhões de pessoas --quase 15% da população do Estado-- foram pressionadas a deixar as suas residências.

A espera angustiada por esse furacão da largura do Texas, com ventos ferozes de 184 km/h, fez com que se esvaziasse grande parte das costas central e sul do Estado, de West Palm Beach até Daytona Beach. E instalações famosas, como o Centro Espacial Kennedy e a Disney World fecharam as suas portas para clientes e funcionários.

O meteorologista estadual Ben Nelson disse nesta sexta-feira que a tempestade deve atingir a Flórida na manhã de sábado, provavelmente entre West Palm Beach e Fort Pierce.

Com cerca de cinco vezes da largura e um terço da velocidade do furacão Charley, a nova tempestade, que atualmente é classificada como um furacão da categoria três, poderá causar enchentes suficientemente graves para resgatar memórias do furacão de 1928, uma tempestade lendária no Estado por ter rompido a represa do Lago Okeechobee, e causado mais de 1.800 mortes.

Nelson calcula que entre 25 cm e 38 cm de chuva cairão sobre uma faixa com largura de 97 quilômetros em torno do olho da tempestade, que, segundo as autoridades, é suficientemente grande para provocar inundações urbanas e problemas nas represas particulares de menor porte.

Um porta-voz da Agência de Controle de Água do Sul da Flórida disse que todas as 127 bombas e comportas do sistema de lagos e canais que se estendem pela região ao norte do Lago Apopka têm operado dia e noite nos últimos quatro dias para remover o excesso de água causado pelas chuvas do último furacão, que fez com que vários lagos transbordassem, não tendo comprometido, entretanto, o Lago Okeechobee.

O nível da água na barragem de dez metros de altura Herbert Hoover, construída um ano após o furacão devastador, está pelo menos cinco metros acima do normal, segundo o porta-voz Roberto Fabricio.

"Essa tempestade vai gerar todo tipo de fenômeno", advertiu Cragi Fugate, diretor da Divisão de Gerenciamento de Emergência da Flórida. "Haverá inundações, ventos violentíssimos por um certo período e chuvas torrenciais. Surgirão também tornados".

O Aeroporto Internacional de Orlando fechou na sexta-feira ao meio-dia. A Base Aérea Patrick foi evacuada e seus 10 mil militares e civis, com os seus veículos utilitários esportivos rumando para a Base Aérea MacDill, no oeste da Flórida, engrossaram o êxodo da população e se juntaram à caça à gasolina, que desapareceu dos postos ao longo da rota de fuga. Várias prisões também foram evacuadas, e mais de 3.400 detentos precisaram ser transferidos para instituições mais seguras.

A tempestade se arrastou lentamente na sua rota para o noroeste através de um conjunto de 700 ilhas das Bahamas desde que atingiu os arquipélagos adjacentes de Turks e Caicos, onde tocou pela primeira vez a terra na quarta-feira.

A velocidade do furacão diminuiu para cerca de 14 km/h em certos pontos da Bahamas, contrastando bastante com o ritmo do furacão Charles, que atingiu a região central da Flórida há três semanas com velocidades de até 48 km/h.

O Frances pairou sobre a Ilha New Providence, onde fica Nassau, e sobre outras ilhas do arquipélago por quase 24 horas. Mas ao invés de destroçar as ilhas com os seus ventos de mais de 225 km/h, o furacão oscilou em volta delas, lançando apenas golpes de vento esporádicos. Em Nassau, por exemplo, a velocidade média dos ventos foi de 96 km/h, com rajadas de até 160 km/h, segundo Michael Stubbs, principal climatologista do governo.

O superintendente da Real Força Policial das Bahamas, Hulan Hanna, disse que Kenrad Delancy, 18, foi aparentemente eletrocutado enquanto trabalhava ao ar livre com um gerador elétrico durante a tempestade em Nassau, a capital das Bahamas, na sexta-feira, pouco após o nascer do sol.

A polícia também registrou vários casos de saques em Nassau, na manhã da sexta-feira.

À medida que o furacão se deslocava para as ilhas mais setentrionais das Bahamas e para as proximidades do litoral da Flórida e das Carolinas, no final da sexta-feira, as autoridades do arquipélago disseram que, surpreendentemente, a poderosa e extensa tempestade aparentemente não causou grandes concentrações de danos.

Mesmo assim, a Air Worldwide, uma firma de Boston que avalia perdas para as seguradoras, calculava no final da sexta-feira que os custos de reconstrução poderão chegar aos US$ 100 milhões.

"Há muitos danos relativamente pequenos, mas que, ao serem somados, têm um impacto significativo", disse Karen Clark, diretora-executiva da Air Worldwide. John Darrel Rood, que assumiu o posto local de embaixador dos Estados Unidos nesta semana, disse que autoridades norte-americanas estão ajudando a avaliar os danos e que os Estados Unidos estão prontos a fornecer assistência, caso seja necessário.

As autoridades das Bahamas dizem estar preocupadas com o fato de o furacão Frances estar aparentemente se deslocando rumo às ilhas de Abaco e Grand Bahamas, ao norte do arquipélago, e principalmente em direção à importante cidade de Freeport, um balneário que conta com vários cassinos e com um tráfego movimentado de navios de cruzeiro.

Segundo elas, se isso acontecer os prejuízos poderão ser bem maiores. Clark, da Air Worldwide, disse que uma destruição substancial na Grand Bahama poderia significar dezenas de milhões de dólares em custos para reconstrução.

"Preparar-se para o furacão Frances é um pouco mais difícil que esperar pelo Charley, já que a memória deste último é tão recente", disse um ouvinte ao programa de rádio de Bud Hedinger, da estação WFLA-AM, de Orlando. "Tivemos que ouvir o uivo dos ventos e as coisas se quebrando por duas horas, e agora isso vai durar um dia inteiro". 2,5 milhões de pessoas --15% da população-- deixaram suas casas Danilo Fonseca

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