UOL Notícias Internacional
 

07/09/2004

Bush e Kerry trocam novo ataque sobre o Iraque

The New York Times
David M. Halbfinger, em Cleveland e

David E. Sanger, em Poplar Bluff, Missouri
O senador John Kerry e o presidente Bush discutiram repetidas vezes em torno do Iraque nesta segunda-feira (6/9), com Kerry a rotulando de "a guerra errada no local errado na hora errada" e dizendo que deseja todos os soldados americanos de volta para casa em quatro anos, enquanto Bush defendeu a guerra como "melhor para a América na época e melhor para a América agora".

Com suas convenções para trás, os candidatos passaram o Dia do Trabalho, o começo tradicional da campanha de outono, fazendo o que têm feito há meses: trocando ataques em torno do Iraque, desemprego e saúde.

Kerry, que fez campanha perante operários em um subúrbio de Pittsburgh, mineiros de carvão em Virgínia Ocidental e em um bairro negro em Cleveland, desferiu um novo ataque contra Bush, dizendo que os eleitores precisam decidir entre as "escolhas erradas e a direção errada para a América" do presidente e suas promessas de criação de empregos, fortalecimento da economia e expansão do acesso ao atendimento de saúde.

"O 'W' significa 'wrong' (errado)", disse Kerry brincando com a inicial do segundo nome do presidente em um piquenique em Racine, Virgínia Ocidental.

Mas foram as respostas de Kerry a duas perguntas sobre o Iraque que provocaram uma série de ataques de Bush e do vice-presidente Dick Cheney.

Ao ser questionado sobre seu prazo para retirar as tropas do Iraque, Kerry disse para algumas poucas centenas de pessoas em Canonsburg, Pensilvânia: "Minha meta é trazê-los para casa no meu primeiro mandato. E acredito que possa ser feito". Ele disse que deixará claro que "nós não temos planos de longo prazo para manter bases e tropas no Iraque".

Kerry disse que poderá substituir a maioria, mas não todas, das tropas americanas por forças estrangeiras, em quatro anos, oferecendo novos incentivos para outro países.

"Quando eles falam em coalizão --esta é coisa mais falsa que já ouvi", disse Kerry sobre o atual arranjo de soldados estrangeiros disposto no Iraque. "Você tem 500 soldados aqui, 500 soldados acolá, e são os soldados americanos que representam 90% das baixas em combate, e são os contribuintes americanos que estão pagando 90% do custo da guerra."

"É a guerra errada no local errado na hora errada", disse ele.

Bush tem dito repetidas vezes que seria pouco prudente estabelecer um prazo para começar ou terminar a retirada das tropas no Iraque. Grupos terroristas, ele argumenta, usariam os dados para fins estratégicos. E ele freqüentemente diz que as tropas americanas voltarão para casa "assim que o trabalho estiver concluído", sem especificar os critérios para a conclusão da missão.

Em Poplar Bluff, Missouri, Bush disse aos simpatizantes que Kerry não consegue se decidir. "Após dizer que teria votado a favor da guerra, meu oponente acordou nesta manhã com novos conselheiros de campanha e outra nova posição", disse Bush provocando gargalhadas. "De repente, ele é contra novamente. Não importa quantas vezes o senador Kerry mude sua posição, foi melhor para a América na época e melhor para a América agora Saddam Hussein não estar mais no poder."

Cheney, que está fazendo campanha em Clear Lake, Iowa, criticou Kerry por "rebaixar nossos aliados". "Quando se trata de diplomacia, parece que John Kerry deveria se ater ao windsurfe", disse ele.

A troca de ataques entre Bush e Kerry nesta segunda-feira destacou como as duas campanhas afiaram suas mensagens sobre o Iraque --e como elas enfatizam elementos diferentes da questão.

Bush tem tentado convencer as multidões de que ele e Kerry concordaram na necessidade de remover Saddam, e que a posição de Kerry simplesmente mudou com os ventos e os números de baixas.

Kerry argumenta que o presidente combinou deliberadamente duas questões muito diferentes: se era certo fazer Saddam responder por seu desafio à ONU, e se Bush, assim que recebeu tal autoridade do Congresso, a usou apropriadamente.

A essência do argumento de Kerry --um que ele tem tido dificuldade em transmitir-- é que Bush obteve a autoridade para ir à guerra com base em inteligência falsa, e então buscou a guerra de uma forma que alienou aliados e prolongou a insurreição.

Ao final desta segunda-feira, Kerry disse para milhares de pessoas em um comício que Bush "gostaria que eu tivesse a mesma posição que ele, mas nós aprendemos com este presidente que apenas desejar algo, e dizer algo, não bastar para se tornar realidade".

"Quando se trata do Iraque, eu não teria feito apenas uma coisa de forma diferente, eu teria feito tudo diferente deste presidente", ele acrescentou.

Mas agora Kerry está indo mais longe, falando sobre o custo econômico da guerra e como tal dinheiro poderia ser melhor gasto.

"A política equivocada de ir sozinho ao Iraque já custou a vocês --custou a vocês-- mais de US$ 200 bilhões", disse Kerry em Cleveland. "São US$ 200 bilhões que não estamos investindo em Cleveland. São US$ 200 bilhões que não estamos investindo em atendimento de saúde para todos os americanos e em medicamentos prescritos de custo aceitável."

Isto serviu como exemplo de como o Iraque tem ofuscado muitas outras questões de campanha a ponto de dominar mesmo o Dia do Trabalho, o momento em que Bush freqüentemente tem usado para concentrar a atenção na criação de empregos, um dos pontos vulneráveis de sua campanha.

Tal histórico econômico, é claro, é o principal alvo de Kerry, como ele deixou claro ao experimentar o novo discurso. "A escolha nesta corrida é muito simples", disse Kerry. "É se você quer continuar seguindo na direção errada, ou se você quer fazer meia-volta e mover os Estados Unidos da América na direção correta, colocando as pessoas de volta ao trabalho."

"Vocês querem mais quatro anos de desemprego?" disse ele, enquanto seu público gritava "Não!" "Vocês querem mais quatro anos de empregos transferidos para o exterior e substituídos por empregos que pagam menos do que os empregos atuais?"

Kerry disse que Bush possui o pior performance de criação de empregos "desde Herbert Hoover". Na sessão "varanda da frente" em bairro de classe média em Canonsburg, na manhã desta segunda-feira, Kerry rechaçou os manifestantes pró-Bush enquanto falava de pessoas ganhando menos dinheiro e pagando mais pelos planos de saúde. Lori Sheldon, 45 anos, se agitou em seu assento. "Você contou a nossa história", ela disse para ele.

O marido dela, disse Sheldon, trabalha na equipe de terra da companhia aérea US Airways em Pittsburgh e teme a possibilidade de demissão no outono. "Você está vendo aquelas duas garotas ali? Aquelas são minhas filhas", disse ela, começando a soluçar. "Eu estou cansada de dizer 'não'. Nós dizemos 'não' o tempo todo."

Kerry disse: "O que precisamos é de um presidente que faça escolhas não para recompensar a Halliburton e um punhado de grandes empresas, mas para recompensar o povo americano".

"Eu quero poder dizer sim para seus filhos", disse ele.

A aparição de Bush em Poplar Bluff foi sua única do dia. A cidade no sudeste do Missouri estava tão ansiosa para ouvi-lo que mais de 10 mil pessoas, quase dois terços da população, assinaram uma petição pedindo sua visita. Quando ele concordou, a cidade organizou um dos maiores comícios da campanha: mais de 23 mil passaram pelos detectores de metal, ignorando a chuva leve do início de noite.

O presidente fez uma entrada dramática, com o Marine One, seu helicóptero, mergulhando do alto e pousando no centro de um campo. Apesar de ser Dia do Trabalho, Bush citou apenas brevemente a criação de empregos. Escolhendo cuidadosamente o período de tempo, Bush notou que "na última sexta-feira, nós mostramos que acrescentamos 144 mil novos empregos em agosto", dizendo que isto representava "1,7 milhão desde agosto de 2003".

"A taxa nacional de desemprego caiu para 5,4%", disse ele. "Ela está mais baixa do que a taxa média dos anos 70, dos anos 80 e dos anos 90."

Ele falou sobre simplificação dos impostos e exportações agrícolas com a paixão de um homem altamente ciente de que, em 2000, venceu no Missouri por pouco mais de 3%, e que a reeleição será enormemente difícil sem vencer novamente no Estado. Democrata afirma que EUA "lutam a guerra errada no local errado" George El Khouri Andolfato

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