UOL Notícias Internacional
 

08/09/2004

Rebeldes dominam centro do Iraque, dizem EUA

The New York Times
Eric Schmitt e

Steven R. Weisman

em Washington
Autoridades do Pentágono disseram nesta terça-feira (7/9) que os insurgentes controlam importantes áreas da região central do Iraque e que não se sabe quando as forças iraquianas e americanas serão capazes de dominar essas áreas. Enquanto isso, o número de baixas americanas no Iraque ultrapassa a marca dos 1.000.

Na terça-feira à noite, o Pentágono contabilizava 997 militares e três civis do Departamento de Defesa mortos em operações no Iraque.

O secretário de defesa Donald H. Rumsfeld e o general Richard B. Myers, chefe do Estado Maior das Forças Armadas, disseram em uma conferência com a imprensa que a estratégia americana de retomar os redutos rebeldes dependia do treinamento de forças iraquianas para tomarem a liderança.

Rumsfeld disse que o governo iraquiano compreendia que precisava retomar o controle dessas áreas. "Eles entendem isso e, com o tempo, vão encontrar uma forma para lidar com a questão", disse ele. No entanto, Myers disse que as forças iraquianas não estarão prontas para confrontar insurgentes antes do final do ano.

Os comentários foram feitos depois de dois dias de violência no Iraque que levaram a um aumento no número de baixas americanas. Dessa forma, as observações representaram uma admissão de que os americanos não conseguiram reprimir a rebelião em importantes áreas dominadas por sunitas e em certos enclaves xiitas e ressaltaram as dificuldades em pacificar o país a tempo das eleições iraquianas, marcadas para janeiro. Em Sadr City, guerrilheiros xiitas leais ao aiatolá Muqtada Al Sadr colocaram fim a um cessar-fogo, na terça-feira, e voltaram à batalha.

Autoridades do governo Bush dizem que as áreas de maior controle rebelde estão nas cidades de Ramadi, Fallujah, Baquba e Samarra, no chamado triângulo sunita a oeste de Bagdá. Ali, Saddam Hussein continua popular e os grupos leais a ele estão ganhando força.

Há uma preocupação crescente no governo em relação às eleições. Algumas autoridades dizem que, se não for possível controlar partes significativas das áreas sunitas até janeiro, talvez seja impossível fazer uma eleição nacional legítima aos olhos do mundo.

O adiamento das eleições, entretanto, enfureceria a maioria xiita do Iraque. As eleições devem eleger os membros para compor uma assembléia constituinte para o ano que vem.

Rumsfeld disse que o primeiro-ministro iraquiano, Ayad Allawi, reconheceu que seu governo não pode continuar a permitir o controle rebelde de várias áreas importantes do país, mas que precisaria de tempo para tomar uma atitude.

"O primeiro-ministro e sua equipe compreendem perfeitamente que é importante que não haja áreas no país controladas por terroristas", disse Rumsfeld. Ele acrescentou que Allawi lidará com o problema por meio de "negociação e discussão", em alguns casos, e pela força em outros.

Expandindo os comentários do secretário de defesa, autoridades americanas disseram que o governo tinha resolvido permitir que Allawi tentasse persuadir os líderes rebeldes a se unirem ao processo de reconstrução do Iraque ou agüentarem as conseqüências.

"A estratégia de Allawi é procurar as pessoas que ainda não se envolveram, atrair os moderados e lhes dar coragem e uma esperança de recompensa", disse uma autoridade. "Ele está dizendo a eles: 'Vou lhes dar uma oportunidade de responder às suas preocupações. Vocês estarão do meu lado, e juntos vamos isolar os extremistas."

Membros do governo disseram que ainda não há nenhuma decisão no sentido de enviar forças americanas para atacar os redutos rebeldes. A preferência é que forças iraquianas façam o serviço, como estavam preparadas para fazer na cidade xiita de Najaf, no mês passado.

Os números das forças de segurança iraquianas, entretanto, não inspiram. Até agora, 95.000 homens foram treinados e equipados de forma a satisfazer os padrões dos comandantes americanos. Entretanto, Myers disse que eles não estarão prontos até o final do ano para se unirem às forças americanas em um ataque contra redutos guerrilheiros e manter a paz, permitindo a retirada das tropas americanas.

"As forças dos EUA ou da coalizão podem fazer quase qualquer coisa, mas faz muito mais sentido que seja uma operação sustentada pelas forças iraquianas", disse Myers. "Até dezembro, vamos ter um número substancial de soldados iraquianos equipados, treinados e com líderes que conduzam o tipo de operações que estamos falando."

Uma alta autoridade americana disse que essa força seria testada pelo governo iraquiano apenas após dois meses de discussões com os rebeldes em suas regiões. "A força é a última sanção, vamos exaurir as outras primeiro", acrescentou.

O intervalo de dois meses antes do uso de força também significaria um adiamento até depois das eleições presidenciais americanas. As autoridades, porém, insistem que não houve cálculo político na decisão de esperar --somente uma convicção de que o tempo era necessário para negociação e fortalecimento da força iraquiana.

"No fim, isso é para construir um governo iraquiano que funcione para todo o Iraque", disse a autoridade. "Se podemos esperar dois meses e deixar os políticos iraquianos trabalharem, melhor."

Ao descrever as forças de segurança iraquianas, um general americano no Iraque disse, por mensagem eletrônica, que "a capacidade iraquiana ainda é heterogênea. Entretanto, elas estão melhorando, na medida em que as equipamos, melhoramos sua infra-estrutura, damos-lhes mais treinamento e as ajudamos a substituir os líderes fracos."

Para comprar tempo até que as forças iraquianas estejam suficientemente preparadas, Myers disse que o general George Casey, comandante americano no Iraque, estava trabalhando junto ao governo iraquiano para desenvolver uma estratégia múltipla para retomar as cidades.

Myers disse que a estratégia incluía "isolar certas comunidades", prejudicando a capacidade dos insurgentes de rearmarem-se e impedindo seus ataques contras as forças americanas.

Ele disse que ia tentar "criar condições para o uso da força", linguajar militar que quer dizer preparar o campo de batalha, montando armazéns de bombas e esconderijos de armas e estimulando os iraquianos a fornecerem pistas sobre a localização dos insurgentes.

No final de semana, o general Thomas Metz, comandante de terra no Iraque, disse à agência de notícias Associated Press que é provável que haja um ataque americano a uma ou mais dessas chamadas áreas fechadas nos próximos quatro meses. "Tenho cerca de quatro meses para alcançar o controle local", disse Metz. "Depois, tenho o resto de janeiro para ajudar os iraquianos a montarem seus mecanismos."

O general John Batiste, comandante da 1ª Divisão de Infantaria, cuja área ao norte de Bagdá inclui Tikrit e Samarra, refutou informes de que os EUA tinham desistido de Samarra.

"Samarra é uma cidade que os iraquianos estão assumindo para expulsar as forças anti-Iraque", disse Batista em uma mensagem eletrônica, na terça-feira. "Ninguém cedeu a cidade aos insurgentes, e não há acordos. O que temos em Samarra é a boa vontade do Iraque, de líderes municipais e estaduais de visão ampla, além de xeques e clérigos enfrentando o inimigo."

Os moradores de Samarra, entretanto, dizem que os insurgentes estão efetivamente controlando a área. Batista, assim como outros comandantes, fez uma avaliação otimista, observando que "as mensagens nas preces de sexta-feira estão se tornando cada vez mais moderadas" e que as forças dos EUA "mantêm pressão contínua no inimigo", enquanto dão aos iraquianos o trabalho de reconstrução.

Outras autoridades americanas, entretanto, são mais pessimistas quanto às perspectivas de reconquistar o controle dessas áreas. Uma delas observou, por exemplo, que os ataques contra as forças americanas aumentaram de 700 em março para 2.700 em agosto. Pentágono admite poder insurgente; baixas do país passam de 1000 Deborah Weinberg

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