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09/09/2004

Juros vão aumentar nos EUA, diz Alan Greenspan

The New York Times
Edmund L. Andrews

Em Washington
Alan Greenspan, diretor do conselho do Federal Reserve, disse nesta quarta-feira (8/9) que o banco central americano deve manter a tendência de aumento gradual das taxas de juros, inclusive em sua próxima reunião deste mês. Greenspan, contudo, não afirmou em quanto definirá os juros americanos.

"Os dados mais recentes sugerem que, no total, a expansão voltou a ter alguma tração", disse Greenspan ao Comitê de Orçamento da Câmara. "Os gastos com consumo e no setor imobiliário voltaram a crescer no início de julho, depois de um fraco desempenho em junho", disse ele, enquanto os preços ao consumidor estão aumentando em ritmo mais lento do que na última primavera.

O diretor do Fed novamente descreveu a recente desaceleração como um "período delicado" causado, em grande parte, pela alta nos preços de petróleo. Apesar de preocupar-se com a possibilidade de os preços do barril continuarem altos por algum tempo, ele foi cautelosamente otimista, dizendo que a alta talvez deprima a demanda e estimule os produtores de petróleo a expandirem sua capacidade.

As observações de Greenspan não fizeram nada para dissuadir os investidores de que o banco central vai aumentar as taxas de juros de curto prazo por um quarto de ponto, para 1,75%, na próxima reunião no dia 21 de setembro.

Seus comentários, entretanto, ajudaram a acalmar temores de que o Fed estivesse inclinado a adotar uma política mais agressiva de aumento das taxas de juros. Em resposta, o mercado de ações subiu e o rendimento das notas do Tesouro de 10 anos caiu de 4,24%, na terça-feira, para 4,16%.

O livro bege do Federal Reserve, que compila relatórios das estatísticas empresariais e foi divulgado na quarta-feira, mostrou que o consumo caiu em julho e agosto, mas observou que a atividade econômica em geral continuou saudável.

"Pode-se certamente chegar à conclusão de que o Fed vai continuar com seu programa de pequenos aumentos dos juros, ao menos até as eleições", disse Carl R. Tannenbaum, economista do ABN Amro da América do Norte.

Enquanto isso, Greenspan afastou-se um pouco mais do governo Bush e dos Republicanos no Congresso na questão de redução do déficit federal. Como fez antes, o diretor do Fed instou os congressistas a voltarem a adotar os regulamentos orçamentários expirados em 2002. Os antigos regulamentos exigiam que o Congresso compensasse cortes de impostos e novos gastos com cortes em gastos ou aumentos de impostos em outras áreas.

O presidente Bush e líderes Republicanos no Congresso recusaram-se a aplicar esse tipo de restrição aos cortes de impostos, insistindo que as restrições devem aplicar-se somente aos novos programas de gastos.

Greenspan disse que o governo federal precisava agir rapidamente, porque enfrentará problemas fiscais bem maiores nos próximos anos, na medida em que a geração do "baby boom" começar a chegar à idade de aposentadoria e a exigir os benefícios de previdência social e Medicare.

"Preferia ter impostos mais baixos e gastos mais baixos", disse Greenspan aos congressistas. Em declarações anteriores, o diretor do banco central instou o Congresso a recorrer a aumentos de impostos somente como último recurso para redução do déficit.

Na quarta-feira, entretanto, ele colocou mais ênfase na necessidade de lidar com os desequilíbrios fiscais de longo prazo o mais rápido possível. "Não devíamos estar pegando emprestado para financiar cortes de impostos", disse ele.

No entanto, um Republicano da Câmara disse ao diretor do Fed que não havia vontade política entre os Republicanos de renovar os antigos regulamentos de orçamento.

"Você não pode fabricar um consenso para controles estatutários quando o consenso para disciplina orçamentária não é forte o suficiente. Infelizmente, não acredito que haja o consenso necessário para que os controles de orçamento sejam sancionados como lei", disse o deputado Jim Nussle, Republicano de Iowa que participa do Comitê de Orçamento da Câmara.

Depois de um breve período de superávits orçamentários, que terminou em 2001, o governo vem gerando déficits cada vez maiores. Neste ano, o rombo deve exceder US$ 420 bilhões (em torno de R$ 1,26 trilhão). O Escritório de Orçamento do Congresso previu, na terça-feira, que os déficits acrescentarão US$ 2,3 trilhões (aproximadamente R$ 6,9 trilhões) à dívida nacional nos próximos 10 anos, se as leis não forem modificadas.

Se Bush conseguir tornar seus cortes de impostos permanentes e ainda aprovar outros alívios fiscais que vem defendendo, a dívida pode ser acrescida de outros US$ 2 trilhões (em torno de R$ 6 trilhões).

Economistas e investidores vinham esperando ansiosamente pelo depoimento de Greenspan sobre a economia, depois que uma série de dados mostrou que o rápido crescimento do último outono e do início deste ano abateu-se repentinamente em junho.

Isso deixou o Federal Reserve em posição desconfortável, pois começara em junho a aumentar sistematicamente as taxas de juros. Assim, acabou aumentando os custos de empréstimos em uma economia em desaceleração.

Greenspan admitiu que o a criação de empregos e o consumo diminuíram drasticamente em junho, mas disse que os sinais mais recentes apontavam para uma retomada do crescimento. O investimento de capital está seguindo "uma tendência de subida sólida", a manufatura continuou expandindo e a criação de empregos voltou em agosto, disse aos congressistas.

Greenspan expressou mais desconforto do que no passado com a alta do petróleo, que chegou a quase US$ 50 (aproximadamente R$ 150) por barril durante o verão, mas voltou a cair para em torno de US$ 43 (cerca de R$ 129) nos últimos dias.

"O equilíbrio entre a oferta e a demanda vai continuar precário no futuro", disse Greenspan. "As preocupações crescentes com a oferta de longo prazo, junto com os grandes aumentos de demanda pelas economias em rápido crescimento da China e da Índia, levaram os preços do futuro distante a níveis bem acima de sua faixa dos últimos anos."

Poucos analistas se surpreenderam com o fato de Greenspan assinalar que o Fed continuará aumentando as taxas de juros gradualmente. Mesmo depois dos aumentos seguidos em junho e agosto, as taxas de juros em empréstimos de uma noite entre bancos continuam tão baixas que ainda representam uma política de dinheiro relativamente barato.

Mas alguns analistas ficaram espantados com a aparente convicção de Greenspan de que "o período delicado" está quase terminado.

"Por mais que quisesse ser otimista, achamos o Sr. Greenspan pouco convincente", disse Ian Shepherdson, economista da High Frequency Economics em um informativo aos clientes. Diretor do BC americano atribui taxa maior à economia do país Deborah Weinberg

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