UOL Notícias Internacional
 

10/09/2004

Agência Moody's aumenta a confiança no Brasil

The New York Times
Todd Benson

Em São Paulo
A agência de classificação de crédito Moody's Investors Service aumentou a nota da dívida soberana do Brasil nesta quinta-feira (9/9), dizendo que as fortes exportações e a administração prudente da dívida ajudaram a tornar o país, a maior economia da América do Sul, menos vulnerável a oscilações repentinas do sentimento do mercado.

No que muitos analistas consideraram uma medida retardada, a Moody's aumentou a nota da dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil de B1 para B2, colocando-a 4 graus abaixo do nível de investimento e a par com outros países emergentes fortemente endividados, como a Turquia. O "upgrade" também colocou a nota da Moody's para o Brasil alinhada com as de outras agências de crédito, incluindo Standard & Poor's e Fitch Ratings.

"Não é surpresa, mas é sempre uma boa notícia", disse Mário Mesquita, economista-chefe no ABN Amro em São Paulo. "O que a Moody's está dizendo basicamente é que o crescimento das exportações está facilitando para o Brasil pagar sua dívida."

A elevação da nota poderá ajudar a reduzir os custos de empréstimos para o Brasil, que tem uma dívida pública equivalente a 55% do Produto Interno Bruto. Mas os juros que o país tem de pagar sobre sua dívida já estão recuando. O Brasil vendeu 750 milhões de euros em títulos para oito anos na quarta-feira, a um preço que vai gerar 8,7%, contra 11,5% que pagava para vender títulos de sete anos em 2002.

As exportações recordes de produtos como soja, aço e carros também estão reduzindo a dependência do Brasil de empréstimos do exterior para trazer os tão necessários dólares.

As exportações aumentaram mais de 33% até agora este ano, atingindo US$ 62,7 bilhões, colocando o país em condições de alcançar um recorde de exportações de US$ 90 bilhões em 2004, segundo o Ministério do Comércio.

Devido à força das exportações, o Brasil deverá apresentar este ano um superávit comercial de cerca de US$ 30 bilhões, em comparação com o superávit recorde de US$ 24,8 bilhões em 2003.

A agência Moody's também disse que os esforços do governo brasileiro para reduzir a volatilidade de sua dívida estão dando frutos, ajudando a proteger o país de oscilações no sentimento do mercado ou de uma desvalorização acentuada de sua moeda, o real.

"As autoridades também melhoraram substancialmente a composição do título da dívida interna, aumentando a participação de dívida com juros fixos e reduzindo a participação da dívida atrelada ao dólar", disse a Moody's.

Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo, em janeiro de 2003, o Banco Central reduziu a proporção da dívida interna do governo ligada ao dólar de 37% para cerca de 14% --o nível mais baixo já alcançado--, comprando agressivamente títulos indexados ao dólar.

As margens da dívida brasileira, ou o prêmio que o país deve pagar sobre títulos do Tesouro dos Estados Unidos para fazer empréstimos no exterior, diminuíram 10 pontos básicos, para 495 pontos básicos, pouco depois de a Moody's anunciar o aumento da nota, segundo o Índice Plus de Títulos de Mercados Emergentes do J.P. Morgan. Margens menores indicam uma maior confiança dos investidores no Brasil. País estaria menos vulnerável a oscilações no mercado externo Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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