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10/09/2004

Bush e Kerry começam nova luta sobre debates

The New York Times
Jim Rutenberg

Em Washington
No lado de Kerry, estão dois dos mais poderosos advogados de Washington, Vernon E. Jordan e Robert Barnett, sem mencionar as governadoras do Michigan e de Arizona, Jennifer Granholm e Janet Napolitano.

No lado de Bush, está o ex-secretário de Estado James A. Baker III, Haley Barbour, o lobista que se tornou governador do Mississipi e que já dirigiu o Partido Republicano, e uma das mais famosas personalidades da mídia do partido, Mary Matalin.

Os comitês de campanha do presidente Bush e do senador John Kerry estão colocando seus representantes mais experientes e temíveis para tomarem parte no duelo quadrienal dos debates para os cargos de presidente e vice. Nunca as equipes de debates foram tão grandes ou tão prestigiosas, dizem as autoridades da comissão bipartidária que planejam os debates.

Os assessores de Bush ainda não concordaram em fazer debates e deixaram claro que não querem que o presidente participe de mais do que dois, apesar de dizerem que não têm uma decisão final. Os assessores de Kerry concordaram em participar de um debate entre os candidatos à vice-presidência e três debates presidenciais marcados pela comissão, sendo o primeiro no dia 30 de setembro. Eles disseram que seu candidato gostaria de fazer até mais.

Mostrando a importância que os debates assumiram na opinião dos comitês, os dois lados voltaram sua atenção para detalhes que antes eram relegados a equipes de segundo escalão, como o número de debates e se os candidatos estarão sentados ou em pé.

Apesar de todo o talento na mesa de negociação, as equipes dos debates provavelmente terão uma influência limitada. A comissão bipartidária disse que não vai negociar suas seleções de moderadores, localizações e datas dos eventos. Assim, é possível que os negociadores reunidos passem grande parte de seu tempo discutindo o ângulo das câmaras e das luzes. Talvez o único aspecto importante a discutir seja de quantos eventos seus candidatos vão participar.

Alguns dos negociadores, entretanto, já se enfrentaram antes. Por exemplo, há menos de quatro anos, Baker estava dirigindo a operação de recontagem de votos de Bush na Flórida, enquanto Ron Klain, que está assessorando o time de Kerry, era líder da operação de Al Gore na Flórida.

Agora, estão se enfrentando novamente --com o resultado talvez igualmente equilibrado.

Isso pode parecer uma hipérbole. Mas talvez seja essa a idéia.

Os membros dos dois partidos e especialistas concordam que os pré-debates tornaram-se tão sofisticados que a nomeação das equipes de negociação tornou-se um evento em si mesma, a primeira fase na dança em que um comitê de campanha tenta superar o outro nas expectativas do público.

Kerry nomeou o líder de sua equipe em junho, como forma de mostrar que estava pronto para enfrentar Bush, tão logo este se prontificasse. O escolhido foi Jordan, alto advogado do ex-presidente Bill Clinton. O presidente, por outro lado, só foi nomear sua equipe nesta semana, sinal de que quer demorar a dar a Kerry espaço no mesmo palco que ele.

Quando a equipe de Kerry percebeu, nesta semana, que o time de Bush incluía Matalin e Karen Hughes, confidente antiga de Bush, agregou o ex-secretário de imprensa da Casa Branca e guru de imagem Michael McCurry. As autoridades admitiram que acrescentaram McCurry à equipe em parte para mandar um sinal a Bush de que estão prontas para a batalha na mídia, se houver uma.

As encenações são inimaginavelmente frustrantes para os membros da comissão, que vêm planejando os debates desde dezembro de 2002. Eles ainda estão esperando Bush concordar com as datas, o formato e os moderadores anunciados há semanas.

"Se quiserem ficar fazendo seus jogos, tudo bem. Mas há um evento esperando", disse uma pessoa envolvida na organização dos debates.

Confrontos

O primeiro debate está marcado para 30 de setembro, na Universidade de Miami. O moderador será o âncora da PBS Jim Lehrer, e o tema deverá centrar-se primariamente em política interna.

Dois outros debates presidenciais devem se seguir, um encontro em St. Louis com o público, com o âncora da ABC News Charles Gibson, e um debate tradicional no Arizona, concentrando-se primariamente em política externa, com o âncora da CBS News Bob Schieffer como moderador. O debate vice-presidencial está marcado para outubro em Cleveland. Deverá ter como apresentador Gwen Ifill da PBS.

A equipe de negociação de Kerry pode ser temível, mas os especialistas dizem que Bush tem mais poder, pelo fato de ser detentor do cargo e pelos resultados das últimas pesquisas estarem do seu lado. "O desafiante precisa de uma plataforma em que fique no mesmo nível que o presidente dos Estados Unidos, o que significa que Kerry, de fato, precisa dos debates mais que Bush. O presidente Bush não pode se negar a participar dos debates, mas certamente pode dar as cartas em termos de quais vai querer participar", disse David Lanoue, diretor do departamento de ciências políticas da Universidade do Alabama.

Membros da campanha de Bush disseram que, apesar de alguns estrategistas terem deixado claro que gostariam que o presidente não fizesse mais do que dois debates, a decisão será feita por Bush e Baker, que não respondeu às ligações para comentários.

"Quem fará a decisão não serão as pessoas que estão discutindo o assunto", disse Reed Dickens, porta-voz da campanha. "As pessoas que vão decidir acabaram de começar a discussão".

Baker reuniu-se para discutir os debates pela primeira vez com Bush na quarta-feira (8/9). As autoridades disseram que Baker e Jordan conversaram informalmente duas vezes desde então. Campanha negociam como serão os confrontos entre os candidatos Deborah Weinberg

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