UOL Notícias Internacional
 

10/09/2004

Bush tenta aproveitar vantagem e definir eleição

The New York Times
Adam Nagourney

Em Washington
O presidente Bush entra na campanha de outono com uma modesta vantagem sobre o senador John Kerry, após fortalecer sua posição como melhor candidato para combater o terrorismo e voltar muitos americanos contra Kerry, segundo pesquisas divulgadas desde a Convenção Nacional Republicana e entrevistas com assessores de campanha.

A primeira rodada de pesquisas pós-convenção --assim como entrevistas com membros de ambas as campanhas nesta quinta-feira (9/9)-- ofereceram um quase consenso sobre a situação da disputa. Bush, impulsionado por sua convenção, aparentemente conta com uma vantagem de 6 a 9 pontos percentuais, ligeiramente acima das margens de erro das pesquisas. Antes da Convenção Nacional Democrata no final de julho, a maioria das pesquisas apontava os candidatos empatados.

Os analistas de pesquisa sugeriram que a mudança foi resultado de um mês de ataques contra o histórico de guerra de Kerry por parte de um grupo de veteranos do Vietnã, combinados com a convenção republicana, que apresentou fortes ataques contra Kerry e foi planejada para retratar Bush como forte e olhando para frente.

Juntos, os resultados sinalizam que o presidente está em posição favorável no momento em que entra nos dois meses finais de campanha.

"Não foi uma grande mudança, mas foi uma mudança", disse Frank Newport, editor-chefe da Pesquisa Gallup. "Ele estava bem posicionado pouco antes da convenção, e ganhou alguns pontos com ela."

A posição relativa dos candidatos agora é importante porque o tempo está se esgotando, os eleitores estão prestando mais atenção na disputa e cada decisão tomada pelos candidatos --sobre onde fazer campanha, o que dizer e onde gastar dinheiro-- é ditada pelos assessores de campanha que estudam este tipo de dados. As pesquisas também podem afetar a moral do candidato e dos assessores, apesar dos conselheiros de Kerry terem dito rapidamente que ele tem um retrospecto de ser um melhor candidato quando está atrás.

Ainda assim, as pesquisas realizadas na semana passada não oferecem um veredicto final sobre as convenções. Geralmente o ganho pós-convenção desaparece nas duas semanas seguintes, e os assessores de Bush e Kerry disseram que esperam que a vantagem desapareça nos próximos dias.

Apesar de até mesmo os democratas dizerem que será um desafio para Kerry nos dois meses restantes de campanha, a posição de Bush não chega a incomodar. Pelo menos em quatro ocasiões nos últimos 50 anos --em 1948, 1968, 1976 e 1980-- o candidato que desfrutava de uma grande vantagem no Dia do Trabalho perdeu ou assistiu a sua vantagem desaparecer nos últimos dias de campanha, tendo que lutar para vencer.

As pesquisas foram feitas antes da nova série de reportagens que exibiram novas evidências sobre o serviço de Bush na Guarda Nacional na época do Vietnã, sugerindo que ele recebeu tratamento preferencial e desobedeceu a uma ordem para se apresentar ao médico.

Os conselheiros de Bush disseram nesta quinta-feira que os eleitores rejeitarão tais reportagens como ataques de ano eleitoral, apesar dos democratas terem argumentado que elas fornecem um contraste desfavorável entre um veterano condecorado e um presidente que, segundo eles, se esquivou do dever no Vietnã.

As pesquisas medem a posição de Bush entre os eleitores prováveis, refletindo vários métodos utilizados para tentar prever quem votará. Kerry sempre se saiu melhor entre o grupo mais amplo de eleitores registrados, e prever quem provavelmente votará pode ser complicado, particularmente em um ano em que há muito interesse na disputa.

Uma pesquisa Washington Post/ABC News divulgada na quinta-feira mostrou Bush com 52% das intenções de voto, contra 43% para Kerry. Uma pesquisa CBS News apontou que 41% dos pesquisados têm uma visão negativa de Kerry e 32% têm uma visão positiva --uma inversão em relação a agosto, após a convenção democrata, quando mais eleitores tinham uma visão positiva a respeito dele.

Uma pesquisa CNN/USA Today/Gallup divulgada na segunda-feira mostrou Bush com uma vantagem de 52% contra 45%. Antes da convenção, sua vantagem era de 50% a 47%.

Os assessores de Kerry disseram que acham que esta rodada de pesquisas reflete mais o impulso que Bush recebeu de sua convenção do que os recentes ataques contra o histórico de Kerry no Vietnã.

"À medida que avançarmos rumo ao primeiro debate, nós estaremos virtualmente em uma disputa mais apertada", disse Joe Lockhart, um alto conselheiro de Kerry.

Ainda assim, Bush parece estar em melhor posição do que Kerry após a convenção deste. As pesquisas sugerem que Bush tem agora uma vantagem poderosa na questão do terrorismo e voltou a opinião dos eleitores contra Kerry. E mesmo os assessores de Kerry disseram que a decisão da Casa Branca de realizar a convenção tão perto do Dia do Trabalho aparentemente valeu a pena, deixando Bush bem posicionado no início da campanha de outono.

"O presidente definiu os termos do debate no início do outono", disse Ken Mehlman, gerente de campanha de Bush.

E os conselheiros de Bush disseram que não acham que os artigos sugerindo que Bush não cumpriu seus deveres na Guarda Nacional farão alguma diferença.

"Este é outro exemplo do que as pessoas não querem ouvir de nenhum dos lados", disse Matthew Dowd, o principal estrategista de campanha do presidente. "Por que estamos falando de algo que aconteceu 35 anos atrás? As pessoas não querem saber a respeito." Presidente quer manter a dianteira construída durante a convenção George El Khouri Andolfato

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