UOL Notícias Internacional
 

10/09/2004

Em gravação, Al Qaeda ameaça novo atentado

The New York Times
James Risen

Em Washington
O número dois de Osama Bin Laden apareceu em uma nova gravação em vídeo, exibida por uma rede de televisão árabe nesta quinta-feira (9/9), zombando dos Estados Unidos por terem atolado em campanhas malsucedidas no Iraque e no Afeganistão, e prometendo ao mesmo tempo que a Al Qaeda atacará novamente os Estados Unidos.

Na gravação, que teve trechos exibidos pela rede de TV Al Jazeera, Ayman Al Zawahiri disse que a Al Qaeda planeja realizar mais ataques suicidas.

A exibição da fita pareceu visar intencionalmente o terceiro aniversário dos ataques de 11 de setembro. Ela é a mais recente de uma longa série de fitas de áudio e vídeo enviadas pela liderança da Al Qaeda, mas diferente de algumas outras, ela não incluiu uma aparição de Bin Laden.

"Bush, reforce suas medidas de segurança", disse a mensagem em árabe. "A nação islâmica, que lhe enviou as brigadas de Nova York e Washington, tomou a firme decisão de lhe enviar brigadas sucessivas para semear a morte e aspirar pelo paraíso."

Autoridades da CIA disseram que estão avaliando o vídeo para determinar sua autenticidade. Elas notaram que uma referência no vídeo à crise na região sudanesa de Darfur sugere que a gravação foi feita recentemente.

Assim como a descrição das situações militares no Afeganistão e no Iraque, onde continuam os ataques contra as forças americanas, apesar da caracterização destas situações por Al Zawahiri ser imprecisa.

Funcionários da inteligência americana minimizaram a importância da fita, dizendo que ela não é necessariamente um indício de um ataque iminente da Al Qaeda. Os funcionários disseram que gravações em áudio da Al Qaeda surgiram em cada aniversário dos ataques de 11 de setembro.

Os funcionários disseram que seria um sinal mais grave caso a Al Qaeda tivesse permanecido silenciosa neste aniversário. "Se algo não tivesse sido transmitido, isto teria gerado muito mais perguntas", disse um funcionário. "Assim, eu não analisaria isto em excesso."

Al Zawahiri, o médico e radical egípcio que fundiu sua organização com a Al Qaeda no final dos anos 90, tem servido como uma espécie de mentor ideológico para Bin Laden, e as autoridades americanas há muito suspeitam que eles estão escondidos juntos ou mantêm comunicação próxima.

Recentemente, Bin Laden e Al Zawahiri passaram a divulgar suas declarações em fitas de áudio em vez de vídeo, um indício de que estavam em fuga ou escondidos sob condições rudimentares. Mas a capacidade deles de passar uma nova gravação em vídeo para a Al Jazeera é um indício de que os Estados Unidos não conseguiram isolar os líderes da Al Qaeda do mundo exterior.

Os líderes da Al Qaeda possuem, no mínimo, um senso impressionante de "timing", assim, pode não ser coincidência que a gravação de Al Zawahiri tenha aparecido em meio à campanha presidencial nos Estados Unidos, na qual a questão do terrorismo tem estado em primeiro plano.

As campanhas presidenciais tanto do presidente Bush quanto de seu adversário democrata, o senador John Kerry, têm trocado ataques amargos sobre quem seria o melhor no combate global ao terrorismo.

Nesta quinta-feira, a campanha de Kerry acusou que o surgimento da fita de Al Zawahiri mostra que a guerra no Iraque distraiu o governo Bush do combate à Al Qaeda no Afeganistão. A gravação torna "mais claro do que nunca que Bush tirou seus olhos da bola no Afeganistão para invadir o Iraque", disse Stephanie Cutter, a diretora de comunicações de Kerry. "Suas decisões ruins e erros de cálculo no Iraque terão alto custo por décadas ao povo americano e enfraqueceram nossa posição na guerra contra o terror."

No vídeo, Al Zawahiri, vestindo um turbante branco, disse que os Estados Unidos estão diante da derrota tanto no Iraque quanto no Afeganistão, e notou que as forças americanas no Afeganistão estão presas em "trincheiras" e sofrendo ataques com foguetes, enquanto a Al Qaeda e seus aliados circulam livremente pelo país.

"Em ambos os países, se eles continuarem, eles sangrarão até a morte, e se eles se retirarem, eles perderão tudo", disse ele.

Al Zawahiri argumentou na gravação que os esforços americanos para pacificar o interior afegão fracassaram.

"O leste e o sul do Afeganistão se tornaram uma arena aberta para os mujahedeen. Os inimigos estão limitados às capitais."

Ele acrescentou que "os americanos estão escondidos em suas trincheiras e se recusam a sair para enfrentar os mujahedeen, enquanto os mujahedeen abrem fogo contra eles e cortam as estradas ao redor deles. A única defesa deles é o bombardeio aéreo, desperdiçando dinheiro americano enquanto levantam poeira".

Apesar de ser verdade que os combatentes do Taleban e da Al Qaeda começaram a se reagrupar no Afeganistão e representam uma séria ameaça à estabilidade do novo governo Karzai, a descrição de Al Zawahiri do status das forças americanas no país está longe da verdade.

As forças americanas circulam livremente pelo país e, apesar de não terem controle completo das regiões sul e leste, elas geralmente mantêm a iniciativa por todo Afeganistão, diferente do Iraque, onde algumas cidades, como Fallujah, estão se tornando cada vez mais santuários para rebeldes. No Iraque, Al Zawahiri descreveu a insurreição como tendo transformado o país em um atoleiro para os Estados Unidos.

"No Iraque islâmico, os mujahedeen deixaram o plano americano de cabeça para baixo", disse ele. "A derrota da América no Iraque e no Afeganistão se tornou apenas questão de tempo", ele acrescentou. "Em Cabul, os americanos e as forças de paz estão escondidos dos morteiros dos mujahedeen e esperando ataques de martírio a todo instante."

Os trechos exibidos pela Al Jazeera pareciam parte de uma mensagem em vídeo mais longa. A rede declarou que em outros trechos da fita, Al Zawahiri declarou que a "era de segurança acabou para os americanos, que não terão segurança até que encerrem seus crimes contra os muçulmanos no Iraque, no Afeganistão e na Palestina". Subordinado de Bin Laden menospreza EUA e promete ataques George El Khouri Andolfato

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