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11/09/2004

Furacão Ivan atinge Jamaica; Flórida se prepara

The New York Times
Joseph B. Treaster*

Em Kingston, Jamaica
Os limites do furacão Ivan começaram a atingir a Jamaica na tarde desta sexta-feira (10/09), com fortes rajadas de vento e chuvas. Autoridades na Flórida aumentaram seus esforços para evacuar as Keys.

Esta é a terceira tempestade poderosa a rasgar o Caribe nas últimas quatro semanas, no calcanhar dos furacões Charley e Frances. Moradores cansados e frustrados da Flórida prepararam-se para mais um golpe, enquanto ainda tentavam restaurar a energia elétrica e limpar os danos da tempestade da semana passada. Moradores e turistas da Jamaica estavam rezando para que os ventos de 230 km/h não dizimassem a ilha, como fizeram em Granada, no início da semana.

Em Cuba, o presidente Fidel Castro declarou estado de alerta de furacão em toda a ilha. As ruas de Kingston, capital da Jamaica, estavam vazias, exceto por alguns carros correndo para se abrigar, passando por entre janelas e vitrines reforçadas com tábuas. Começaram a chegar os primeiros relatos de enchentes em algumas partes do país.

Em Kingston e em outras cidades, as autoridades disseram que estavam tendo dificuldades para persuadir os moradores de áreas baixas a deixarem suas casas. Mas em Montego Bay e outros pontos turísticos da costa norte, cerca de 15.000 estrangeiros dos EUA e de outros países que não puderam voltar para casa concordaram em sair dos hotéis à beira do mar para abrigos de concreto e aço fortificados, no interior.

Em um anúncio nacional, enquanto os ventos chacoalhavam as janelas e portas, o primeiro-ministro P.J. Patterson disse aos jamaicanos que tomassem todas as precauções. "A severidade deste furacão", disse ele, "terá efeitos extremamente sérios".

A Associação de Turismo e Hotel da Jamaica disse que, depois das 20h de sexta-feira, todos os hóspedes dos hotéis seriam retirados de seus quartos, muitos dos quais com paredes de vidro do chão ao teto, e levados para a segurança de salões e refeitórios durante a tempestade.

"Acho que vai ser um dos piores", disse Butch Stewart, diretor do maior grupo hoteleiro da Jamaica, Sandals Resorts, e diretor da Air Jamaica.

Stewart concedeu entrevista falando ao telefone de Miami. Ele tinha ido para os EUA depois de iniciar os consertos em seus hotéis nas ilhas Turks e Caicos e Bahamas, danificados pelo furacão Charley na semana passada. Depois de enviar todos os aviões da Air Jamaica para a segurança dos EUA e do Reino Unido, ele decidiu que era melhor direcionar as operações de recuperação de seu escritório em Miami.

Enquanto a Jamaica e a Flórida se preparavam para o Ivan, trabalhadores de resgate continuavam tentando chegar a Granada, minúscula ilha do sul do Caribe onde mais de 20 pessoas morreram no início da semana, quando a tempestade destruiu centenas de casas e lojas.

Uma autoridade do Departamento de Estado disse, nesta sexta-feira, que, a partir da manhã de sábado, os aviões vão começar a levar cidadãos americanos da ilha devastada para Port of Spain, em Trinidad e Tobago. Havia quase 1.500 americanos na ilha quando chegou o furacão.

Cerca de um terço desses eram alunos de medicina da faculdade americana em Granada, disse Jerry Cammarata, doutor do Hospital de Coney Island, em Nova York que esteve em contato com as famílias dos alunos.

O porta-voz do Departamento de Estado disse que a evacuação seria oferecida a qualquer cidadão americano que quisesse partir. Autoridades em Kingston disseram que estavam tentando unir-se a outros países para fornecer ajuda a Granada. Entretanto, no início da tarde ainda não tinham conseguido falar com a ilha por telefone. A maior parte dos vôos para Granada foi cancelada, deixando a ilha acessível apenas por helicóptero ou barco.

Na Flórida, a estrada que vai das Keys para o Norte estava engarrafada, com os moradores se dirigindo para longe do perigo. Em Miami e outras cidades, as pessoas estavam correndo para as lojas para estocar água, comida enlatada, baterias, lanternas e rádios portáteis. Formaram-se longas filas nos postos de gasolina.

Com o terceiro furacão em menos de um mês indo na direção da Flórida, o governador Jeb Bush disse: "Não estamos mais preocupados com o esquecimento dos furacões". Ele acrescentou: "Estamos preocupados com a ansiedade provocada por eles".

Ken Seiffer, 42, de Key West, estava em um posto de gasolina em Marathon, na sexta-feira à tarde, esperando para encher o tanque com sua mulher e dois filhos. "Estamos saindo, vamos para Orlando, onde temos família", disse Seiffer. "Nós reforçamos as portas e janelas e colocamos as coisas em segurança. Agora é hora de evacuar. Melhor se precaver do que se arrepender".

Bill Sinnamon, 41, proprietário de uma loja em Marathon, estava cobrindo suas vitrines e dirigindo-se para o norte, na direção de Miami. "Estou saindo porque tenho uma família para cuidar", disse Sinnamon. "Não estamos tão mal quanto a Jamaica. Estamos realmente preocupados com eles. Ao menos aqui podemos fugir."

*Colaboraram Terry Aguayo e Perry Athanason. População tenta se proteger de temporal e ventos de até 230 km/h Deborah Weinberg

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