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11/09/2004

Mercado festeja a saída de Eisner da Disney

The New York Times
Floyd Norris

Em Nova York
Michael D. Eisner pretende se afastar, e os investidores estão felizes. Eisner revelou a intenção de sair da direção executiva da Walt Disney Company dia 30 de setembro de 2006, quando terminará o contrato que está em vigor, e depois de 22 anos nessa função. Alguns investidores chegaram a dizer que isso ainda é muito tempo para ele ficar por lá, mas de qualquer forma as ações da Disney foram destaque do noticiário financeiro, cada uma subindo US$ 0,30 e fechando a U$ 23,16 (equivalente a cerca de R$ 70).

Aparentemente a reação foi estranha. Poucos CEOs ou diretores executivos tiveram desempenho tão benéfico para os acionistas durante um período assim tão longo. Um investidor que comprasse ações da Disney em 1984, no dia em que Eisner assumiu as rédeas da empresa, e reinvestisse os dividendos na Disney ao longo do tempo, lucraria quase o dobro em relação a alguém que tivesse investido seguindo pelo índice Standard & Poor's 500, que inclui 500 importantes empresas da economia americana.

O lucro total no período Eisner --a poucos dias de completar 20 anos-- teria sido de 1.869%, muito se comparado ao ganho de 1.009% relativo ao lucro pelo S&P 500. Transformando isso em dólares, um investidor que em 1984 tivesse colocado US$ 10.000, teria obtido US$ 186.937 (mais de R$ 560 mil) em lucros , ou uma vantagem de mais de US$ 86 mil sobre o investidor que seguisse o S&P 500.

Mas Wall Street pode ser uma amiga volúvel, e muitos investidores chegaram à conclusão, há algum tempo, que os sucessos de Eisner deveriam ser creditados a outros executivos, enquanto que seus fracassos seriam devido a sua culpa mesmo.

Executivos que saíram da Disney nos últimos anos tendem a menosprezá-lo, e os esforços de Eisner em escolher um executivo número 2 desde a morte do presidente da Disney, Frank G. Wells, em 1994, só reforçaram essa opinião negativa.

Essa morte, num desastre de helicóptero num domingo de páscoa, hoje pode ser avaliada como marco de uma virada no histórico do desempenho das ações da Disney. Até aquele dia, as ações da Disney durante o período Eisner-Wells tiveram um retorno total de 1.015%, comparado com um ganho de apenas 267% das ações relativas ao índice S&P 500.

Mas depois da morte de Wells até essa última quinta-feira (9/9), as ações da Disney tiveram um retorno total, em mais de uma década, de somente 77%, menos da metade dos 202% de lucro, obtido pelas ações vinculadas ao S&P 500.

A Disney não se deu bem no mercado durante o boom do final dos anos 90, e a empresa foi pior ainda nos mornos anos posteriores que se seguiram à explosão da "bolha de tecnologia", em 2000.

Houve uma recuperação em 2003, quando as ações da Disney suplantaram a média do mercado, rendendo 44%, mas isso não foi o suficiente para acalmar os críticos de Eisner.

O que deu errado? Bem, a freqüência aos parques temáticos não cresceu tanto quanto se esperava, não são produzidos muitos filmes de sucesso recentemente e algumas dispendiosas aquisições de empresas não funcionaram tão bem.

Num retrospecto, os lucros fáceis vieram na época em que houve a revitalização da marca Disney, quando se faturou muito com a venda de videocassetes com clássicos de animação da Disney. "O Rei Leão", que tanto reavivou a divisão de animação, foi lançado poucos meses após a morte de Wells.

E alguns meses mais tarde, Jeffrey Katzenberg, furioso por não ter sido escolhido para suceder Wells, renunciou ao comando dos estúdios de animação. Na saída, ele processou a Disney e recebeu de indenização mais de US$ 117 milhões (mais de R$ 350 milhões).

Em 1995, a Disney escolheu Michael Ovitz, homem de muita influencia e agente caça-talentos de Hollywood, como presidente, cargo logo abaixo do de Eisner. Foi um desastre, e depois de 14 meses ele saiu em condições --adquiriu seu contrato e recebeu US$ 140 milhões (R$ 420 milhões) --que ainda estão sendo contestadas judicialmente por acionistas furiosos.

O crescimento da Disney sob a gestão Eisner não tem sido tranqüilo. Em 1995, houve a compra da Capital Cities-ABC, que trouxe para o grupo a atualmente claudicante rede ABC de televisão aberta.

O controle parcial da subsidiária Euro Disney começou em 1992, mas nunca cumpriu todas suas expectativas. Um plano de recapitalização, ou seja, de alteração da estrutura de capital da empresa, elaborado em 1994, não chegou a funcionar.

Um novo plano reestruturador encontrou resistência em alguns bancos, levantando apossibilidade da matriz ter que aportar mais dinheiro para manter a Disneylândia de Paris funcionando. As ações da Euro Disney caíram 99% desde um pico que tiveram em 1992.

Na mais recente convenção anual da empresa, Roy E. Disney, sobrinho do fundador Walt Disney, e Stanley P. Gold, um ex-diretor que teve papel decisivo na contratação de Eisner em 1984, lutaram muito para retirar votos do atual CEO/diretor-executivo.

Já que não havia outros candidatos, a reeleição de Eisner ficou garantida. Mas 45% dos votos foram retirados dele, um constrangimento que levou a Disney a substituí-lo na presidência do conselho, embora tenha mantido o cargo de diretor executivo.

Tanto Roy Disney como Stanley Gold saíram do conselho no ano passado. Mesmo assim dizem que continuarão a se opor a Eisner, e espera-se até que eles briguem "por procuração", apoiando um novo candidato para ser consagrado na convenção anual de 2005.

A promessa de renúncia de Eisner no ano que vem poderá reduzir o apoio à manobra de Disney e Gold. Mas ainda é possível que, quando o contrato dele expirar, Eisner não faça mais parte da diretoria da empresa.

Esse seria um triste final para a gestão de um diretor executivo que fez render muito dinheiro para os acionistas, em sua primeira década no comando. Mas Hollywood é uma cidade em que um ator pode ir do estrelato ao desemprego, depois de um ou dois fracassos. Talvez o mesmo se aplique ao mundo dos poderosos CEOs. Investidores responsabilizam executivo pela má fase da empresa Marcelo Godoy

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