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14/09/2004

Bush diz que Kerry vai estatizar a saúde dos EUA

The New York Times
David E. Sanger*

em Battle Creek, Michigan
O presidente Bush cruzou o sudoeste de Michigan, nesta segunda-feira (13/09), atacando o senador John Kerry por planos que ele disse que resultariam na estatização do sistema de saúde.

Bush também defendeu sua proposta de privatização de parte do Seguro Social, dizendo que as antigas acusações democratas de que isto minaria o sistema representam "a forma mais esgotada e patética de fazer campanha à presidência".

A forma como Bush caracterizou Kerry e seus planos pareceram ficar mais intensas à medida que o presidente se deslocava de um comício para outro durante sua 21ª visita ao Estado, no qual perdeu por pequena margem em 2000. As pesquisas mostram que ele está ligeiramente atrás de Kerry no Estado, mas assessores de campanha de Bush acreditam que a vantagem do presidente nas pesquisas nacionais lhes dá uma nova oportunidade de conquistar os 17 votos eleitorais de Michigan.

Bush nunca comparou explicitamente os planos para o atendimento de saúde de Kerry com os defendidos pelo presidente Bill Clinton e Hillary Clinton no início dos anos 90, que se transformaram em um revés político para os democratas. Mas ele chegou perto. "O que vocês esperariam de um senador de Massachusetts?" ele perguntou na manhã de segunda-feira em Muskegon, sua primeira parada. "Isto é o que vocês esperariam --uma tomada por parte do governo do sistema de saúde por um preço enorme."

Falando em três eventos diferentes para milhares de simpatizantes entusiasmados, Bush se concentrou em questões domésticas, particularmente o atendimento de saúde, e retratou Kerry como um liberal tradicional, defensor do governo grande.

"Eu estou concorrendo contra um sujeito que tem um plano enorme e complicado para que nosso governo assuma o processo de tomada de decisão no sistema de saúde", disse o presidente. "O plano dele não só aumentará o poder dos burocratas na sua vida, como também ele não poderá pagar por ele a menos que aumente seus impostos."

Na terça-feira, o Comitê Nacional Republicano começará a colocar no ar uma propaganda que trata do mesmo tema. Ela termina com uma locução: "Governo grande no comando. Não você. Nem seu médico."

Membros da campanha de Kerry chamaram na segunda-feira a caracterização de invenção e uma distorção deliberada. "É ridículo", disse Sarah Bianchi, diretora de política da campanha de Kerry, em uma entrevista coletiva por telefone para repórteres que estavam viajando com Bush. "O motivo dele estar fazendo isto é porque ele não tem um plano, ele tem um histórico fracassado."

Bianchi disse sobre o plano de Kerry: "Ele dá para as pequenas empresas incentivos fiscais para compra de planos de saúde. Da última vez que chequei, incentivos fiscais para pequenas empresas não significam estatização do sistema de saúde".

Segundo o plano, o governo arcaria com 75% dos valores para cobertura de atendimento catastrófico de saúde --isto é, cobertura para atendimentos muito caros, não rotineiros. Ele pagaria por isto revertendo os cortes de impostos aprovados pelo governo Bush para aqueles que ganham mais de US$ 200 mil por ano.

Em cada parada, Bush também pediu limites para os processos contra médicos, que ele disse que "custam aos contribuintes cerca de US$ 28 bilhões por ano para que os médicos pratiquem medicina defensivamente".

"Pergunte aos médicos como é praticar em uma sociedade litigiosa", disse Bush, parando para zombar de seu próprio uso de uma palavra mais rebuscada. "Isto significa muitos processos. Eu nem sou advogado e conheço a palavra 'litigiosa'."

Em uma reunião na prefeitura de uma cidade do sudeste de Iowa, o vice-presidente Dick Cheney abordou um tema semelhante.

"Não há como você manter um programa tão grande e arcar com tamanho custo sem eventualmente criar a necessidade de geração de grandes impostos, provavelmente atingindo todos os setores (da sociedade)", disse Cheney.

Em cada parada, Bush disse que ele e outros membros da geração 'baby-boom' (a dos nascidos no pós-Segunda Guerra Mundial) não precisam temer a situação do Seguro Social.

Mas ele disse que os democratas estão buscando uma campanha para gerar medo sobre seus planos de privatização de parte do sistema do Seguro Social, que permitiria aos trabalhadores mais jovens investirem parte de suas contribuições para o Seguro Social em contas pessoais, que poderiam ser canalizadas para os mercados de ações e títulos.

"Você ouve a mesma retórica que você ouve em toda campanha, acreditem em mim", disse ele. "'Eles vão fazer desaparecer os cheques do Seguro Social.' É a forma mais esgotada e patética de fazer campanha à presidência."

A campanha de Kerry respondeu, por meio de um porta-voz, Phil Singer, que "a única coisa que é esgotada e patética é o requentado plano de privatização do Seguro Social de 2000, que coloca em risco o programa, reduz os benefícios e os resultados em um déficit de US$ 2 trilhões".

Na terça-feira, Bush viajará para o Colorado e Las Vegas, onde discursará na convenção anual da Associação da Guarda Nacional.

*Colaborou Rick Lyman de Ottumwa, Iowa. Presidente condena investimentos na área, pois "criariam impostos" George El Khouri Andolfato

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