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16/09/2004

Volkswagen e sindicato tentam evitar demissões

The New York Times
Mark Landler

Em Frankfurt, Alemanha
Representantes da Volkswagen e de seu sindicato trabalhista se sentaram à mesa nesta quarta-feira (15/09), iniciando uma rodada de negociações que será acompanhada atentamente como um teste de quanto os trabalhadores alemães conseguirão preservar sua posição privilegiada no setor automotivo global.

As primeiras horas de negociação em Hanover, uma cidade no norte da Alemanha, não apontaram progresso, segundo um negociador do sindicato, com ambos os lados não se afastando das posições definidas várias semanas atrás.

O sindicato, o IG Metall, apresentou sua exigência de um aumento salarial de 4%, assim como garantias de segurança de emprego para os 103 mil trabalhadores da linha de montagem cobertos por um contrato que expirará em breve. A Volkswagen reiterou sua insistência em um congelamento salarial de dois anos e outros cortes.

Por trás das negociações está o fantasma de que a Alemanha, com sua cara ec altamente qualificada força de trabalho, perderá empregos no setor de manufatura para países de menor custo como Hungria, Polônia e Eslováquia, onde a Volkswagen já conta com grandes fábricas.

"Eles estão diante de uma discrepância real entre salários na Alemanha e salários na Polônia e na República Tcheca", disse Michael Fichter, um especialista em trabalho da Universidade Livre de Berlim. "As questões que serão levantadas aqui são as que todos na indústria estão enfrentando."

A Volkswagen, com sede em Wolfsburg, não ameaçou explicitamente transferir empregos para fora do país. Mas seu diretor financeiro chefe, Hans Dieter Poetsch, alertou recentemente que se os dois lados não chegarem a um acordo, isto colocará em risco 30 mil empregos na Alemanha, onde a Volkswagen emprega 176 mil pessoas, nem todas cobertas por este contrato.

O IG Metall rebateu com ameaças de protestos e greves de alerta. O sindicato, que representa os metalúrgicos, tem perdido terreno em confrontos com outras montadoras nos últimos dois anos. Mas com 97% dos trabalhadores da Volkswagen em suas fileiras, o sindicato tem grande poder lá.

"A força de trabalho da Volkswagen é extremamente leal ao IG Metall", disse Hartmut Meine, o negociador chefe do sindicato, em uma recente entrevista. "Os empregados da Volkswagen participarão em peso de qualquer ação de protesto."

A Volkswagen estabeleceu uma meta de redução dos custos trabalhistas em 30% até 2011, e está se preparando para uma batalha longa e amarga, incluindo a possibilidade de enfrentar suas primeiras greves em grande escala.

"Nós não estamos falando em greve a esta altura", disse o porta-voz chefe da Volkswagen, Dirk Grosse-Leege. "Mas você pode certamente presumir que uma empresa deste tamanho e experiência seria tola em não estar preparada."

A urgência da Volkswagen é movida em parte pela deterioração de sua condição financeira. Em julho, a empresa foi forçada a reduzir seu lucro operacional projetado para 2004 para 1,9 bilhão de euros (US$ 2,28 bilhões), antes de grandes deduções, em comparação à projeção anterior de 2,5 bilhões de euros (US$ 3 bilhões).

As vendas caíram em grandes mercados da Volkswagen: China, Europa e Estados Unidos. A erosão em casa é particularmente preocupante. As vendas na Europa Ocidental caíram 8,2% em agosto, reduzindo sua participação de mercado em 1,5 ponto percentual, para 19,4%.

A Volkswagen está confiante de que poderá chegar a um bom acordo com o IG Metall, em parte devido aos acordos acertados recentemente entre o sindicato e duas outras gigantes corporativas, a Siemens e DaimlerChrysler. Ambas usaram a ameaça de demissões para obter concessões em salários e horas de trabalho.

"A Volkswagen pressionará até onde puder chegar, para ver se consegue obter mais flexibilidade", disse Fichter. "Ela está tentando sair de uma crise."

Apesar de toda a conversa sobre demissões, considerações políticas e práticas tornariam extremamente difícil para a Volkswagen demitir milhares de funcionários na Alemanha, de forma que as negociações provavelmente visam mais romper acordos rígidos de trabalho.

O maior acionista da empresa é o governo da Baixa Saxônia, que consideraria demissões em massa politicamente indefensáveis. Além disso, a fábrica da Volkswagen em Wolfsburg gerou uma rede de fornecedores e empresas de logística, que só poderiam ser deslocadas a um custo muito alto e ao longo de vários anos.

"As chances de a Volkswagen dizer, 'Nós transferiremos estes empregos para a China ou o Leste Europeu', são mínimas", disse Graeme Maxton, um analista da Autopolis, uma firma de consultoria do setor automotivo em Londres. "Você não pode mover a matriz sem afetar toda a rede."

Ainda assim, a Volkswagen tem poder para decidir onde produzir carros. A empresa escolherá em breve uma fábrica para montar um novo veículo utilitário esportivo que é menor do que seu popular Touareg. Dois dos três locais potenciais se encontram fora da Alemanha; o terceiro é Wolfsburg.

O negociador chefe da Volkswagen, Peter Hartz, disse que montar o carro custaria 1.400 euros, ou cerca de US$ 1.700, a mais por veículo em Wolfsburg do que nas outras duas fábricas, que a Volkswagen se recusou a identificar. A menos que Wolfsburg reduza esta diferença, ele disse, o projeto irá para outro lugar.

A Volkswagen já monta o Touareg em Bratislava, a capital da Eslováquia. Ela produz a versão conversível de sua marca premium, Audi, na Hungria. Grosse-Leege disse que a empresa planeja produzir um novo Audi em Bratislava, e um novo Volkswagen conversível em Portugal.

O modelo para os contratos de trabalho da Volkswagen é um novo acordo que negociou para montar sua minivan européia, a Touran. A montadora recrutou 5 mil desempregados --cabeleireiros, padeiros e trabalhadores do gênero-- e os treinou para que trabalhassem na linha de montagem em Wolfsburg.

A Volkswagen paga aos trabalhadores um salário fixo que é uma fração do salário habitual. Ela então paga um valor variável vinculado ao número de veículos produzido. O total médio do salário, disse Grosse-Leege, é 10% a 20% mais baixo do que os dos demais trabalhadores em Wolfsburg.

Meine, o negociador chefe do sindicato, disse que reluta em expandir tal acordo por toda a Volkswagen porque ele reduziria o padrão de vida dos trabalhadores. A Volkswagen e o IG Metall concordaram em se reunir novamente em 5 de outubro. Mas, disse Meine, os dois lados continuam muito distantes. Trabalhadores da Alemanha reagem à redução dos custos sociais George El Khouri Andolfato

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